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Mães e filhos

11 maneiras de dar suporte para uma amiga que acabou de ter bebê

O puerpério costuma ser um período difícil e solitário para as mulheres - monkeybusinessimages/ iStock
O puerpério costuma ser um período difícil e solitário para as mulheres Imagem: monkeybusinessimages/ iStock

Mariana Gomes e Claudia Dias

Colaboração para Universa

01/07/2020 04h00

Só quem passa por uma gestação e dá à luz entende como o mundo pode virar de cabeça para baixo, de uma hora para outra. Tudo muda e, infelizmente, nem todas as pessoas ao redor estão dispostas a se adaptarem à rotina da nova mãe. Com isso, quem se faz presente presta uma grande ajuda às mulheres, mesmo que não se dê conta disso.

Nos momentos de solidão materna, um simples "Você está bem?" ou "Do que você está precisando?" ou, ainda, "Posso ficar por perto?" faz um bem danado a quem encara o puerpério. "Maternidade não é igual para todo mundo, nem nos amores, nem nas dores. Uma boa amiga sabe analisar a situação e perceber como e quando entrar naquele mundo simbiótico que mães e bebês criam", diz a psicóloga Nilce Cattassini, especialista em psicodiagnóstico e desenvolvimento cognitivo.

Conversamos com várias mulheres que viveram a experiência e apontam quais atitudes os amigos podem tomar para encher a recém-mãe de acolhimento e amor. Em tempos de distanciamento social algumas atitudes precisam ser adaptadas, mas o recado que fica é: sempre que possível, se faça presente, pessoal ou virtualmente, na vida das amigas puérperas.

Converse sobre temas aleatórios
Quando o bebê nasce antes do tempo, geralmente, fica uns dias na UTI. E, muito embora o procedimento seja padrão, não é um período fácil para as mães. As gêmeas Clara e Isabella, hoje com 4 anos, nasceram na 31ª semana e ficaram 2 meses nessa quarentena. Por esse motivo, a arquiteta Talitha Nascimento teve aquele puerpério louco. O que a resgatou foi a companhia de uma amiga que estava sempre por perto para falar de coisas nada a ver com maternidade. "A gente conversava sobre amenidades, nada de bebês! E foi superbom. As pessoas ficavam perguntando pelas minhas filhas e eu não tinha o que falar. Minha amiga trazia coisas novas. A gente sentava na padaria em frente ao hospital, tomava um café, dava risada... Eu ainda ganhava uma carona pra casa. Foi muito importante", exemplifica.

Não seja invasiva
É legal estar presente e colaborar, sim, mas sem ser inconveniente. Essa, aliás, é a regra básica para qualquer relação. É possível ensinar e dar dicas, sem ser invasiva e impositiva. Cláudia Winterstein, 37, sabe bem disso. Quando teve a Hanna, hoje com 10, contou com pessoas fundamentais para seu bem-estar. "Tive o apoio master de uma amiga que já era mãe. Ela me mandou a consultora de amamentação ainda quando eu estava no hospital, trocava mensagens comigo na madrugada, ia em casa para me ensinar a usar sling, amamentar deitada, enrolar o bebê no charutinho... Tudo com muito respeito, sem comparativos com a maternagem dela. Enfim, o apoio como amiga e mãe foi muito, muito importante", diz a editora de livros didáticos.

Compartilhe os itens dos seus filhos maiores
Gastos maternos: médicos, fraldas, roupinhas, brinquedos... É tanta coisa nova, tanto dinheiro que vai embora! Mas isso tudo pode ser amenizado quando as amigas se comprometem a repassar ou compartilhar o que era dos filhos. Priscylla Rebello, 37, mãe da Dahlia, 3, contou com a generosidade de Juliana. "Ela me ajuda com dicas, com roupinhas, com a escolha da escola... Além de compartilharmos bastante brinquedos. Isso já dá uma baita aliviada nos gastos", declara ela.

Apresente a quem já passou pelo mesmo
Quando a Laís, filha caçula da Fernanda, tinha cerca de 10 meses, seu marido faleceu. Ela ficou sem chão, sem rumo. Então, as amigas se mobilizaram para apresentá-la a várias pessoas que já tivessem passado e superado o mesmo. "Isso me mostrou que havia uma luz no fim do túnel: não é que é possível se reerguer?". No caso dela foi o luto. Mas existem outras situações do puerpério em que conhecer pessoas que enfrentaram o mesmo pode ajudar: dificuldade para amamentar, prematuridade etc. Ter empatia e entender que tudo passa são sempre o melhor remédio.

Perceba o que não é dito
Algumas mulheres têm um puerpério muito complexo. Foi o caso da Cintia Filomeno, 41, quando teve o Vicente, hoje com 10 anos. Ela fala muito abertamente sobre a depressão pós-parto que a acometeu. Não conseguia amamentar e chorava o dia todo. Enfrentou muita dor na cicatriz e nos peitos. E, embora tenha tentado se esquivar de todas as maneiras dos familiares e amigos, algumas pessoas perceberam que Cintia não estava bem. Uma delas sentiu seu sofrimento e a procurou. "Pois foi a melhor coisa que me aconteceu. Conversamos e percebi que precisava de ajuda. Ela ia em casa umas três vezes por semana, me ajudava a tirar leite, me fazia companhia e, quando me dei conta, já estava bem e fazendo todas as minhas coisas sozinha, sem chorar e sem dor", relata, orgulhosa.

