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Mulher e ex-marido são encontrados mortos em SP; suspeita é de feminicídio

Roberta Cristina de Andrade Alves Pereira havia se separado de Adão Ismael Alves Pereira há dois meses - Câmara de Santa Rosa do Viterbo/Divulgação
Roberta Cristina de Andrade Alves Pereira havia se separado de Adão Ismael Alves Pereira há dois meses Imagem: Câmara de Santa Rosa do Viterbo/Divulgação

Daniel César

Colaboração para Universa, em Pereira Barreto (SP)

12/03/2021 14h55

Roberta Cristina de Andrade Alves Pereira (MDB), ex-vereadora da cidade de Santa Rosa de Viterbo (SP), a 290 km de São Paulo, foi encontrada morta na manhã de hoje com sinais de violência. O ex-marido da mulher, Adão Ismael Alves Pereira, subtenente reformado da Polícia Militar, também foi achado sem vida na casa onde ela morava.

A suspeita é de que o ex-marido tenha atirado contra a mulher e se matado em seguida. O caso foi registrado como homicídio seguido de suicídio. No entanto, a Polícia Civil confirmou a Universa que a investigação aponta para um feminicídio.

Segundo pessoas próximas à família, o casal havia se separado há dois meses por diversos conflitos e, mesmo não estando mais juntos, continuavam brigando. Ela não pediu medida protetiva contra o ex-marido.

A filha de Roberta, de 20 anos, fruto de outro relacionamento, estava na residência no momento que aconteceu o crime. Ela chamou a polícia para apartar a confusão, mas garante que não viu quando aconteceu o crime.

"O caso foi registrado como homicídio porque não havia nenhuma medida protetiva registrada por nenhuma das partes", informou um dos investigadores responsáveis pelo caso.

A vítima foi eleita vereadora em 2016 e ocupou o cargo em Santa Rosa durante a gestão 2017/2020. No ano passado, chegou a concorrer à reeleição, mas acabou ficando como suplente ao receber 218 votos.

Feminicídio

O feminicídio é o assassinato de uma mulher pelo fato de ela ser mulher. É um crime motivado por ódio, desprezo ou sentimento de perda do controle e da "posse" que o agressor acredita ter sob a vítima.

Nem todo assassinato de mulher é um feminicídio, pois há aqueles que acontecem durante um assalto, por exemplo. Por isso, quando se destaca um feminicídio não é o fato apenas de uma mulher ter sido assassinada, mas sim nas circunstâncias descritas no Código Penal. A pena para feminicídio é maior, de 12 a 30 anos de prisão para o autor, como nos homicídios qualificados. Nos casos de homicídio simples a pena é de seis a 20 anos de prisão.

Geralmente, a mulher perde a vida em uma situação de violência doméstica, mas o crime também pode acontecer em espaços públicos. Esta definição consta na Lei do Feminicídio, sancionada em 2015, que passou a determinar a pena específica para esse crime.

Em 2019, foram registrados 1.326 casos de feminicídio no Brasil, e em 90% desses homicídios o autor foi um companheiro ou ex-companheiro da vítima. E quase 60% de todos esses crimes aconteceram dentro de casa. No primeiro semestre de 2020, o número de feminicídios chegou a 648, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

Como denunciar

Já sofreu uma agressão e quer denunciar? Registre um Boletim de Ocorrência por violência doméstica em qualquer delegacia. Se puder, procure uma delegacia da mulher, especializada neste tipo de caso.

Conhece uma mulher em situação de perigo? Ligue para 180. O canal do governo federal funciona 24 horas, incluindo sábados, domingos e feriados. A ligação é anônima e a central dá orientações jurídicas, psicológicas e encaminha o pedido de investigação a órgãos de defesa à mulher, como o Ministério Público.

Em casos de emergência, é possível telefonar para 190 e acionar a polícia.