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"Me bloqueou de tudo e sumiu": como superar uma relação que acaba sem tchau

Afastamentos sem tchau potencializam a dor do término - iStock
Afastamentos sem tchau potencializam a dor do término Imagem: iStock

Ana Bardella

De Universa

20/11/2019 04h00

Se antes da internet era preciso inventar mentiras para escapar de uma conversa indesejada, hoje é possível cortar todo tipo de contato com alguém apertando apenas um botão. Com a mesma facilidade que uma relação começa, através de uma curtida no Instagram ou de uma deslizada para a direita no Tinder, ela pode terminar sem muitas explicações quando uma das partes resolve bloquear ou excluir a outra. Apesar da aparente praticidade, do ponto de vista psicológico, a falta de uma conversa olho no olho — mesmo que ela se transforme em uma discussão ou choradeira — é bastante prejudicial.

Foi o que houve com Laura Santana, de São Paulo, que hoje tem 20 anos e trabalha como dog walker. Ela conta que, no dia em que as alianças que havia comprado pela internet chegaram, a namorada terminou o relacionamento com uma mensagem curta. Não deu tempo de responder: quando percebeu, tinha sido bloqueada e excluída de todas as redes sociais. "Precisei fazer um ano de terapia", conta.

No Dia dos Namorados, Laura recebeu uma mensagem de término e foi bloqueada - Acervo pessoal
No Dia dos Namorados, Laura recebeu uma mensagem de término e foi bloqueada
Imagem: Acervo pessoal

A história começou com seis meses de "ficadas". "Já era quase um namoro, mas sem assumir. Todos diziam que éramos um casal incrível: nós juntamos nosso grupo de amigos, não brigávamos, não tínhamos crises de ciúmes. Decidi oficializar a relação e a pedi em namoro. Depois disso, passamos mais três meses juntas. Um dia ela disse: 'Você deveria comprar nossas alianças' e eu fiz isso. Queria surpreendê-la. Quando a encomenda chegou pelo correio, era Dia dos Namorados. Ela havia passado o dia anterior comigo e não brigamos. Na minha cabeça, estava tudo normal: nos gostávamos e o sentimento era recíproco", ela conta.

Quando chegou o dia 12, recebeu uma mensagem curta dizendo que sua namorada não queria mais o relacionamento. Tentou responder, mas era tarde: tinha sido bloqueada e excluída de todas as redes. "Fiquei muito angustiada. Não tive um tchau, uma notícia. Eu tentei falar com as nossas amigas em comum para entender o que havia acontecido, se tinha feito algo de errado, mas elas não me davam explicações. Fiquei perdida: ao mesmo tempo em que não queria ser invasiva, chata e nem me humilhar, queria muito uma resposta".

Ela então procurou um psicólogo e levou mais ou menos um ano na terapia até conseguir processar o que aconteceu. "Apesar de ter sido um período curto de tempo, foi intenso. Pela falta de um ponto final, sinto que esse foi o envolvimento pelo qual eu mais sofri".

Ponto final ou reticências?

De acordo com o psicólogo Alexandre Bez, se duas pessoas estão envolvidas romanticamente e uma delas some sem explicações ou com justificativas insuficientes, isso gera um sentimento forte de angústia e até de desespero. "A dor de um rompimento quando existe paixão é uma das mais fortes que o ser humano pode experimentar. Nos casos em que uma das partes não consegue entender os motivos do término, ela é amplificada", explica.

A atitude é a prova de que não havia tanto interesse assim. "Quando as portas são fechadas sem cuidado com o que o outro vai pensar ou sentir, isso é um indicativo que os sentimentos do ex-parceiro não eram tão fortes", defende. De acordo com o profissional, as explicações e despedidas são evitadas por preguiça emocional. "Com exceções dos casos em que existe uma justificativa, como a descoberta de uma traição, a escapada à surdina quase sempre acontece porque o outro não queria lidar com o sofrimento que poderia causar", conclui.

Em casos assim, a superação do término costuma ser mais lenta. "Como as razões não ficam claras, existe a possibilidade de fantasiar uma volta, ou seja, criar esperanças sobre algo que não vai acontecer", diz.

O que eu faço com a sua mala?

Recentemente no Twitter, um usuário resumiu a dúvida de muita gente: o que eu faço com a sua mala?

Na opinião do psicólogo, o primeiro passo é aceitar que a relação terminou. Ou seja: largar a mala onde ela está. "Depois, é preciso viver a vida: recuperar a autoestima, praticar exercícios físicos, fazer terapia, sair com os amigos e se envolver em atividades sociais", assegura. Apesar de não ser uma fórmula mágica, é o melhor caminho para se curar emocionalmente.

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