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Empréstimo ou capital próprio? De onde tirar dinheiro para abrir a empresa

Iris Leite, em frente a seu restaurante Quintal Paraense, em São Paulo - Mariana Pekin/UOL
Iris Leite, em frente a seu restaurante Quintal Paraense, em São Paulo Imagem: Mariana Pekin/UOL

Caroline Marino

Colaboração para Universa

03/12/2020 04h00

Ao ver as contas de casa apertarem, Iris Leite, paraense moradora de São Paulo, decidiu, ao lado de sua mãe e irmã, usar o talento da matriarca na cozinha - sempre elogiado pelos amigos - para abrir um negócio. Sem contar com recursos financeiros, elas conseguiram um empréstimo consignado para fazer os primeiros eventos no quintal de casa.

O empreendimento que nascia assim foi batizado, não à toa, de Quintal Paraense, hoje um charmoso serviço de comida de rua em São Paulo. "Fizemos um levantamento de quanto precisaríamos para gramar, podar as árvores, colocar mesas e comprar insumos, e divulgamos os jantares pelo Facebook", conta Iris, de 27 anos.

Com o sucesso, elas começaram a crescer e conseguiram pagar o aporte e reinvestir na empresa. Para deixar o quintal de casa e tomar as ruas de São Paulo, onde hoje funcionam em dois endereços com um food truck, mãe e filhas decidiram pegar mais um empréstimo. Dessa vez, foi uma amiga que financiou - e sem cobrar juros.

Segundo Iris, o começo não foi fácil e o trio precisou de coragem para recorrer aos empréstimos, já que não tinha certeza de que o negócio daria certo. "Por cerca de um ano, mantivemos nossos empregos formais por garantia e para arcar com o investimento e crescer", diz.

Por que ter um planejamento financeiro é importante

Não há outra forma de começar um negócio a não ser investindo nele um capital inicial, por menor que seja. É esse recurso que vai ajudar a estruturar um novo negócio.

Ele pode vir de um investimento próprio ou que da venda de algum bem, de um financiamento, de um empréstimo ou de investidores. Seja qual for o caso, o passo inicial é contar com um planejamento financeiro bem estruturado.

Ele deve contemplar todos os custos iniciais do empreendimento e ser suficiente para cobrir, pelo menos, os três primeiros meses de atividade, como explica Annalisa Blando, fundadora e CEO da ParMais Gestão Patrimonial.

"Nesse plano, é importante separar aqueles custos iniciais, como compra de equipamento e reforma, do fluxo de caixa, que é o dinheiro para manter a empresa todos os meses", diz.

Iris Leite 1 - Mariana Pekin/UOL - Mariana Pekin/UOL
Imagem: Mariana Pekin/UOL
Iris Leite do restaurante Quintal Paraense - Mariana Pekin/UOL - Mariana Pekin/UOL
Imagem: Mariana Pekin/UOL

Quando o capital próprio é a melhor solução

Com isso em mãos, é hora de escolher a melhor fonte para financiar sua empresa. "As primeiras decisões de investimento podem definir o sucesso do negócio. Por isso, é tão importante entender cada alternativa de capital e qual sua finalidade para o crescimento da empresa", diz Karina Almeida, especialista em acesso a capital da Endeavor.

Segundo ela, quando uma empresa está para nascer ou bem no início de sua jornada, é comum usar dinheiro próprio, capital de família e amigos (recurso conhecido como family & friends) e buscar incubadoras que ajudem na construção do produto.

Paula Lunardelli, 34, CEO e sócia-fundadora da Prevision, startup que desenvolve uma solução para gestão mais eficiente de obras, foi por esse caminho. Com uma ideia muito clara de negócio, ela vendeu o carro para financiar os primeiros custos da empresa.

Usou o capital para começar a desenvolver o software e, um ano depois, não hesitou em vender seu apartamento e passar uma temporada na casa de sua avó. "O início de uma jornada de startup é muito imprevisível e não queríamos contar com empréstimos, pois não sabíamos quando iríamos ter resultado", diz.

Ela e os dois sócios também decidiram não buscar investidores-anjo, algo comum no universo das startups, pois a empresa estava muito no início, o que poderia prejudicar os investimentos futuros.

"Fiz movimentos bem arriscados, mas valeu a pena. Sou movida pelo desafio e faria tudo igual hoje", diz. Em 2019, a empresa chamou a atenção de um grupo de investidores-anjo e recebeu seu primeiro aporte. Atualmente, o negócio atende mais de 400 obras em todo estado de Santa Catarina.

Quando recorrer a uma instituição financeira

Buscar um empréstimo ou financiamento no banco não é uma decisão fácil, mas pode ser uma saída para quem não guardou dinheiro ou não tem a quem recorrer. Mas é importante considerar as condições do financiamento e como elas se encaixam no fluxo de caixa da empresa, para que seja possível pagar a dívida completa. "A empreendedora deve considerar os juros, a carência e as parcelas do financiamento", explica Karina.

Segundo a especialista, os juros dependem de diversos fatores: a finalidade do empréstimo, a linha de crédito que está sendo acessada e o perfil do negócio. Geralmente, são proporcionais ao faturamento da empresa e ao risco do negócio. Por exemplo: os juros costumam ser mais altos para empresas com faturamento menor ou para aquelas que possuem projetos de maior risco.

Annalisa aconselha pesquisar. Locais como o BNDES, bancos de fomento do Estado, cooperativas de crédito, fintechs e Caixa Econômica costumam ter juros mais baixos. Caso você consiga colocar um bem como garantia, pode conseguir juros ainda menores - e até carência. Isso mostra ao banco que a dívida pode ser paga, o que diminui o risco do empréstimo, e com isso, os juros.

Iris Leite  - Mariana Pekin/UOL - Mariana Pekin/UOL
Imagem: Mariana Pekin/UOL


Algumas opções de empréstimos e investimentos

  • Microcrédito: empréstimo de valor baixo para empreendedores que não têm fácil acesso ao crédito tradicional
  • Linhas de crédito: financiamento de médio prazo para apoiar operações de investimento de acordo com a necessidade da empresa, de micro a grande porte
  • Capital de giro: empréstimo de curto prazo para equilibrar o caixa do negócio
  • Venture debt: financiamento de risco para empresas inovadoras. Ideal para investimentos de médio e longo prazos
  • Debêntures: financiamento para expansão de empresas de médio e grande porte, em estágio de maturidade
  • Investidor-anjo: pessoa física ou jurídica que faz investimentos com seu próprio capital em empresas nascentes com um alto potencial de crescimento, como as startups


Check-list

4 pontos cruciais para decidir onde buscar recursos

  1. Conte com um planejamento financeiro. Ele permite que você defina objetivos, projete cenários e planos de ação para tomar decisões estratégicas e garantir o crescimento saudável do negócio. Com ele, é possível analisar e aplicar investimentos, revisar custos e planejar o futuro.
  2. Separe os custos iniciais dos do fluxo de caixa. Saiba quanto você vai gastar para iniciar o negócio (como o dinheiro para comprar equipamentos e fazer uma reforma, se houver um local físico) e os custos mensais (como aluguel, pagamento de funcionários e insumos).
  3. Pense a longo prazo. É importante pensar num montante que pague os custos da empresa por, pelo menos, três meses. Isso porque você não sabe quando vai começar a lucrar.
  4. Olhe as condições de financiamento. É preciso pensar em como o financiamento vai se encaixar no fluxo de caixa da empresa. Por isso, não deixe de olhar os juros, a carência e as parcelas.

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