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Mães e filhos

Mais paciência, culpa e força: mães contam mudanças emocionais após filhos

Kaoana Della Flora, 28 anos e com filho de quatro meses, Luis Miguel - arquivo pessoal
Kaoana Della Flora, 28 anos e com filho de quatro meses, Luis Miguel Imagem: arquivo pessoal

Priscila Carvalho

Colaboração para Universa

22/09/2021 04h00

Cada mulher vive a maternidade de um jeito e não há regras para ser mãe. Mas ter um filho promove mudanças na vida de mulher - e não estamos só falando de aprender a trocar fraldas ou amamentar. As principais e mais marcantes mudanças costumam ser emocionais.

Universa conversou com quatro mulheres que contam como a personalidade e sentimentos ficaram mais aflorados depois de terem um bebê. Bárbara destaca que aprendeu ter paciência, Bianca conquistou mais empatia e Diana desenvolveu mais apego à família. Leia as histórias de cada uma a seguir:

"Me tornei uma pessoa mais empática"

"Antes da gravidez eu era bem desapegada das coisas. Nunca pensei em morar perto da minha família, mas depois que o Luis Miguel nasceu, tudo mudou. A mulher fica mais frágil quando se torna mãe e pensa em querer criar os filhos mais perto dos pais.

No puerpério é um momento de muita fragilidade e quando você tem bebê cria-se uma conexão e entendimento das outras mulheres.

Quando meu filho nasceu, eu senti um amor que nunca senti na vida: o amor mais puro que já senti. Antes eu era mais cabeça, mais racional. Hoje, é bem mais emoção.

Em contrapartida, o emocional também fica abalado. Teve momentos, sim, de choro, que acho que é normal.
Também desenvolvi mais empatia pelos outros. Se acontece algo com uma criança, eu sempre penso que 'e se fosse meu bebê?'.

Eu aprendi também que nasce uma cobrança. A necessidade te impõe de ser uma mãe perfeita e não tem como ser. O emocional tem altos e baixos, não existe maternidade perfeita". Kaoana Della Flora, 28 anos, mãe de Luis Miguel, de quatro meses.

"Força que não sabia que tinha"

Bianca e filha Clara, hoje com três meses: amamentação difícil trouxe adapação a dor - arquivo pessoal - arquivo pessoal
Bianca e filha Clara, hoje com três meses: amamentação difícil trouxe adapação a dor
Imagem: arquivo pessoal

"Se pudesse definir alguns sentimentos, acho que escolheria as palavras resiliência, força, doação, resistência, culpa e muita culpa. Quando você se torna mãe, automaticamente se sente culpada por tudo. Quando a neném não ganha peso me sinto culpada, se a bebê não mama bem, tem gases ou cólica, me sinto culpada.

Eu sofri e ainda estou sofrendo demais com a amamentação. Porém, tirei forças pra continuar amamentando e não sei de onde veio. Nunca fui resistente à dor e a amamentação é inexplicável, nunca senti nada igual e, mesmo assim, continuo amamentando, com sangrando e choro. Eu me adaptei, me refiz, me reinventei e me doei. Doei meu tempo, meu corpo, meu sono, minha vaidade e minhas forças.

Eu sempre achei todo amor, frases e afins sobre maternidade clichê. Mas a verdade é que não tem como explicar o que é ser mãe antes de ser uma.

Nenhuma mulher é capaz de sentir, imaginar, se colocar no lugar, até que ela se torne. Engraçado que mesmo sem falar e sem perceber é um amor incondicional. Só isso pode justificar tanto. Eu não vivi o encanto da maternidade, acho que não existe. Mas sem dúvida a maternidade me tornou outra pessoa. Uma pessoa mais empática e capaz de muito mais do que imaginava". Bianca Cordeniz, 32 anos, mãe de Clara, de três meses

"Ser melhor para ser exemplo"

Bárbara e o filho Eric, de cinco anos: "Sou uma pessoa muito melhor depois da maternidade" - arquivo pessoal - arquivo pessoal
Bárbara e o filho Eric, de cinco anos: "Sou uma pessoa muito melhor depois da maternidade"
Imagem: arquivo pessoal

"Depois que virei mãe aprendi muito sobre desapego, paciência e também o instinto protetor. Com certeza sou uma pessoa muito melhor depois da maternidade.

Acho que o instinto protetor foi algo que ficou extremamente aguçado. O de autopreservação também. Hoje em dia penso em não me colocar em risco por causa dele.

Passei a valorizar pequenas coisas e me preocupar muito mais com o futuro, com o próximo, de ser um bom exemplo e de poder estipular um estilo de vida que seja bom para os filhos.

Hoje me preocupo muito com o tipo de mídia que consumo, programas que assisto e outras coisas do gênero" Bárbara Petillo, 30 anos e mãe do Eric, de cinco anos.

"Com a maternidade, aprendi a driblar dificuldades"

"Eu fui mãe quando senti o desejo de ter um filho. Lembro que tinha 30 anos e adiei muito esse momento.
No aspecto emocional, o que eu não tinha era um apego à família. Antes das minhas filhas, eu era mais bicho solto, saí muito sozinha e ia de canto para canto.

As minhas duas filhas trouxeram aquela união que não tinha antes. Trouxe um sentimento de querer estar junto, de estar mais próxima da mãe, dos avós. Acho que veio um pouco disso e eu não tinha. Percebi que era importante passar isso para elas também.

Viver a maternidade te leva constantemente no olho do furacão. Mas te mostra que você consegue sair dele. É aprender a sair das dificuldades e se sobressair. Com certeza mexeu comigo em muitos aspectos", Diana Sousa, 44 anos e mãe de duas filhas adolescentes. Alice e Luiza.

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