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Vitamina C, ácido hialurônico e mais: o que cada ativo faz pela sua pele?

Os ingredientes de sabonetes, séruns e cremes são aliados quando bem aplicados - Getty Images
Os ingredientes de sabonetes, séruns e cremes são aliados quando bem aplicados Imagem: Getty Images

Luana Kondrat

Colaboração para Universa

06/05/2021 04h00

Basta uma breve olhada nos produtos de skincare para se deparar com os mais variados ativos. E, diante de tantos nomes, fica difícil entender qual é a função de cada um na pele. Antes de passar o cartão de crédito, o ideal é consultar um dermatologista para saber em qual investir, afinal, ele poderá indicar nomes e doses ideais. Entretanto, para que se sinta mais segura na hora das compras, das pesquisas e da leitura dos rótulos, preparamos um glossário, em ordem alfabética, dos ingredientes mais queridos. Prepare o papel e a caneta:

Ácido ferúlico

Sozinho, o ácido ferúlico não é uma grande atração. Entretanto, é na combinação com a vitamina C e E que ele brilha. Trata-se de um importante estabilizador, que ajuda a conservá-las, e ainda complementa a ação de antioxidante. O mix combate envelhecimento celular. "Também contribui para a homogeneização da pele e garante o aspecto viçoso", conta o dermatologista Daniel Cassiano, de São Paulo.

Quando usar: pela manhã, antes do protetor solar.

Ácido glicólico

O ácido glicólico faz parte da família dos alfa-hidroxiácidos, ingredientes naturais obtidos da cana-de-açúcar. Apesar da moda recente, especialmente em tônicos, ele foi um dos primeiros ativos usados pela cosmetologia. "Estimula a renovação celular da pele, melhorando a textura e a uniformidade. Também é benéfico como coadjuvante no tratamento da acne e suas cicatrizes", explica o pesquisador e farmacêutico Maurizio Pupo, de São Paulo. Tais características explicam a razão pela qual o nome costuma aparecer em rótulos de esfoliantes enzimáticos, aqueles que não contêm partículas para gerar atrito.

Quando usar: à noite, seguido de limpeza do rosto e proteção solar pela manhã.

Ácido hialurônico

Um clássico! Também conhecido pela sigla AH, o ácido hialurônico é naturalmente encontrado na pele e tem a capacidade de se ligar à água, tornando a pele elástica e firme. Tem cara de papo de química, mas quem quer gabaritar o skincare precisa saber: o AH varia em peso molecular. "Alguns estudos demonstram que oferecer mais de um tipo na fórmula, com variados pesos moleculares, pode ser benéfico por causar estímulos distintos", explica a dermatologista Flávia Addor, de São Paulo. Os mais leves alcançam maior profundidade e atuam como preenchedores, estimulando a produção natural. Já os mais pesados permanecem na superfície e se comportam como hidratantes.

Quando usar: a qualquer hora do dia, logo após a higienização do rosto, em fórmulas cremosas, em sérum ou gel. Funciona para qualquer tipo de pele a depender do veículo escolhido.

Ácido kójico

O ácido kójico pode derivar da soja, do arroz ou do vinho. Uma das aplicações mais indicadas é para controle de melasma, uma vez que ele atua bloqueando a ação de um dos aminoácidos precursores da melanina. Controlando essa quantidade, caem as chances da hiperpigmentação da pele e, consequentemente, do surgimento do melasma. Uma das vantagens dele é que não é fotossensível, ou seja, não mancha a pele caso seja usado durante o dia.

Quando usar: segundo recomendação médica, mas sem limitação de período do dia.

Ácido salicílico

Outra figurinha carimbada nas prateleiras de beauté. Ele é um velho conhecido, especialmente de quem tem pele oleosa com tendência à acne. "Está presente em diversos tipos de sabonetes, géis e séruns. É um aliado no tratamento das espinhas, cravos, produção excessiva de sebo e poros abertos. De quebra, ainda promove uma leve esfoliação e, como todo ácido, estimula a produção de colágeno", conta o dermatologista Daniel Cassiano, de São Paulo.

