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Como em "Amor de Mãe", chegada de filho afeta libido e sexualidade feminina

Verena, de Amor de Mãe, afasta o marido - Reprodução / TV Globo
Verena, de Amor de Mãe, afasta o marido Imagem: Reprodução / TV Globo

Ana Bardella

De Universa

07/01/2020 17h37

Cenas da novela "Amor de Mãe" têm mostrado como o pós-parto interfere na sexualidade feminina. No capítulo exibido ontem (6), a personagem Verena (Maria) se desentendeu com o marido por não sentir vontade de transar semanas após o nascimento do filho. Como Álvaro (Irandhir Santos) teve uma postura insistente e pouco compreensiva, a conversa terminou em briga. Na visão dele, por serem casados, a mulher deveria atender aos seus desejos.

De acordo com o ginecologista e obstetra Alberto Guimarães, a situação é comum: a libido da maior parte das mulheres diminui depois da chegada de um filho. "Independentemente de a mulher ter passado por uma cesárea ou por um parto normal, os conflitos são os mesmos. A responsabilidade sobre a vida da criança faz com que elas mudem suas prioridades por um tempo. Além disso, a fisiologia do corpo demora até voltar ao normal", explica.

Veja quais fatores precisam ser levados em conta antes da retomada da vida sexual:

Período de resguardo

Do momento em que o bebê nasce até 40 dias depois do parto, a indicação médica é de que as mulheres evitem as relações sexuais. Conhecida como quarentena ou resguardo, a pausa é necessária para a recuperação feminina. "Depois do nascimento do bebê, o útero demora quase dois meses para voltar ao volume que tinha antes do nascimento da criança. Nesse meio tempo, pode haver sangramento e modificações da musculatura e da mucosa do canal vaginal", explica o médico. Tudo isso atrapalha o sexo. "Desrespeitar esse período propicia o sangramento e aumenta os riscos de infecção."

Mudança de mentalidade

De acordo com o profissional, para retomar a vida sexual não basta marcar um dia no calendário. Afinal, além das questões biológicas, existem as emocionais. "Os cuidados e o aleitamento geram diversas preocupações na mulher. Logo, suas prioridades mudam. Quando os parceiros pressionam para que elas retornem à vida sexual, o assunto que deveria ser prazeroso acaba se transformando em mais uma fonte de preocupação. Por isso, o ideal é que a intimidade seja retomada aos poucos e de maneira consentida —para que a mulher não se sinta invadida e nem violada".

Alberto relembra que, quando o homem participa ativamente como pai, passa pela mesma mudança de mentalidade. "Se o parceiro está inserido na rotina dos cuidados e exercendo as funções que chegam junto com a paternidade, também tende a enxergar o bebê como prioridade em seus primeiros meses de vida."

Diálogo e limites

Na cena exibida na novela, Verena reclama que "é difícil sensualizar com o peito vazando leite". De acordo com o médico, o desconforto com os seios é comum no período de amamentação, o que pode ser resolvido com o diálogo. "As preferências sexuais depois do parto podem ser diferentes e isso não precisa ser um problema. Por isso é importante conversar sobre o assunto: se antes a mulher gostava de receber carícias nos seios e agora não se sente mais à vontade com elas, pode sinalizar isso para o parceiro", indica. Ainda segundo o médico, o natural é que a vida sexual retome seu ritmo normal com o passar do tempo.

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