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Por que países com líderes mulheres têm mais sucesso no combate à Covid-19?

 Jacinda Ardern, primeira-ministra da Nova Zelândia: sem menosprezar gravidade da pandemia, país tem um dos menores índices de letalidade - Matthew Abbott/The New York Times
Jacinda Ardern, primeira-ministra da Nova Zelândia: sem menosprezar gravidade da pandemia, país tem um dos menores índices de letalidade Imagem: Matthew Abbott/The New York Times

Camila Brandalise

De Universa

15/04/2020 13h49

Será coincidência? Entre os países que mais têm tido êxito no combate à disseminação do novo coronavírus, em pelo menos seis deles há líderes mulheres. E há uma estratégia comum: nenhuma delas negou a seriedade da doença nem o poder de propagação do vírus no começo da epidemia.

Isso fez com que medidas de isolamento social fossem tomadas rapidamente e de maneira preventiva — o que hoje se vê como fator de diminuição de contágio e, consequentemente, de mortes.

Mas o que, exatamente, essas mulheres fizeram de tão exitoso? Veja, abaixo, medidas adotadas por essas líderes, que colocaram suas nações entre os destaques no combate à Covid-19.

Islândia: sem isolamento coletivo, mas com testagem em massa

Katrín Jakobsdóttir - Reprodução Instagram - Reprodução Instagram
Imagem: Reprodução Instagram

Com um índice de letalidade baixo, 0,47%, a Islândia figura entre os países com menor número de mortos: até agora, foram apenas oito, entre 1.727 contaminados. Ok, trata-se de um país pequeno: a população é de cerca de 364 mil pessoas, menor do que Florianópolis, com 478 mil. Mas isso não tira o mérito da primeira-ministra islandesa, Katrín Jakobsdóttir, que adotou medidas exemplares na contenção da doença.

Sem imposição de isolamento social, o país fez testes em massa nos islandeses, incluindo entre pessoas que não apresentavam qualquer sintoma. Cerca de 10% da população foi testada. No Brasil, equivaleria a quase 21 milhões de pessoas.

Em metade dos casos positivos, os pacientes não apresentavam qualquer sintoma, o que prova que são eles os maiores responsáveis pela disseminação da doença. Por isso, essas pessoas ficam em isolamento. E quem teve contato com o portador do vírus entra em quarentena. O restante da população segue sua vida normalmente.

Nova Zelândia: plano é eliminar a curva do contágio

Assim como a Islândia, a Nova Zelândia também tem uma taxa de letalidade baixa: 0,83%. As medidas rígidas de isolamento coletivo foram implementadas pela primeira-ministra, Jacinda Ardern, antes mesmo da primeira morte, em 23 de março. Nesse dia, Jacinda fez uma live pelo Facebook para avisar a população sobre seu plano de contenção da doença no país.

Antes disso, em 19 de março, já havia fechado totalmente as fronteiras — antes até do fechamento da fronteira entre Estados Unidos, o maior foco atual da doença, e México, no dia 20. Na época, eram apenas seis casos confirmados.

A estratégia de Jacinda é eliminar a curva, em vez de achatá-la, como é o objetivo da maioria dos países, entre eles o Brasil.

Desde a primeira conversa com a população, a primeira-ministra salientou a gravidade da pandemia, não menosprezou as orientações da OMS (Organização Mundial da Saúde) para que as pessoas ficassem em suas casas e pediu ao país que se unisse contra a crise, pois sairiam dela juntos. Surtiu efeito.

Desde o dia 2 de abril, o país tem registrado uma queda no número de novos casos diários. Foi de 48 confirmados para 8, registrados na terça-feira (14). E há apenas 9 mortes.

Taiwan: monitoramento de campanhas desde primeiros casos na China

Tsai Ing-wen -  -

Com cerca de 24 milhões de habitantes e a 2 mil quilômetros de distância da China, Taiwan conseguiu conter a propagação do vírus a ponto de ter um dos melhores cenários na Ásia: até terça-feira (14), eram 393 casos e apenas seis mortes.

A título de comparação, o estado de São Paulo tem quase o dobro de habitantes e mais de dez vezes o número de óbitos.

