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Como os países estão combatendo a violência contra a mulher na pandemia?

Violência contra a mulher - iStock
Violência contra a mulher Imagem: iStock

Elisa Soupin

Colaboração para Universa

28/04/2020 04h00

Enquanto o mundo enfrenta a pandemia do novo coronavírus, outra epidemia se espalha: a violência doméstica disparou em diversas partes do planeta, já que muitas vítimas estão presas em casa com seus agressores.

Os motivos para esse crescimento são muitos: instabilidade e estresse altos, incerteza profissional e financeira, aumento do consumo de álcool, convivência extrema e, sobretudo, o caráter violento do agressor, que acabam vitimando as mulheres. Para mitigar os impactos da violência durante a pandemia, países vêm tomando diferentes medidas para conter o avanço dos casos.

Enquanto convivem o dia inteiro com os seus agressores, as vítimas de abuso têm agora um outro desafio: conseguir pedir ajuda sem falar em voz alta, para que não sejam ouvidas e não arrisquem suas vidas. Confira medidas tomadas por alguns países:

Brasil: app para denúncia

Aqui, no que cabe ao governo federal, além da linha 180 destinada especificamente às denúncias de violência doméstica, a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, anunciou no início do mês a criação de um aplicativo, chamado Direitos Humanos Brasil.

A plataforma digital recebe denúncias, solicitações e pedidos de informação sobre temas relacionados a direitos humanos e família. Nela é possível, por exemplo, anexar fotos de machucados decorrentes de possíveis agressões, explicar o tipo de violência que a mulher está sofrendo e avisar se deseja ou não ficar anônima.

Itália: vítimas em quartos de hotéis

Segundo informações de um artigo do Fórum Brasileiro de Segurança e do Decode Pulse, agência de análise de dados de comportamento, na Itália, um dos países mais gravemente atingidos pelo coronavírus, o governo determinou que vítimas de violência domiciliar fossem levadas para quartos de hotéis para que possam cumprir o isolamento de forma correta.

Além disso, aplicativos que geralmente são usados para que adolescentes denunciem bullying e a venda de droga ao redor de escolas também passaram a ter a funcionalidade de denunciar casos de violência doméstica. A Itália viu seu número de denúncias de violência doméstica despencarem no Telefono Rosa, meio de denúncia mais comum, mas as mulheres estão buscando cada vez mais ajuda por meios escritos, como e-mails e mensagens de texto.

França: postos de ajuda em supermercados e farmácias

Ainda de acordo com o documento do Fórum Brasileiro de Segurança e de Docede, assim como na Itália, na França as autoridades afirmaram que irão transformar quartos de hotéis em abrigos para vítimas de violência.

O país, que teve um aumento de 36% em denúncias de crime do tipo durante a pandemia, colocou alguns postos de ajuda às vítimas de violência doméstica em supermercados e farmácias, para que elas tenham a chance de denunciar durante as saídas permitidas no isolamento.

Espanha: conscientização de agressores

Na Espanha, a medida de transformar quartos em hotéis em abrigos também está valendo. No país, criou-se também um WhatsApp exclusivo para mulheres que estejam em situação de violência. Por lá, há um código para quando as mulheres ligam para as farmácias. Elas devem pedir uma "máscara 19" para alertar sobre a necessidade de ajuda.

Ainda na Espanha, em Valência, uma medida busca conscientizar os homens sobre comportamentos agressivos e violentos em relação às suas parceiras se intensificou durante a pandemia de Covid-19. São disponibilizados um número de telefone e o e-mail repara.psima@valencia.es, que serve como um canal de escuta e conscientização para evitar que esses homens agridam suas parceiras. No serviço, há a escuta da situação que está sendo vivida, acompanhamento e a oferta de alternativas que fujam da violência.

África do Sul: nada de álcool na quarentena

De acordo com informações do jornal "Sunday Times", a decisão de proibir a venda de bebidas alcoólicas durante a quarentena vem sendo eficaz no combate à violência contra a mulher e diminuiu outros crimes além do estupro, como sequestros, assassinatos e roubos. Há quem acredite, no entanto, que a menor notificação de abusos domésticos tenha relação com a vítima estar em permanência constante com o possível agressor e, assim, tenha diminuído suas chances de denunciar.

Argentina e Chile: senhas para pedidos de ajuda

Na Argentina, além de uma hotline 144 pela qual a mulher pode avisar se estiver em perigo, foi lançada uma campanha em que, ao ligar para a farmácia, a mulher deve pedir uma máscara vermelha, código que significa que ela está em perigo e a farmácia deverá repassar a chamada para o 144. No país, na segunda quinzena de março, quando começou o isolamento, houve um aumento de 39% em relação à primeira semana de denúncias para o serviço 144.

No Chile, as mulheres também podem denunciar em farmácias atos de violência doméstica durante a quarentena usando utilizando uma palavra-chave. A senha é como a da Espanha: "mascarilla 19", ou máscara 19. Funcionários de mais de 3 mil farmácias em todo o país foram instruídos para avisar autoridades quando uma mulher fizer esse pedido.

Reino Unido: site não deixa rastros

Em todos os países do Reino Unido é possível pedir ajuda pelo site www.nationaldahelpline.org.uk. Ele tem uma ferramenta que permite que o site seja fechado rapidamente, sem deixar rastros. Lá estão descritos tipos diferentes de abuso que vão direcionar para que a mulher faça a denúncia pela via certa.

Violência contra a mulher