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Violência contra a mulher

Miss junina paraense é alvo de ataque racista na web: 'Fiquei mais forte'

Eduarda Moraes, 20, sofreu ataque racista na internet - Arquivo Pessoal
Eduarda Moraes, 20, sofreu ataque racista na internet Imagem: Arquivo Pessoal

Luciana Cavalcante

Colaboração para Universa, em Belém

09/06/2020 21h04

"Vai perder sua macaca suja! Ceará tem as melhores rainhas e não precisa se jogar no chão. Pará precisa aprender muito ainda". Enquanto o mundo protesta contra o racismo, a paraense Eduarda Moraes, 20, foi atacada nas redes sociais de um portal de notícias do Ceará em um vídeo da apresentação como parte das eliminatórias de um concurso nacional de miss junina.

Estudante de nutrição, a jovem participa de concursos juninos e de beleza desde os 3 anos de idade. "Sempre convivi com preconceito por ser negra. Não sofri somente preconceito racial, mas social e cultural. Fui criada por uma mãe solo, que sempre batalhou muito. Nós moramos na periferia e o preconceito sempre esteve presente na minha infância", conta a estudante, que mora em Belém.

A jovem acredita que o comentário se deva a uma rixa entre os dois estados, por conta das tradições juninas. "No Ceará, são rainhas juninas e elas não montam coreografias diferentes, apenas as tradicionais. Aqui, somos misses, e o destaque são justamente as coreografias", explica referindo-se ao trecho em que o agressor fala que "não precisa se jogar no chão".

Em resposta às ofensas, Eduarda publicou um texto em suas redes sociais que inicia com o emoji de coração partido.

"Conviver com o racismo é a maior arte de sobrevivência do meu povo, se curvar a ele é bandeira que nunca aceitaremos. Estou participando deste concurso de rainha junina virtual, diante de tantas meninas maravilhosas estou disputando uma vaga contra uma bela cearense, que jamais deve compactuar com isso. Saber que pessoas destilam ódio por trás de seus perfis me enoja. Jamais deixarei de fazer o que mais me energiza, sou feita de pele preta, sou feita de várias vertentes do meu povo. Jamais aceitarei esses crimes! Isso é inaceitável. Não me calarei e jamais deixarei de dançar para a tristeza dos racistas."

Em entrevista a Universa, Eduarda contou que o ataque só lhe deu mais forças para lutar contra o preconceito. "Fiquei mais forte, não só para o concurso, mas para a vida, afinal a nossa raça vem batalhando há muito tempo para conseguir o direito de igualdade e eu não podia esmorecer pelo simples comentário de uma pessoa amargurada."

Mesmo assim ficou muito triste, mas diz que contou com apoio dos paraenses — que a defenderam em vários comentários — e da coordenação do concurso. "Eu fiquei muito triste e chorei bastante. Mas foram muito acessíveis comigo e tomaram todas as providências". Segundo a miss, os organizadores do concurso fizeram o registro de ocorrência policial pelo crime de racismo e ela também pretende fazer o mesmo.

A miss conta que o ocorrido fez com que seu vídeo ganhasse mais visualizações, o que a levou a ser uma das seis finalistas do concurso. O resultado será divulgado à meia-noite. "Ele quis me atrapalhar, mas acabou ajudando!", ironiza.

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