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Maioria das mães reclama que pais sabem pouco sobre amamentação

Sabrina Sato e Zoe: amamentação é mais tranquila quando os pais participam - Jesse Giotti
Sabrina Sato e Zoe: amamentação é mais tranquila quando os pais participam Imagem: Jesse Giotti

Giovanna Balogh

Colaboração para Universa

01/08/2019 04h00

Quando o assunto é amamentação, os pais sabem pouco -- ou quase nada -- sobre as dificuldades que podem surgir e como eles podem auxiliar a nova mãe nesse quesito. É o que mostra uma pesquisa feita pelo aplicativo Gravidez+ com 3.500 usuários em todo o mundo.

Enquanto mundialmente 76% das mulheres acha que os parceiros precisam ter mais informação para ter uma participação mais ativa na amamentação, no Brasil esse número salta para quase 89%.

Nesta quinta-feira (1º) começa a SMAM (Semana Mundial do Aleitamento Materno) que neste ano tem como tema: "Empoderar mães e pais, favorecer a amamentação. Hoje e para o futuro!" justamente para envolver o parceiro nesse processo. A pesquisa, realizada pela Philips Avent, mostra ainda que a maioria das mães brasileiras diz que a participação do parceiro é em confortar o bebê (72,18%) e cuidar dele enquanto ela dorme (68,55%).

A pesquisa questionou também se o parceiro é muito ou pouco solícito na amamentação. De zero a dez, as brasileiras deram nota 7 enquanto no resto do mundo a nota dada aos parceiros foi 8.

Abou-Dakn, médico chefe de ginecologia do hospital St. Joseph, em Berlim, diz que se a mulher tem apoio do parceiro, tem mais probabilidade de amamentar por mais tempo. "Os pais devem ser os advogados das mães que querem amamentar", comenta o profissional responsável pela pesquisa em entrevista para Universa.

Informações só para mulheres

Especialista no tema relação pai-bebê, ele nota que os homens estão mais dispostos a participar da criação dos filhos, mas que muitos não sabem como auxiliar na amamentação. "Os pais também se queixam que na maternidade, por exemplo, os profissionais de saúde os tratam como sendo 'só o marido', ou seja, as informações são muito direcionadas à mulher e não envolvem a figura do pai", relata.

O médico diz que além de buscar informações sobre pega correta e as dificuldades que podem surgir, os pais podem auxiliar de diferentes outras formas. "O pai pode segurar o bebê logo após a mamada, trocá-lo, dar banho, oferecer comida e bebida para a mãe enquanto amamenta e até fazer pele a pele com o filho para acalmá-lo quando não necessariamente ele quer mamar", explica o médico. Ele diz que o ideal era fazer um plano de alimentação do bebê, assim como o casal faz o plano do parto. "É importante saber o que pode dar errado e como agir e quem acionar se surgir um problema", aconselha.

Mamar leite materno é uma economia também

A consultora de amamentação Eneida Souza diz que outro fator que atrapalha a participação do pai na amamentação é por não existirem campanhas de saúde, cursos e textos direcionados aos pais para que eles se informem e entendam o seu papel nesse processo. "O ideal era que as campanhas falassem também com o pai: quanto ele economiza se o bebê mamar leite materno? Explicasse como o bebê adoece menos se mamar leite materno. É preciso tirar o pai daquela figura sempre ao lado da mãe, passivo, para uma posição mais efetiva tirando a responsabilidade que hoje parece ser só da mulher", comenta a especialista.

As brasileiras amamentam por pouco tempo de forma exclusiva -- a última pesquisa do Ministério da Saúde disponível mostra que o aleitamento materno exclusivo é de apenas 54 dias em média. O médico atribui esse fato às altas taxas de cesárea no Brasil. "Com o alto índice de nascimentos por meio da cirurgia, as mães muitas vezes não ficam com o bebê logo que nascem e isso prejudica a amamentação", diz o médico.

Independentemente da via de parto, o bebê ao nascer deveria ir para o colo da mãe e mamar ainda na primeira hora de vida, o que facilita a descida do leite. A consultora de amamentação diz que o tempo de internação na maternidade também é curto e, quando esse casal volta para casa, não sabe a quem recorrer quando surge uma dificuldade. "Normalmente, os problemas com a amamentação vão surgir em casa, quando o casal já não está mais acompanhado de profissionais que podem auxiliar", diz Eneida, que aconselha buscar uma consultora de amamentação ou informações no banco de leite humano.

Outro fator que dificulta a amamentação por mais tempo, comenta o médico, é a curta licença-maternidade. As mulheres precisam voltar ao trabalho antes de ser iniciada a introdução alimentar do bebê -- que acontece somente após o sexto mês de vida. "Mundialmente vemos que a amamentação começa com um alto índice nos primeiros meses e que cai por volta dos 4 aos 6 meses de vida do bebê", afirma.