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5 dicas essenciais para evitar a morte precoce de seu negócio

Aline Chermoula, fundadora do Chermoula Cultura e Culinária: "O boca a boca ajudou muito" - Fernando Moraes/UOL
Aline Chermoula, fundadora do Chermoula Cultura e Culinária: "O boca a boca ajudou muito" Imagem: Fernando Moraes/UOL

Caroline Marino

Colaboração para Universa

07/12/2020 04h00

Aos 36 anos, a chef de cozinha baiana Aline Chermoula costuma dizer que sua empresa nasceu com seus filhos - e com eles cresce. Seu negócio, batizado de Chermoula Cultura Culinária, foi criado em 2006 justamente pelo desejo da empresária de ficar perto deles.

O serviço de comida de Aline resgata a culinária da África com pitadas de "tempero local", no conceito que ela chama de "diáspora africana pelas Américas". Acostumada com a rotina de grandes restaurantes, para inovar em seu negócio a empreendedora está sempre atenta às demandas do mercado e de seus clientes.

A Chermoula começou com o serviço de buffet para eventos e se expandiu. Hoje conta com uma linha própria de produtos (pedido, inclusive, de clientes), como azeites aromatizados e geleias - e, como reflexo da pandemia, sistema de delivery. "No começo da crise uma amiga me perguntou o que eu faria. Respondi que ia achar a solução, pois não permitiria que meu negócio não desse certo", lembra.

O perfil empreendedor de Aline é uma das razões do sucesso da empresa, que cresce ano a ano. Em 2019, conseguiu aumentar em 350% o faturamento.

Como morrem as empresas

Uma pesquisa feita pelo Sebrae para identificar o que separa as empresas bem-sucedidas das que morrem nos primeiros anos mostra três pilares que são negligenciados pelas que não conseguem se manter no mercado.

O primeiro é o planejamento prévio, que inclui aspectos como pesquisar o mercado, o público-alvo e os concorrentes, e saber qual o capital de giro necessário para abrir o negócio.

O segundo é a gestão empresarial, que deve abordar atividades como aperfeiçoamento de produtos e serviços, atualização sobre as tecnologias do setor, inovação em processos e procedimentos e investimento em capacitação.

Já o terceiro é o comportamento empreendedor. Esse pilar diz respeito à postura de quem está à frente do negócio, que deve ser de persistência, resiliência, foco e busca constante de informações - exatamente como o de Aline.

Aline Chermoula 1 - Fernando Moraes/UOL - Fernando Moraes/UOL
"O começo não foi fácil porque não tinha recursos e conseguir crédito é muito difícil. Comecei o negócio com R$ 600"
Imagem: Fernando Moraes/UOL
Chermoula - Fernando Moraes/UOL - Fernando Moraes/UOL
"Não tinha plano de negócios estruturado. Com um curso na Feira Preta, aprendi a importância de colocar as coisas no papel"
Imagem: Fernando Moraes/UOL

Dicas para evitar a morte precoce do seu negócio

1. Pesquise o mercado e conheça seu público

O desalinhamento entre a proposta de valor e o interesse do mercado pode colocar tudo a perder. Para uma ideia se firmar como um negócio, ela precisa resolver um problema, algo ligado aos anseios da maioria das pessoas, que seja percebido como falta, dificuldade ou desejo.

"Não dá para atirar no escuro. É necessário investigar e pesquisar o que seu público-alvo quer - preço, prazo, qualidade - e se, de fato, precisa de seu produto", diz Davi Jerônimo, consultor do Sebrae.

2. Não paralise na primeira dificuldade ou erro

A Dona Baunilha, rede de docerias que nasceu em Barretos, no interior de São Paulo, foi criada depois de um duro golpe. Roberta Trevisan, 37, fundadora do negócio, entrou no mundo dos doces fazendo cupcakes, pudins e bolos simples para vender na cafeteria de seu irmão.

"Foi aí que me apaixonei por isso e decidi deixar a educação física, minha área de atuação, para me profissionalizar e entrar no mercado de confeitaria", diz. Com vontade de ter um cantinho para chamar de seu, decidiu comprar um food truck para comercializar seus produtos - mas o veículo nunca chegou.

"O vendedor simplesmente sumiu com o meu dinheiro. Foi muito difícil, mas não desisti. Recorri a amigos e familiares e fiz um empréstimo no banco para abrir o negócio", diz. Roberta juntou todos esses recursos para construir a doceria. Hoje, conta com três unidades - uma delas aberta durante a pandemia - e comemora recorde de faturamento entre abril e julho deste ano.

3. Cuide da gestão financeira

Essa é a parte mais sensível. "É a falta de capital de giro que quebra um negócio", diz Davi. Segundo ele, é preciso pensar no dinheiro necessário para abri-lo e mantê-lo por, pelo menos, três meses - mas o ideal é pensar em seis meses.

Nesse sentido, é importante separar o que é da empresa do que é pessoal. "O empreendedor não pode achar que o faturamento é o seu lucro e, assim, tirar mais dinheiro do que deve da empresa. Antes de qualquer coisa, é preciso pagar os custos empresariais", afirma o consultor.

Um ponto crucial para a Dona Baunilha dar certo, segundo Roberta, foi o planejamento financeiro. "Um erro muito comum dos empreendedores é usar o dinheiro da empresa logo no início. É essencial entender que, nos dois primeiros anos, todo o capital que entrar é para pagar as contas e os investimentos, e o restante para reinvestir no negócio. Pró-labore só depois disso", diz.

4. Tenha visão de longo prazo

Não dá para pensar apenas no hoje e viver um dia de cada vez. É essencial ter um objetivo claro para os próximos três anos, tendo em mente qual será o faturamento e o que é preciso fazer para alcançá-lo.

Aí entra a importância do plano de negócios, que é crucial para a definição de ações para atingir metas. "É preciso ter objetivos claros, atingíveis e mensuráveis na linha do tempo", diz o professor Edson Machado Filho, coordenador do Centro de Empreendedorismo e Inovação (CEI), e do Hubs, espaço de inovação de startups, ambos do Ibmec.

5. Capacite-se ou contrate pessoas especializadas

"Só um grande produto ou serviço não faz um negócio ser perene", afirma Machado Filho. Segundo o professor, é preciso profundo conhecimento em três principais áreas: administração, tecnologia e vendas. Isso porque a gestão e a forma de operar da empresa são o que tornam o produto viável e o negócio escalável.

Assim, é importante conhecer seus gaps para se capacitar nas áreas que você não tem domínio, ou buscar pessoas no mercado para formar sua equipe. "Sempre contei com parcerias, a Feira Preta é uma delas. Lá faço cursos sempre que vejo necessidade de me aperfeiçoar", diz a chef Aline.

Aline 3 - Fernando Moraes/UOL - Fernando Moraes/UOL
"Nos eventos, as pessoas pediam muito para levar os produtos para casa. Assim, resolvi criar uma linha própria com geleias, azeites aromatizados e molhos"
Imagem: Fernando Moraes/UOL


Check-list

3 pontos de partida para quem quer criar um negócio de sucesso

  • Pesquise o mercado. No planejamento prévio do negócio é preciso saber se há espaço e demanda do mercado por seu produto ou serviço, quem são o público-alvo e os concorrentes e qual o capital de giro necessário
  • Pense na gestão do negócio. Você deve estar atento às mudanças no mercado e às novas tecnologias e processos, assim como à demanda de seu público-alvo
  • Mantenha o espírito empreendedor. Saiba que ter um negócio exige garra, persistência, resiliência - e que conhecimento nunca é demais

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