Continue sendo amiga, mas amiga "real"
"O que eu mais senti falta foi de alguém para conversar". Assim começa o desabafo de Loan Kfouri, 34, que teve o Mathias há apenas 5 meses. A avó da criança mora com ela e ajuda com o bebê e nas tarefas domésticas. Mesmo assim, a arquiteta conta que se sente muito sozinha. Isso porque o pai do Mathias é de outro país. Ficou com ela apenas o primeiro mês. Depois, voltou para trabalhar. "Todas as minhas relações ficaram no mundo virtual e não é a mesma coisa do olho no olho, sabe? Um dia, fui na emergência porque senti dor de garganta. Quando percebi, estava contando para o motorista do aplicativo que eu chorava junto com meu filho às vezes", diz, sorrindo. "O que me falta é amizade, mesmo... Ninguém me convida para nada ou vai me visitar. Minhas amigas que moram em outras cidades até me visitam, mas as poucas que moram perto não fazem isso", lamenta.

Acompanhe a mãe nos compromissos
Algumas mães são mais sortudas, com amigo por todos os lados oferecendo suporte. Na primeira gestação da assessora de família e cuidadores Carolina Mendonça, 33 anos - na época com apenas 20 -, foi assim. Afinal, era o auge da curtição com a turma. "Ajudavam de várias formas: indo comigo às compras e exames, fazendo a reforma todinha do quarto do meu filho... Ganhei muito colo!", conta ela, saudosa. Hoje, Carol já tem 3 filhos: Juan, 12, e os gêmeos Marco e Pedro, 7. Na segunda gravidez, a coisa foi um pouco diferente, já que cada amigo tinha a vida estruturada para cuidar. Mesmo assim, um deles chegava a dormir em sua casa aos finais de semana para dar um help com as crianças. "Lembrando agora, meu coração até transbordou e meus olhos também", agradece ela.

Ofereça ajuda concreta
"Se precisar de alguma coisa, avisa!". "Vamos nos ver dia desses". Para Fernanda, essa é a pior coisa que alguém pode fazer. "Ficar mandando mensagem aleatória, com emoticon de mãozinha pra cima e um 'qualquer coisa me chama' é muito vazio. Você já sabe que com aquela pessoa não pode contar. Eu não vou pedir. Tem que vir com a ajuda efetiva: 'quer que eu fique com ele pra você dormir um pouquinho? O que você precisa que eu faça hoje? Eu tenho essa folga, o que você quer marcar nesse dia?'", exemplifica. Aliviar a própria consciência não alivia a rotina atribulada da maior parte das mães.

Dê carinho
A história da Mônica Zerbinato, 48 anos, e mãe da Gabi, de quase 11, é bem peculiar. Mas serve de exemplo sobre a força do amor. Tem gente que não tem condições de dar nada além disso. Mas "isso" já é tudo! "Minha mãe cuidou de todos os filhos e netos. Quando chegou a minha vez, ela faleceu. Fiquei sem chão. A Dahlia nasceu e eu não sabia o que fazer. Mas fui surpreendida com um gesto muito lindo de uma grande amiga, que mora em outra cidade e, na época, estava fazendo tratamento de câncer. Acredita que ela veio ficar comigo? Pediu permissão para o médico e trouxe até a cuidadora junto. Ela estava muito debilitada e não tinha força para, de fato, fazer coisas. Mas só o carinho e a companhia foram tão importantes! Me deixaram muito mais segura e acolhida", conta a instrutora de yoga.

Ajude nas tarefas domésticas
Chegou na casa da mãe e viu que está aquela bagunça? Pia cheia de louça, roupa pra tudo quanto é lado, banheiro sujo? Não se assuste, é absolutamente normal. Arregace as mangas e vá ao trabalho! Se possível, também faça uma comidinha. Clarissa Barbosa, 34 anos, mãe do Teodoro, de 1, teve essa sorte: contou com uma amiga guerreira demais, mãe de três filhos. "Ela não apenas contribuía nas tarefas, como me ajudou a sair de um relacionamento abusivo enquanto me ensinava a fazer shantala no bebê. Foi imprescindível naquele momento da minha vida", agradece a gerente administrativa.

Dê comida!
Nem todas as mulheres podem contar com uma gravidez planejada e desejada. Às vezes, tudo é uma surpresa, um susto. "Fiquei grávida por acidente, mesmo casada há 6 anos. Lembro de descobrir no meu aniversário e chorar muito!", relata Camile Rodrigues, 35, mãe do Joaquim, 2. Naquele mesmo dia, uma amiga estava presente e lhe deu apoio. Quando o bebê nasceu, a mesma amiga estava lá na maternidade, com uma pizza. "É um momento em que as energias de todos estão voltadas para esse serzinho. Nós, mães, acabamos por entrar em uma onda gigante e ficamos por um bom tempo submersas. Penso que o primeiro suporte que uma amiga pode dar a uma recém-parida é lembrá-la de que existe mundo lá fora. A pizza da Pri me lembrou isso!", relata a empresária.

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