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Com #GabinetedaPepa, ataques à Joice têm gordofobia e violência de gênero

Joice Hasselmann  - WAGNER PIRES/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Joice Hasselmann Imagem: WAGNER PIRES/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

De Universa

28/04/2020 16h58Atualizada em 28/04/2020 18h03

Mais uma vez, a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) foi associada à imagem do desenho animado Peppa Pig nas redes sociais, pelo também deputado Eduardo Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, e seus apoiadores. O comentário se relaciona à aparência de Joice e pode ser caracterizado como gordofóbico e de violência política de gênero — quando uma mulher que tem carreira pública é ofendida, agredida e perseguida especificamente por ser do sexo feminino.

No Twitter, Eduardo Bolsonaro usou a hashtag #GabinetedaPepa para escrever uma mensagem sobre um áudio divulgado em que Joice supostamente sugere a criação de perfis falsos (os bots) nas redes sociais. Em resposta à declaração do deputado, apoiadores compartilharam GIFs e memes de imagens de porcas. Os comentários estiveram entre os assuntos mais comentados no Twitter na tarde de hoje.

Violência política de gênero e gordofobia

"As ofensas no embate político são comuns, mas, enquanto o homem é chamado de ladrão ou de burro, a mulher é atacada por questões pessoais, normalmente relacionadas à aparência e a um suposto descontrole emocional. Então é sempre a gorda, a feia ou a louca, a histérica."

Quem explica a diferença — que traduz o que é violência política de gênero — é a advogada Maíra Recchia, secretária-geral da Comissão de Direito Eleitoral da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) São Paulo e integrante da Rede Feminista de Juristas.

Não é a primeira vez que Eduardo Bolsonaro, com quem Joice troca farpas constantemente, usa as redes sociais para atacar a deputada usando a referência de Peppa Pig. Em outubro do ano passado, ele subiu a hashtag #DeixeDeSeguirAPeppa, também seguida e compartilhada por seus seguidores.

Em entrevista para Universa, na ocasião, Maíra explicou que a violência política de gênero se dá, entre outras situações, quando os adjetivos ou críticas estão associados à aparência da mulher. "Ele poderia ter dito diversas coisas sobre ela, mas escolheu a aparência. Também usam 'louca' e 'desequilibrada'. São sempre xingamentos relacionados ao feminino".

Além das insinuações à porquinha do desenho infantil, os tuítes compartilhados pelos apoiadores de Eduardo Bolsonaro também foram gordofóbicos, por ironizar a forma física de Joice.

Há, na Câmara dos Deputados, um projeto de lei para estabelecer a violência política contra mulheres como crime eleitoral. Ele prevê pena de três a oito anos de reclusão para quem cometer violência política de gênero.

A proposta de 2018, de autoria da deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ), foi anexada a um projeto de 2015 que também tipifica a violência política de gênero e atos de discriminação político-eleitoral contra a mulher eleita ou candidata a cargo político. A matéria está com a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Com informações da matéria Como aconteceu com Joice Hasselmann: o que é violência política de gênero?.

Política