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Como a mãe de Gil, elas contam que prostituição foi meio para comer

Mãe de ex-BBB Gilberto Nogueira revela prostituição em troca de comida para os filhos: "Não me torna menor" - Reprodução/Instagram
Mãe de ex-BBB Gilberto Nogueira revela prostituição em troca de comida para os filhos: "Não me torna menor" Imagem: Reprodução/Instagram

De Universa

13/06/2021 16h21

Na sua recém-lançada biografia — "Tem Que Vigorar!" —, o ex-BBB Gil do Vigor conta que sua mãe, Jacira, precisou se prostituir para colocar comida na mesa de casa. Vítima de violência física e psicológica do ex-marido, que também se chama Gilberto, ela fugiu de casa com os filhos e, ao pedir ajuda para o pai de Gil, que na época tinha 4 anos, o homem pediu sexo em troca. No desespero, aceitou uma proposta.

Ela mesma escreve num trecho: "Eu tive que me deitar com homem para trazer comida para casa. Me vendi para criar meus filhos. E isso não me torna menor do que ninguém". Em depoimento a Universa, Gloria, 33, conta que passou por situação parecida:

"Separada e passando necessidade, comecei na prostituição em 2009. Uma conhecida me deu a ideia. Com esse trabalho, paguei todas as contas sozinha", relata ela, que prefere não se identificar.

Moradora de São Paulo, Gloria fala que teve uma infância conturbada, com mãe narcisista e um padrasto que a molestou dos 7 aos 13 anos. Por causa disso, saiu de casa aos 14, e foi morar com o pai. Aos 17, foi trabalhar num bar, onde conheceu o pai de dois dos seus 4 filhos. Ele era dono daquele estabelecimento. Durante os sete anos de relacionamento, porém, o homem passou a usar drogas e agredi-la constantemente. Naquela altura, já dependia financeiramente dele. E, para livrar-se do relacionamento e da violência, se prostituiu.

"Parece fácil, mas entre quatro paredes bate aquele desespero, e você se pergunta 'o que estou fazendo aqui?'. É como se fôssemos zumbis ou estivéssemos num filme", ela descreve.

Glória parou com a atividade em 2011 para casar com um cliente. Mas ele também se drogava e a deixou quando estava grávida do terceiro filho. Hoje ela está casada também com um ex-cliente, com quem teve mais um bebê.

"Trabalhamos num trailer de comida e nunca mais voltei para a prostituição, mas se precisasse, iria novamente", ela reflete.

Não é um dinheiro fácil

Priscila*, 35, diz que faz programa há 15 anos para dar uma vida confortável aos filhos de 15 e 10 anos. Também de São Paulo, ela fala que já foi manicure, faxineira, vigilante, cabeleireira e ainda atuou em banco. Mas nenhuma dessas atividades lhe deu o retorno que consegue hoje, de cerca de R$ 10 mil mensais, e com esse montante consegue pagar os cuidados do primogênito, que tem problema neurológico, e da caçula, de quem o ex tentou abusar. Ressalta ainda que cuida de animais abandonados:

"Entrei pelo dinheiro. Claro que com ele crio meus filhos. A maioria está nessa vida não gosta, claro, mas aqui é um dinheiro rápido, não fácil".

A catarinense Vanessa de Oliveira, 46, também relata a Universa que começou a fazer programas para se manter financeiramente. Ela foi mãe na adolescência e atuou como trabalhadora sexual até meados de 2015. Com o dinheiro que juntou, estabilizou-se e fez faculdade. Hoje fora da prostituição, é sexóloga e ministra cursos nas redes:

"Comecei a fazer programa por necessidade, aos 17 anos. Eu já tinha uma filha e estava na maior pindaíba, com a luz cortada, já tinha morado com 11 mulheres na mesma casa, por causa de dinheiro. Uma dessas mulheres que eu conheci tinha 53 anos e era uma senhora de programa, então, um dia, ela me falou: 'Eu, com a sua idade, ganharia muito dinheiro, você só passa vontade porque quer. Quando quiser mudar de vida, é só me avisar que te ajudo'".

"Para mim, a profissão do sexo nunca foi um fim, apenas um meio. Eu me senti bem e confortável para parar. Eu não sinto falta, não me arrependo do que fiz e, principalmente, não fico me vitimizando. A nossa ideia como ser humano deve ser a de sempre buscar mais. E foi o que aconteceu comigo, eu me foquei em buscar alternativas para ir além."

*O nome foi trocado a pedido da personagem

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