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Minha história

'Venci câncer e consegui realizar o sonho de ser Miss Brasil Internacional'

‘Devido a agressividade do câncer, tive que receber um transplante de medula óssea’ - Arquivo pessoal  - Arquivo pessoal
Lorena Arianne
Imagem: Arquivo pessoal

Lorena Arianne, em depoimento a Ed Rodrigues 

Colaboração para Universa 

19/12/2021 04h00

"Nasci em Belo Horizonte, tenho 28 anos e sou advogada pós-graduada em direito empresarial. Sempre gostei do mundo da moda e do universo das misses e cheguei a fazer meu primeiro casting com 13 anos. No entanto, naquela época, resolvi priorizar os estudos, base para a realização de qualquer sonho, e não dei prosseguimento à carreira profissional de modelo.

Apesar de não ter virado modelo profissional naquele período, continuaram aparecendo trabalhos nesse segmento e passei a conciliar com a faculdade. Consegui passar na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) um ano antes da minha formatura.

Eu só não contava que essa trajetória seria interrompida aos 24 anos, quando recebi o diagnóstico de linfoma não Hodgkin, um tipo de câncer de sangue raro, já em estado grave com metástase nos dois pulmões.

Nesse momento pensei que minha vida se encerraria ali e não teria mais tempo para realizar meus sonhos. Felizmente eu estava errada e, em novembro de 2021, fui coroada no Miss Brasil Internacional, um concurso realizado no Espirito Santo.

Lorena Arianne - Luís Soares - Luís Soares
'Achei que fosse morrer', conta a modelo ao receber o diagnóstico de infoma não Hodgkin
Imagem: Luís Soares

Minha vitória no concurso só foi possível por eu ter vencido a doença. Os primeiros sinais do problema surgiram em 2017, com uma coceira intensa no corpo. Inicialmente procurei dermatologistas e fiz tratamentos com vários antialérgicos, sem resultado. Com o tempo, outros sintomas surgiram, como a sudorese noturna e a dificuldade para respirar causada pelo linfoma no mediastino, entre os dois pulmões.

Entre idas e vindas em diversos médicos de especialidades diferentes, meu quadro se agravava. Somente em abril do ano seguinte, quando eu comecei a ter uma dor muito forte no peito e tosse, a doença foi descoberta. Diante da piora no quadro, fui a um pronto-atendimento e, após realizar diversos exames, uma tomografia com contraste deu pistas aos médicos sobre meu caso.

O médico me informou que suspeitava de um linfoma e que, por estar bastante agressivo, meu estado já era crítico. A partir daquele momento, não pude ir embora. Fui internada e transferida em UTI móvel para um hospital em Belo Horizonte, onde fiquei por 21 dias.

Devido à gravidade do meu caso, no dia da biópsia, precisei ser intubada. Quando acordei, os médicos me informaram que, nas diversas tentativas de extubação, eu quase tive parada cardíaca. O resultado do exame foi linfoma não Hodgkin, em estado avançado, com metástase nos dois pulmões.

Durante a internação, meu quadro se agravava, estava totalmente dependente do oxigênio e só era transportada por cadeira de rodas. Na tentativa de me estabilizarem, fui transferida para outro hospital para começar o tratamento com a primeira quimioterapia.

Após sair da UTI, segui com a quimioterapia a cada 21 dias. A vida parecia se estabilizar de novo quando fui internada outra vez por causa de uma embolia pulmonar, decorrente da doença.

Transplante de medula

Com os exames logo após a embolia foi descoberto que o câncer não respondia mais ao tratamento. Devido a sua agressividade, seria necessário realizar um transplante de medula óssea.

Após dois ciclos de quimioterapia, o câncer estava em remissão completa e me preparei para o transplante de medula óssea. Em 21 de janeiro de 2019, data da internação do transplante, um novo percurso difícil se iniciou na minha vida.

Durante o transplante, tive sepse grave, uma infecção generalizada que se iniciou pela entrada de três bactérias pelo meu cateter. Fui para a UTI mais uma vez. O organismo estava sem defesa nenhuma e debilitado devido aos 13 dias de alimentação exclusivamente parenteral (quando os nutrientes são introduzidos diretamente na veia).

Naquele dia, minha família foi avisada sobre a gravidade do meu quadro: novamente eu estava estado crítico.

Foi nesse dia que eu tive uma experiência com Deus. Foi sobrenatural. Cheguei à UTI em estado de agonia. Pedi a Deus que me deixasse ver a face Dele e eu o vi, ali comigo. Eu apaguei e, em menos de 12 horas, as bactérias cederam e eu sai da UTI para o quarto. Foi a força que eu precisava. Minha fé me salvou.

Após 13 dias do transplante, a medula estava funcionando bem. Era o fim da minha jornada contra o câncer.

Apoio a outros pacientes

Logo após o diagnóstico, comecei a compartilhar minha história pelo Instagram e passei a me tornar uma referência de superação para as pessoas. Passei a receber centenas de mensagens de pessoas em tratamento ou de amigos e familiares buscando algum tipo de apoio.

Novamente começaram a se abrir portas para minha carreira de modelo e também como influenciadora. Precisei encarar os resultados estéticos decorrentes do tratamento: a perda do cabelo, dos cílios, da sobrancelha e os 15 quilos a mais devido ao uso dos corticoides. Mas nada disso me fez desistir.

Neste ano, vi no concurso Miss Brasil Internacional a chance de finalmente realizar o sonho que havia sido adiado por tanto tempo.

Pensava que esse sonho havia se tornado inalcançável, pois, na maioria dos concursos, a idade limite é 26 anos, e eu já estava com 28 anos, o limite de idade da franquia Miss Brasil Internacional.

Me senti insegura de participar devido ao pouco tempo para preparação para oratória, passarela, trajes, mas resolvi encarar como um aprendizado. Em 30 dias, dei o meu melhor e acabei realizando meu sonho.

Sinto que renasci depois de quase perder a vida. Hoje tenho outro olhar para minha saúde, para minha família, para o próximo e busco viver cada dia intensamente.

Agora tenho me preparado para representar o Brasil na etapa internacional do concurso, o Miss Supertalent World, que acontecerá em março de 2022 em Paris, na França. Vou em busca de mais uma realização, levando meu propósito de inspirar e fortalecer as pessoas com a minha história."

Lorena Arianne, 28 anos, é advogada, modelo e Miss Brasil Internacional

Lorena Arianne, 28 anos, realizou o sonho de virar miss após vencer um câncer raro

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