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Irmãs criaram marca de biquíni para exaltar beleza negra e viralizaram

Loja Tudo Afro quer mulheres negras como protagonistas na moda - Acervo pessoal
Loja Tudo Afro quer mulheres negras como protagonistas na moda Imagem: Acervo pessoal

Ana Beatriz Felício

Colaboração para Universa

14/05/2021 04h00

O protagonismo para mulheres pretas, que nem sempre aparecem na moda, é uma das prioridades da marca Tudo Afro (@tudoafroloja), fundada pelas cariocas Francielly e Fabiele Moysés da Silva.

A loja nasceu em julho de 2020, quando Francielly perdeu o emprego formal. Era o estopim que faltava para que ela seguisse uma vontade antiga de empreender em algo voltado à estética negra.

O negócio já caminhava bem, mas em 48 horas o cenário mudou para melhor. Ao compartilhar fotos usando os biquínis, a influenciadora Gabi Oliveira (@gabidepretas), que tem mais de 497 mil seguidores, fez o número de seguidores da marca no Instagram saltar de 400 para cinco mil. A visibilidade foi tão positiva, que as irmãs já se preparam para enviar para todo o Brasil.

Antes de viralizar nas redes sociais

As irmãs Francielly e Fabiele são professoras das séries iniciais da educação básica. As duas moram em Niterói, no Rio de Janeiro. Fabiele divide a casa com o marido e dois filhos adolescentes, Julia e João Victor. Já Francielly vive com a mãe e o filho Luís Felipe, de cinco anos.

"Desde que ele nasceu, tento empreender para dar conta da maternidade. Já tentei outras coisas, vendi empada, fui manicure", relembra Francielly. Porém, com a chegada da pandemia e a perda do emprego formal, a ideia precisou sair do papel.

A estética negra era ponto fundamental do negócio que começava a ser delineado. Primeiro, a dupla pensou em apostar na venda de cabelos orgânicos e perucas laces, mas, ainda na fase de pesquisa de mercado, sentiram falta de lojas de roupas com estampas afro a preços mais acessíveis. Decidiram, então, investir no setor.

"Em uma loja de shopping, a gente não encontra biquínis com estampas africanas tão facilmente. Tem opção com animal print, mas não do estilo de que gostaríamos. Apostamos e a nossa loja começou a crescer", conta.

Em meados de setembro, após a divulgação de um modelo de biquíni chamado "Negra Empoderada" em um grupo de mulheres pretas no Facebook, as irmãs tomaram um susto quando a influenciadora Gabi Oliveira entrou em contato para comprar.

"Contamos que estávamos começando e ela foi muito simpática. Comprou e ainda postou fotos usando. A gente não estava preparada para o que viria depois", recorda Francielly.

A exposição orgânica, ou seja, sem dinheiro de publicidade envolvido, rendeu várias notificações nos canais de contato. Foram mais de quatro mil novos seguidores em dois dias.

A importância de se enxergar como potência

Além da estética da marca e dos nomes das peças, as redes sociais da Tudo Afro também buscam levar conteúdo que exalte a beleza negra.

Francielly conta que, em 2019, sofreu um episódio racismo. O impacto fez com que buscasse informações sobre as pautas identitárias para se posicionar sobre o assunto. "No Brasil, a mulher negra nasce negra, mas torna-se negra a partir do momento em que é realmente ferida. É quando a gente passa a se ver enquanto uma mulher negra potente, que pode enfrentar o sistema", argumenta.

Para ela, o afroempreendedorismo feminino também tem o poder de fazer com que mais pessoas se identifiquem e acreditem que também podem criar negócios.

Em novembro do ano passado, as irmãs participaram do Afrolab, projeto da Feira Preta que busca dar formação para empreendedoras pretas e indígenas. Francielly conta que a experiência foi muito importante para o negócio, já que as irmãs até então nunca haviam estudado sobre empreendedorismo.

"Trouxe outra visão para gente de como conduzir a nossa loja e fazê-la crescer. As consultorias de marketing e finanças foram enriquecedoras. Além disso, tivemos contato com outros negócios que nos inspiraram", lembra.

O investimento inicial da loja foi de R$ 500, superado em 10 vezes no verão. Além do Instagram, as roupas da marca também podem ser encomendadas na plataforma Black Money, voltada exclusivamente para afroempreendedores.

Fabiele continua atuando como professora e se divide entre a sala de aula e o contato com fornecedores, além das funções administrativas da loja. Já Francielly é responsável pelas redes sociais e por fazer o atendimento com os clientes.

Para o futuro, esperam poder empregar outras mulheres e fundar fábrica própria. Recentemente, também abriram as vendas de biquíni para esquema de atacado com o objetivo de promover a renda de outras mulheres por meio da revenda da marca. "Queremos crescer para também empoderar economicamente outras", finaliza Francielly.

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