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Mães e filhos


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Brasileira içada de navio durante trabalho de parto: "Foi aterrorizante"

Janete com o filho, Giuseppe - Reprodução
Janete com o filho, Giuseppe Imagem: Reprodução

Do UOL, em São Paulo

06/09/2019 13h07

Em abril, circulou pela internet o vídeo da brasileira Janete, de 43 anos, sendo içada de um navio perto da costa da Espanha em trabalho de parto. Agora a camareira deu sua primeira entrevista sobre a experiência, à revista "Crescer", e apresentou Giuseppe, de 4 meses.

"Ele é maravilhoso, a luz da minha vida", se derrete a mamãe coruja. Ela ainda contou que não sabia que estava grávida quando embarcou, como funcionária, no navio brasileiro que carregava turistas de vários lugares do mundo.

"Eu estava um pouco gordinha, mas pensei que estava na menopausa. Certo dia, pela manhã, saí para trabalhar, preparei os materiais, mas comecei a sentir dores fortes na barriga. Então, achei melhor procurar o ambulatório", contou ela.

Janete inicialmente recebeu medicamento para a dor, mas os sintomas persistiram. O médico, então, optou por fazer um ultrassom para investigar melhor.

"Vi na imagem alguma coisa que parecia um rosto, uma coluna, não sei. Estranhei. O médico chamou a equipe e eles começaram a falar, todos em inglês. Tinha umas cinco ou seis pessoas. Então, uma enfermeira me disse: 'Janete, você vai ser mamãe'. Foi aterrorizante. Me senti perdida. Não conseguia chorar, nem esboçar emoção. Fiquei assustada", lembrou.

Janete conta que nem cogitou a possibilidade de estar grávida, porque já havia sofrido dois abortos espontâneos, aos 37 e 41 anos. "Fui à médica e pedi que investigasse o motivo. Ouvi como resposta: 'Tem mulher que não nasce para ser mãe'", comentou.

Parto dramático

Quando descobriu a gravidez, portanto, Janete já estava com contrações, em pleno trabalho de parto. Quando ficou claro que os materiais de primeiros socorros do navio não seriam o bastante para ajudá-la, a solução foi chamar as guardas costeiras italiana e espanhola, que enviaram um helicóptero.

O piloto tentou pousar no navio, mas não conseguiu. Por isso, Janete acabou sendo içada por um cabo de aço, junto do médico do navio. "Eu estava em trabalho de parto desde o dia anterior. O bebê tinha subido. Eu nunca senti o bebê mexer, tinha medo dele ter morrido nesse período", lembrou.

"Abracei a barriga. O helicóptero estava pousado dentro de uma área segura no navio, mas, quando foi para a área de mar, vi aquele cabo e pensei 'Meu Deus, se eu caio'. A bolsa estourou naquele momento", continuou.

No hospital da cidade de Las Palmas, Janete passou por uma cesárea de emergência. Apesar de todas as circunstâncias incomuns, o bebê nasceu completamente saudável, às 22h08 do dia 8 de abril, pesando 3,7 quilos. Giuseppe foi batizado com o nome do capitão do navio.

Vida de mãe solteira

O pai do bebê é um imigrante haitiano que Janete conheceu em Joinville, Santa Catarina, onde mora. Os dois não tinham um relacionamento, e o rapaz já tem outros sete filhos, de forma que não consegue contribuir muito com a criação de Giuseppe.

"[Quando voltei para Joinville], ele já estava me procurando. Entrei no Facebook e tinha uma mensagem dele, dizendo que estava com saudade. Aí, mandei uma mensagem no WhatsApp e, na foto do aplicativo, tinha uma foto minha com o Giuseppe", contou.

"Ele falou: 'Nossa, que legal, você tem um bebê agora'. Respondi: 'Tenho e é seu'", disse ainda. "Ele dá R$ 100, quando muito, mas não dá para nada. Vou cobrar o quê dele?".

Desempregada, Janete tem vivido com a ajuda da família e de doações. "Pretendo tentar voltar a trabalhar quando ele tiver uns 6 meses", definiu.

A camareira também explicou que a repercussão da história fez com que ela recebesse alguns comentários maldosos, insinuando que ela sabia que estava grávida ao embarcar para trabalhar. "Me deprimi, chorei muito. Hoje ele é meu mundo, era o que me faltava", concluiu.

Errata: o texto foi atualizado
A cidade de Joinville fica no estado de Santa Catarina.