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Ex-comandante denunciado por assédio a PM não foi julgado e segue na ativa

Ex-comandante denunciado por assédio segue na ativa como 1º tenente e recebendo salário - Willian Moreira/Estadão Conteúdo
Ex-comandante denunciado por assédio segue na ativa como 1º tenente e recebendo salário Imagem: Willian Moreira/Estadão Conteúdo

Rafael Souza

Colaboração para Universa, em São Luís

24/09/2021 12h55

A soldada da PM no Maranhão Tatiane Alves, presa ao recusar a fazer hora extra para que pudesse amamentar o filho, afirma que um outro ex-comandante que a assediou nunca chegou a ser julgado e segue na ativa. O caso ocorreu em 2020, em Imperatriz, e Tatiane gravou um vídeo relatando o assédio sexual que diz ter sofrido de um ex-comandante do Esquadrão Águia, voltado para o patrulhamento com motos.

Segundo a policial, o então comandante, identificado como Leandro Maluf Gomes, tentava ter um relacionamento com ela, mas não foi correspondido. Como represália, ele impediu que ela voltasse a trabalhar no patrulhamento nas ruas, dentro do Esquadrão.

Além das denúncias de Tatiane, Leandro já foi investigado e condenado por efetuar disparos em uma via pública em Imperatriz, em 2017, fora do horário de serviço e com sinais de embriaguez. Ele recebeu pena de 2 anos de reclusão, que foi convertida em prestação de serviços comunitários.

Atualmente, Leandro não é mais comandante do Esquadrão Águia em Imperatriz, mas segue na ativa como 1º tenente e recebendo salário de R$ 5.711, segundo aponta o Portal de Transparência do Governo do Maranhão.

Tatiane Alves - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Tatiane Alves, que recebeu voz de prisão do comandante por "desobediência"
Imagem: Arquivo Pessoal

"Para as denúncias de assédio moral e sexual, não há nenhuma punição ainda. Esse inquérito nunca foi concluído e segue no Comando Geral da PM. Até hoje, nunca nos foi informado da conclusão dessas investigações", afirmou Widevandes de Sousa, advogado de Tatiane.

Na época, Tatiane esperava ter apoio dentro da Polícia Militar para que ele fosse punido. No entanto, ela relata que a instituição se voltou contra ela.

Eu queria que o caso fosse investigado e ele punido, mas quem acabou investigada fui eu. Abriram uma sindicância para a apurar o que teria sido um 'crime militar' por eu ter divulgado o vídeo. Eles dizem que meu ato 'manchou' a imagem da instituição.

Até hoje, Tatiane responde pelo processo aberto contra ela, mas ainda não houve julgamento, assim como a ação que ela impetrou na Justiça por causa do assédio que sofreu no ambiente militar.

A reportagem tentou, sem sucesso, entrar em contato com o tenente Leandro Maluf para comentar as acusações de Tatiane. O UOL também insistiu por um posicionamento da Polícia Militar, por meio da Secretaria de Segurança Pública, sobre possíveis medidas tomadas em relação ao tenente, e as razões pelo qual segue na ativa. No entanto, não houve retorno.

Indenização por danos morais

Além desses, um terceiro processo foi aberto referente a prisão ocorrida no Centro Histórico de São Luís sob ordens do tenente Mário Oliveira, no dia 05 de setembro. O inquérito apura a legalidade do ato, já que Tatiane foi presa fora do horário de serviço e precisava amamentar. A depender do parecer da Justiça, a soldada pretende novamente pedir indenização.

"Nesse caso, eu só vou poder entrar com uma ação contra a polícia depois que considerarem que a prisão contra mim foi ilegal. Enquanto isso, não. Mas depois que acontecer, pretendo entrar com ação por danos morais", afirmou a PM.

Ao UOL, o Ministério Público informou que foi aberta uma sindicância para apurar o caso e ainda se a prisão foi legal. "A respeito do caso, foi instaurado inquérito policial militar para apurar o ocorrido, e o Ministério Público está acompanhando a investigação. Somente depois que o inquérito for concluído é que o mesmo será remetido para o MP e distribuído para uma das promotorias", diz o comunicado.