PUBLICIDADE

Topo

Moda

'Revolução': ativistas gordas sobre Jojo Todynho na Semana de Moda de Paris

Jojo Todynho, em Paris - Reprodução/instagram
Jojo Todynho, em Paris Imagem: Reprodução/instagram

Mariana Gonzalez

De Universa

27/09/2021 17h44

Jojo Toddynho está em Paris e, além de passar por pontos turísticos típicos da capital francesa, participou pela primeira vez da Semana de Moda de Paris. O convite para assistir a desfiles veio e uma das mais tradicionais grifes do evento, a Jean Paul Gaultier, que também contratou a funkeira para ser o rosto da campanha do lançamento de seu novo perfume no Brasil.

Para ativistas body positive e antigordofobia ouvidas por Universa, a escolha de Jojo, uma mulher gorda e negra, tem fortes impactos na autoestima de mulheres fora do padrão.

"Essa é uma vitória para todo o movimento que vem lutando pelo protagonismo e visibilidade das mulheres gordas. É um grito de libertação e de resistência para todas nós mulheres gordas, negras e fora do padrão que é imposto pela sociedade", fala Adriana Santos, coordenadora nacional do movimento Vai Ter Gorda.

Juliana Santana, que também é ativista body positive e fala, nas redes sociais, sobre autoestima e sexualidade, concorda: "É muito bom ver pessoas gordas e negras conquistando espaço, porque a gente se sente representada e sente que consegue sonhar para um dia também ocupar esses mesmos espaços. Quando a gente vê que não existem pessoas que chegaram lá, que não tem precedentes, é complicado".

Adriana Santos criou o movimento Vai Ter Gorda - Divulgação/Arquivo pessoal - Divulgação/Arquivo pessoal
Adriana Santos criou o movimento Vai Ter Gorda
Imagem: Divulgação/Arquivo pessoal
Juliana Santana é ativista body positive - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
Juliana Santana é ativista body positive
Imagem: Reprodução/Instagram

Para as duas, a presença de Jojo Todynho em uma campanha prestigiada no mundo da moda e da beleza ajuda a naturalizar a imagem das mulheres gordas.

"Só de ocupar este espaço, ela está fazendo revolução", fala Juliana. "As pessoas não estão acostumadas a ver pessoas gordas, mas precisam se acostumar. Cada vez mais a gente tem que normalizar a nossa presença na moda, não só para campanhas mais artísticas ou na moda plus size, mas na moda em geral, porque a gente consome no dia a dia e quer consumir aquilo que nos representa".

'Ativismo gordo não acontece só na passarela'

Apesar das duas ativistas concordarem que a presença de Jojo Todynho na campanha da Gaultier ser relevante em termos de representatividade, Adriana, que coordena o movimento Vai Ter Gorda, destaca: "O ativismo gordo não acontece só na passarela, a gente precisa lutar por mais acesso a direitos e pela inclusão social para pessoas gordas".

"Precisamos que mulheres que estão no topo, como a Jojo, abracem a causa no sentido mais social. A questão gorda na moda é muito importante, porque mexe com a nossa autoestima, mas precisamos também de políticas públicas para que pessoas gordas tenham acesso digno e humanizado à saúde, ao transporte público e não sofram discriminação no mercado de trabalho".

Moda