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Mães e filhos

Aos 61 anos, mulher dá à luz no Paraná após fertilização in vitro

Ana Maria Pontelo Moreira, 61 anos, deu à luz o menino Ian, na cidade de Londrina, no Paraná - Flávia Perini / DIGXIS
Ana Maria Pontelo Moreira, 61 anos, deu à luz o menino Ian, na cidade de Londrina, no Paraná Imagem: Flávia Perini / DIGXIS

Bruna Alves

Colaboração para Universa

01/11/2019 10h49

A técnica de enfermagem Ana Maria Pontelo Moreira realizou o sonho de ser mãe e, aos 61 anos, deu à luz o seu primeiro filho em Londrina, no Paraná. O bebê nasceu com 39 semanas de gestação, medindo 47,5 centímetros e pesando 3,4 quilogramas. A mãe e a criança passam bem.

Em entrevista a Universa, Moreira diz que tentou adotar uma criança, mas, durante o processo, percebeu que seria difícil adotar um bebê recém-nascido, que era o que ela desejava. Por isso, desistiu da adoção. Depois, decidiu que iria engravidar e ter o tão sonhado bebê. Sem um companheiro, optou por tratamento de fertilização in vitro.

A técnica de enfermagem recorreu a bancos de óvulos e sêmen de uma clínica particular em São Paulo para engravidar. Ela escolheu doadores com as suas características genéticas para a fertilização in vitro e, após algumas tentativas, conseguiu.

A mãe Ana Maria e o bebê Ian passam bem - Flávia Perini / DIGXIS
A mãe Ana Maria e o bebê Ian passam bem
Imagem: Flávia Perini / DIGXIS
"No final de 2014 arrumei um advogado e tentei entrar com um recurso, porque o Conselho Federal de Medicina não autorizava que mulher acima de 50 anos fizesse fertilização. No final de 2015, consegui, porque o Conselho autorizou, desde que a mulher esteja apta para receber o embrião", explica.

Após a vitória judicial, a técnica de enfermagem enfrentou outras dificuldades. Fez uma cirurgia na vesícula e passou por um longo tratamento para controlar os hormônios. "Também tive que fazer enxerto na boca e tomar antibióticos. O médico falou: 'precisamos esperar você melhorar'. Aconteceram muitas intercorrências, e daí foi atrasando", revela.

Em 2017, Moreira estava melhor de saúde e deu continuidade ao tratamento. Ela diz que o sonho precisa ser maior que o medo. "Tem que ter muita paciência. Eu gastei demais, e você tem que fazer empréstimos e depois ficar pagando."

Gestação correu normalmente

A técnica de enfermagem conta que a correria do dia a dia, entre trabalho e estudos, fez com que ela tivesse que adiar o sonho de ter um filho. Mas ela nunca desistiu.

Embora a gestação pudesse ser de risco, devido aos 61 anos da nova mamãe, o médico obstetra que realizou o pré-natal, João Cafaro Goes Filho, afirma que Ana foi uma paciente exemplar e tudo correu normalmente.

"Eu faço pré-natal há 25 anos. A princípio, quando ela me procurou, fiquei preocupado, achando que eu fosse ter um trabalho fora do comum, mas ela foi uma das pacientes que menos me procurou por telefone. Não teve nenhuma intercorrência. Ela poderia ter sido uma gestante ansiosa, com toda a razão de ser, devido à idade e a toda situação pela qual estava passando. Mas não foi. A gestação ocorreu de forma muito tranquila", comenta o médico.

Segundo o Goes Filho, o preparo emocional da paciente e a vontade que ela tinha de ser mãe contribuíram para uma gestação saudável. "Ela foi uma gestante exemplar. Seguiu todas as nossas orientações e emocionalmente estava muito equilibrada. Foi uma guerreira de todas as formas, porque enfrentou um tratamento de fertilização que não é fácil", avalia o médico.

Apesar das dificuldades, Moreira recomenda que as mulheres que têm o sonho de ser mãe persistam e continuem lutando. "Sempre vale a pena! Eu estou muito feliz e realizei o meu sonho", finaliza.

O bebê Ian nasceu em parto por cesariana, e a mãe está se recuperando muito bem da cirurgia. "Ela está amamentando e está cuidando perfeitamente do neném", conclui o médico.

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