PUBLICIDADE

Topo

Ícone de luta por aborto nos EUA, Jane Roe 'fingiu conversão por dinheiro'

Norma McCorvey, conhecida como "Jane Roe", dá última entrevista antes de sua morte, em 2017 - Reprodução
Norma McCorvey, conhecida como "Jane Roe", dá última entrevista antes de sua morte, em 2017 Imagem: Reprodução

Do UOL, em São Paulo

19/05/2020 13h45

Resumo da notícia

  • Em doc que vai ao ar nos EUA esta semana, ativista faz 'última confissão'
  • 'Jane Roe' diz que aceitou dinheiro para repetir falas ensaiadas contra aborto
  • Reverendo aparece no filme e confirma história: 'Sabia o que estávamos fazendo'
  • Norma McCorvey, nome real da ativista, morreu em 2017

Norma McCorvey ficou mais conhecida como "Jane Roe" quando foi assim nomeada (inicialmente, para proteger sua verdadeira identidade) no caso criminal "Roe vs. Wade", que em 1973 estabeleceu o direito a aborto legal nos EUA. Em um novo documentário, a ativista revelou um detalhe chocante de sua vida.

"AKA Jane Roe" será exibido pela emissora norte-americana FX no próximo dia 22 de maio — e, segundo o site The Daily Beast, o filme traz Norma/Jane dizendo que, nos anos 1990, foi paga por movimentos conservadores religiosos para fingir uma "conversão" e discursar contra o aborto.

"Roteiros prontos"

O documentário de Nick Sweeney é emoldurado como uma "última confissão" de Norma/Jane antes da morte. Ela aparece no hospital, respirando com a ajuda de um tanque de oxigênio, falando diretamente à câmera. A ativista tinha problemas cardíacos e morreu em 2017, aos 69 anos.

Em um momento do filme, Nick pergunta à entrevistada: "Os evangélicos a usaram como um troféu?". "É claro", responde ela. "Eu era o maior troféu possível. Mas eu acho que era algo mútuo. Eles me deram dinheiro, e me colocaram em frente às câmeras, me dizendo o que fazer".

"Eram roteiros prontos, e eu sou uma boa atriz", admite ainda. "Mas não estou atuando agora".

Reações

No filme, o diretor ainda mostra o vídeo da confissão de Norma/Jane para amigos de ambos os lados da discussão. Charlotte Taft, ativista pró-aborto, cai no choro: "Isso realmente dói, porque o que ela fez [com a falsa conversão] afetou muita gente".

O reverendo Schenck, um dos líderes evangélicos entrevistados, reage com resignação. "Eu nunca a vi falando sobre isso, mas sabia o que estávamos fazendo na época. Eu me perguntava se ela estava nos enganando, mas eu sabia que nós estávamos enganando ela", definiu.

O reverendo ainda confirma que viu Norma/Jane sendo "treinada" sobre o que dizer em frente às câmeras, e que "há evidências de que ela foi paga, de um jeito ou de outro". Outro líder evangélico visto no filme, o reverendo Benham, nega que transações financeiras tenham acontecido.

A produção do documentário, por sua vez, encontrou documentos revelando pouco mais de US$ 400 mil em "presentes benevolentes" de líderes do movimento anti-aborto para Norma/Jane.

Violência contra a mulher