Quando usar: na limpeza ou na hidratação com controle de oleosidade. Há ainda versões concentradas de uso tópico, mas a aplicação exige acompanhamento especializado.

Bakuchiol

Queridinho da geração de cosméticos veganos, naturais e clean, o bakuchiol é o que se chama de "retinol-like' — ou seja, um possível substituto para derivados de retinol. A vantagem é que, diferentemente do original, é bem tolerado até pelas peles mais sensíveis e com tendência ao ressecamento. Sob outro ângulo, ainda é capaz de estimular a firmeza e evitar o envelhecimento celular por meio da ação antioxidante. Quando usar: preferencialmente à noite.

Esqualano

Até alguns anos atrás, o esqualano para a indústria cosmética era obtido a partir de um óleo de fígado de tubarão. A história mudou em meados de 2009, quando a extração foi proibida e a indústria se adaptou desenvolvendo versões veganas. Hoje, ele é obtido por processo de fermentação de oliva, amêndoas e cana-de-açúcar. Umectante e rico, tem função hidratante e ajuda na criação de um filme lipídico, que evita a perda de água e mantém a pele viçosa. Segundo as pesquisas da Biossance, marca que tem o ativo como carro-chefe, ele é biocompatível (ou seja, tem absorção facilitada no organismo) e pode ser usado em qualquer área do corpo.

Quando usar: a qualquer momento do dia, por meio de óleos ou cremes.

De olho no rótulo: compreender os ingredientes ajuda na hora da compra - 	Getty Images - 	Getty Images
Skincare
Imagem: Getty Images

Niacinamida

Também conhecida como vitamina B3, a niacinamida tem aplicação anti-inflamatória, homogeneizante e renovadora. "O uso deste ingrediente melhora a textura e uniformiza a tonalidade da pele", explica Daniel. Outro atrativo é o efeito antiglicante, isto é, capaz de blindar a pele dos efeitos do açúcar.

Quando usar: prático, o ativo é incorporado em loções e séruns e pode ser usado tanto de dia quanto à noite. Peles sensíveis e oleosas também respondem bem a ele.

Pantenol

O nutriente, que também aparece nos rótulos como vitamina B5, atua na regeneração da pele e equilíbrio da produção de oleosidade. "Ele também diminui os efeitos irritativos de outros produtos, como, por exemplo, os retinoides", explica Daniel.

Quando usar: por ser um hidratante, deve ser utilizado após lavar o rosto, pela manhã ou à noite.

Polifenóis

Encontrado em produtos naturais, como os óleos de melaleuca e prímula, derivados do ginkgo biloba e da erva do chá verde, os polifenóis são antioxidantes poderosos. "Eles auxiliam no controle de manchas e melasma, protegem a pele dos efeitos da radiação solar, estimulam o colágeno e a elastina, além de ajudarem na conservação do ácido hialurônico", explica Maurizio Pupo.

Quando usar: como é um ativo antioxidante, procure usá-lo pela manhã antes do protetor solar.

Retinol

Há quem sinta arrepios só de ouvir o termo "ácido retinóico". Tratamentos mais antigos, que lançavam mão do ingrediente em peelings químicos, deixavam a pele vermelha e sensível. Hoje, entretanto, o retinol é mais popular nos frascos. Trata-se de um derivado de vitamina A, outro queridinho da dermatologia, que reduz a degradação natural do colágeno e melhora linhas, tonicidade e firmeza.

Quando usar: sob supervisão médica, em dias alternados e sempre à noite. É imprescindível manter também uma rotina de alta proteção solar.

Vitamina C

Unanimidade nos consultórios, a vitamina C é realmente efetiva para a pele. "Ela combate o fotoenvelhecimento, potencializa o protetor solar e uniformiza a pele. O uso contínuo ainda garante menos linhas de expressão e maior sensação de luminosidade", explica Maurizio. Por ser altamente instável, isto é, pode oxidar com facilidade em contato com o ar, a indústria está sempre em busca de novas embalagens e jeitos de aplicar para ampliar a vida útil dos produtos. O esforço vale à pena.

Quando usar: por ser um antioxidante, é melhor aplicá-la pela manhã, antes do filtro solar.

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