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Idoso é preso por estupro da neta na véspera de aniversário de 9 anos

Idoso é preso por estupro da neta na véspera de aniversário de 9 anos - Arquivo Pessoal
Idoso é preso por estupro da neta na véspera de aniversário de 9 anos Imagem: Arquivo Pessoal

Tatiana Campbell

Colaboração para o UOL, no Rio

30/09/2020 12h40

Depois de uma luta judicial que durou sete anos, familiares de uma jovem hoje com 16 anos, estão mais aliviados com a prisão do avô dela, de, 62. O homem foi condenado por estuprar a própria neta na véspera do aniversário dela de 9 anos. O homem foi preso no sábado (26) em Capitólio, Minas Gerais, após fugir do Rio de Janeiro ao saber que havia um mandado de prisão contra ele.

A denúncia contra o idoso foi feita pela própria filha, mãe da vítima. Ela, que não quis se identificar, conversou com o UOL e explicou como tudo aconteceu. Segundo ela, o crime aconteceu em junho de 2013 na Tijuca, Zona Norte do Rio, após as duas irem fazer uma visita ao avô um dia antes da menina comemorar o aniversário.

A filha do homem disse que ouviu os gritos da filha durante a madrugada: "Nós fomos até a casa dele porque a minha filha queria brincar com a filha adotiva do meu pai e lá nós ficamos conversamos por um bom tempo. Chegou um momento em que eu já estava cansada e ele me deu um suco de uva, aquele de garrafa. Nós jantamos e quando terminei de jantar me deu uma sonolência muito grande, que eu acreditei que fosse o cansaço".

"Eu adormeci no sofá da sala e a Carolina contou que ele me acomodou no sofá da sala e levou ela pro quarto. No quarto, ela me disse que foi quando começaram os abusos. Eu acordei de madrugada com a minha filha me chamando, dizendo 'não, não, mamãe'. Eu tomei um susto e quando eu entrei no quarto eu vi que ele estava com o pênis para fora e com as mãos na minha filha. Eu comecei a gritar e perguntei o que ele estava fazendo. A mulher do meu pai ainda disse que eu estava sonhando, que não estava acontecendo nada. Eu consegui tirar a Carolina dos braços dele e limpei ela. Logo em seguida, levei minha filha para o hospital e para a delegacia para registrar a ocorrência", relatou ela..

No dia 19 deste mês, a família informou que idoso teria alugado um carro para fugir já que ele sabia que havia um mandado de prisão contra ele. Um vizinho do homem foi quem teria alertado sobre a tentativa de fuga. Ainda segundo a mãe da menina, no dia em que o idoso deveria prestar depoimento ele alegou estar com coronavírus.

Ela disse ainda que assim que tomou conhecimento da fuga do pai, acionou a Justiça para que acelerassem o processo para emitir o mandado de prisão. O homem foi localizado por policiais civis de Minas Gerais em uma falsa blitz montada para justamente tentar localizar o homem.

A mãe da menina relembra todo o caso e diz que mesmo sendo o pai dela, essas situações precisam ser divulgadas. "Isso tudo aconteceu com minha mãe internada no hospital por causa de um câncer, minha mãe faleceu sem saber o que aconteceu com a neta, eu fiz questão de esconder isso dela. Ele se aproveitou do meu momento de fragilidade. Minha filha passou o aniversário dela inteiro, no hospital, na delegacia, em IML (Instituto Médico Legal), foi extremamente traumático para ela. Uma frase que me chamou muito a atenção foi quando ela me questionou: 'mamãe, mas ele não é meu avô? Então, ele não tinha que me proteger dessas pessoas ruins? Por que ele fez isso comigo?'. Isso me marcou muito", desabafou.

Outros casos

Após o início do processo contra o homem, a família descobriu outras denúncias que foram feitas contra ele, que, segundo a filha, só foram realizadas após a condenação da menina. Uma delas foi feita pela própria filha adotiva, Loane Araujo. A Polícia Civil ainda está investigando este caso.

Ao UOL, Loane Araujo, 23, disse que foi adotada pelo casal ainda pequena. A estudante disse que antes de morar com ele também sofria abusos dos pais biológicos. Segundo ela, ele sabia dessas condições e se aproveitou disso. Loane falou que foi uma época muito difícil.

"Ele se aproveitou de uma criança já fragilizada para fazer isso, ele me dava, segundo ele, vitaminas, que ele dizia que era para crescer mais forte, mas era para eu dormir e eu só acordava no dia seguinte ou horas depois muito sonolenta. Depois que eu cresci, com 7 anos, ele chegou a abusar de mim até sem me dar essa vitamina. Foram anos muito difíceis, eu sai de casa no ano passado com o apoio do meu namorado atual. Em janeiro deste ano tive coragem de fazer a denúncia contra ele e registrei a ocorrência na delegacia. Hoje consigo entender que ele não me adotou para ser uma filha, mas sim por eu ser um alvo fácil para ele", afirma ela.

"Eu só tomei essa coragem após acontecer isso com ela [a neta abusada], eu via o tempo de demora na Justiça e achava difícil que algo pudesse acontecer contra ele. As pessoas precisam ver que a Justiça foi feita e as mulheres precisam denunciar", adiciona.

Advogado das vítimas

O advogado da filha do idoso e de Loane Araújo, Leonardo R. Nolasco, disse ao UOL que o homem pode responder por outros inquéritos.

"Na realidade, ele acreditou que não seria preso, tampouco mudou seu comportamento. Infelizmente temos certeza de que houve um estupro de vulnerável no começo desse ano, salvo engano, uma criança de 7 anos, isso ainda está em fase de investigação. Existe um inquérito policial na 20ª DP (Vila Isabel) com pelo menos 3 vítimas. No inquérito policial da 20ª DP tudo está muito bem organizado. Eu acompanhei todos os depoimentos dessas vítimas. Acredito que ele pode responder por mais estupros de vulnerável", afirmou ele.

O delegado Gabriel Ferrando, da 19ª DP, conversou com a reportagem do UOL. Ele disse que como o caso está sob sigilo, mais detalhes das investigações não podem ser repassadas, porém estão muito avançadas.

Defesa

Procurada pelo UOL a defesa do idoso negou que ele tenha praticado os abusos. O advogado José Antônio disse que não existem provas contra ele:

"Não tem o que dizer contra ele, só tem uma prova contra ele que é um laudo feito por um policial civil e a versão delas. Só que a história delas é toda ela combatida pelos laudos. Ela diz que ele deu remédio para dormir, fizeram exame laboratorial e deu negativo", alegou o advogado.

"Esse remédio que ela alegou é um remédio que te faz dormir por 8 horas e que depois que você acorda, você fica proibido de dirigir ou operar qualquer tipo de máquina. Aí ela diz que 2 horas depois que tomou o remédio foi de carro para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento). Quando foram no IML (Instituto Médico Legal), no dia seguinte, para colher um possível material genético do sêmen, não encontraram nada. Eu vou entrar com uma revisão dessa prisão demonstrando esses fatos", concluiu.

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