A agilidade do governo, liderado pela presidente Tsai Ing-wen, foi crucial para a contenção da crise. Quando a China notificou a OMS (Organização Mundial da Saúde) sobre os casos do novo coronavírus, no dia 31 de dezembro passado, Taiwan começou a monitorar viajantes que partissem de Wuhan, cidade que foi o epicentro da pandemia. Ainda não havia nenhum caso confirmado no país.

Quem viesse de fora também informava, por meio de um código de barras apresentado na âlfandega do país, seu histórico médico. Além disso, o governo criou campanhas de conscientização para que pessoas que tivessem sintomas de resfriado e gripe ficassem em casa.

Também pediu aos pais que medissem a temperatura dos filhos constantemente e monitorassem sintomas como febre e dificuldade para respirar. Havendo alguma alteração na saúde dos jovens, a orientação era impedir que fossem à escola.

As medidas precoces trouxeram bons resultados. Com cada um fazendo sua parte, não foi preciso apelar para a quarentena coletiva. Mas também teve uma estratégia controversa: aqueles que eram obrigados a ficarem isolados, ou por testarem positivo ou por terem tido contato com uma pessoa doente, passaram a ser monitorados por aplicativo de celular e, a qualquer sinal de infração, eram multados.

Finlândia: parceria com influencers e quarentena até 31 de maio

Sanna Marin - Reuters - Reuters
Imagem: Reuters

O país reportou a primeira morte em 21 de março. Até terça-feira (14), eram 59. A primeira-ministra finlandesa, Sanna Marin, decidiu pela quarentena coletiva até o dia 31 de maio.

A medida é drástica, mas ganhou aderência da população e mostra bons resultados. "A única maneira de diminuir a velocidade da disseminação da epidemia é limitar o contato entre as pessoas", afirmou Sanna em entrevista coletiva.

A premiê de 34 anos é a mais jovem do mundo a ocupar esse cargo. Conectada e moderna, criou uma parceria com influencers do país que postam informações e falam em suas redes sociais sobre a Covid-19 e medidas de higiene e prevenção — tanto individual quanto coletivamente, divulgando as ações e planos do governo.

Noruega: prisão para quem fura quarentena e apoio bilionário a empresas

Erna Solberg - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

O cargo de primeira-ministra do país é ocupado por Erna Solberg, que estabeleceu a quarentena desde o dia 13 de março.

Quem violar as regras de não ter contato íntimo e ficar a pelo menos dois metros de outra pessoa e por no máximo 15 minutos pode ser multado ou ainda ser punido com 15 dias de prisão. O país conseguiu diminuir a taxa de reprodução, referente ao número de pessoas que um portador do vírus consegue infectar: foi de 2,5 para 0,7 após as medidas de isolamento.

A premiê também se preocupou com a questão econômica. Serão quase 10 bilhões de euros (cerca de R$ 57 bilhões) para ajudar as empresas do país. O governo também assumirá despesas trabalhistas e adiou a retenção de imposto de trabalhadores autônomos e a cobrança de tributos sobre folhas de pagamento.

Alemanha: mais curados do que doentes e mortos

Angela Merkel - POOL New - POOL New
Imagem: POOL New

Apesar de ter aumentado a taxa de letalidade desde o início da pandemia até hoje (de 0,5% para 2,5%), a Alemanha, sob o comando de Angela Merkel, segue sendo um exemplo de combate à Covid-19.

É um dos países mais afetados pela doença em número de contaminações, junto com Estados Unidos, Itália, Espanha e França. Entre eles, é o que apresenta a menor taxa de letalidade.

Apesar de iniciar a quarentena mais tarde do que os outros países desta lista — aconteceu 13 dias depois da primeira morte —, o "lock down" surtiu o efeito positivo. Na terça-feira (14), o país registrou um número maior de curados do que de doentes e mortos.

Ajuda ter um bom e consistente sistema de saúde, com grande número de leitos e UTIs, e um programa de testagem em massa. No final de março, eram 500 mil testes por semana. Mas também conta o exemplo que a chefe de Estado tem dado.

Ela fez um comovente discurso televisivo, coisa rara em seus 16 anos de governo, pedindo que as pessoas ficassem em suas casas e alertando para a gravidade da epidemia.

Nesse período, a própria Angela decidiu entrar em quarentena depois de ter contato com um médico diagnosticado com Covid-19. Aos 65 anos, mesma idade do presidente brasileiro Jair Bolsonaro, ela está administrando o país por videoconferências.

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