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Aos 92 e cardíaca, ela teve alta hospitalar após covid-19: "Não tive medo"

Ao ter alta do hospital em Cornélio Procópio, dona Vitalina foi aplaudida pela equipe médica e de enfermagem - Arquivo Pessoal
Ao ter alta do hospital em Cornélio Procópio, dona Vitalina foi aplaudida pela equipe médica e de enfermagem Imagem: Arquivo Pessoal

Simone Machado

Colaboração para Universa

08/04/2020 04h00

"Eu estava no quarto e o médico chegou batendo palma. Perguntei por que ele estava tão feliz e ele disse que era por minha causa, que eu estava recebendo alta e podia voltar para a minha casa. Nossa, não aguentei de tanta felicidade."

O relato é da aposentada Vitalina Ferreira dos Santos, de 92 anos, que se recuperou da covid-19 e recebeu alta no domingo (5) do Hospital Unimed, em Cornélio Procópio, no Paraná. A idosa ficou internada 10 dias, sendo um deles na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), após ser diagnosticada com o novo coronavírus.

De acordo com a filha da aposentada, Vitalina dos Santos Barbosa, a mãe foi para São Paulo no dia 11 de março para visitar familiares e retornou uma semana depois. Três dias após chegar de viagem, a idosa começou a ter os primeiros sintomas da covid-19.

"Ela começou com uma gripe e tosse. Fomos ao pronto-socorro e o médico receitou um xarope e nos mandou para casa. Mas dois dias depois ela piorou e voltamos ao hospital e ela já ficou internada", conta a filha.

Cardíaca, hipertensa e com pneumonia

Dona Vitalina retrato - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

Vitalina relata que a mãe é cardíaca, tem pressão alta e, devido à doença, teve pneumonia. E mesmo sabendo da gravidade da covid-19 e sendo do grupo de risco, em nenhum momento ela apresentou a doença em seu estado mais grave.

"No primeiro dia de internação, ela ficou na UTI para receber cuidados intensivos, mas logo já melhorou e foi para o quarto. Mesmo sabendo da gravidade da doença, ela nunca se abalou. Minha mãe tem muita fé e isso a sustentou a todo tempo. Ela sempre acreditou que iria melhorar", lembra.

"Só podia olhar pela janela"

Dona Vitalina com equipe do hospital - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
A idosa com a equipe do hospital, após a alta
Imagem: Arquivo Pessoal

De acordo com a idosa, o período de internação, em que ela ficou totalmente isolada, foi o momento mais complicado do enfrentamento da doença.

"Ficávamos só eu e minha filha no quarto e não podíamos ter contato com ninguém. A porta ficava fechada o tempo todo e eu só podia olhar pela janela", lembra a idosa.

Com a alta hospitalar, mãe e filha ficarão em isolamento domiciliar por dez dias, mesmo sem apresentarem sintomas da doença. Como acompanhou a mãe durante a internação, Vitalina filha também fez exame para a covid-19 e aguarda o resultado.

Amor à distância

Dona Vitalina com a família - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Com a família, na saída do hospital: para matar a saudade durante a internação, muita chamada de vídeo
Imagem: Arquivo Pessoal

Dona Vitalina é mãe de 10 filhos, tem 21 netos, 19 bisnetos e cinco tataranetos. Para diminuir um pouco a saudade deles, a idosa usava o celular para fazer videoconferência com os familiares.

"Adoro conversar com eles, mesmo eu não entendendo muito de celular. A gente mata a saudade sempre que dá", conta a idosa.

Segundo a idosa, mesmo sabendo da gravidade do novo coronavírus, ela nunca se abalou por estar com a doença. Desde os primeiros sintomas, internação e até a alta hospitalar, ela acreditou na recuperação.

"A gente não precisa ter medo de nada porque Deus é quem cuida da gente. Eu sabia que ele estava comigo e nunca perdi a fé nem tive medo. Ele fez milagre e eu estou aqui e muito bem", diz a idosa.

Assim que passar o período de isolamento domiciliar, dona Vitalina conta que quer voltar para a sua casa na fazenda, local onde mora há mais de 60 anos.

"Primeira coisa que vou fazer quando chegar na minha casa é dobrar meu joelho no chão e agradecer a Deus por tudo o que ele fez. Depois eu quero cuidar das minhas plantas e dos meus animais", conta.

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