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Sex toys e cosméticos sensuais: quando a diversão vira perigo

Acessórios eróticos são aliados do prazer, mas o uso indevido pode ser prejudicial - Getty Images/iStockphoto
Acessórios eróticos são aliados do prazer, mas o uso indevido pode ser prejudicial Imagem: Getty Images/iStockphoto

Heloísa Noronha

Colaboração para Universa

29/06/2019 04h00

Acessórios e cosméticos eróticos são grandes aliados do prazer, estando sozinha ou acompanhada. Porém, o uso indevido de alguns produtos, assim como a higienização ou conservação erradas, pode causar problemas. Para que as suas brincadeiras sexuais não sejam prejudicadas, siga as orientações sobre como cuidar bem dos seus apetrechos:

Plugues anais: é importante que esse tipo de sex toy tenha sempre uma base plana e rígida de segurança, para evitar que o brinquedo seja "sugado" pelo ânus. Sim, a região tem uma pressão capaz de puxar objetos, por isso qualquer diversão ali merece cuidado redobrado. É por essa razão que os bullets, por exemplo, só devem servir para estímulo externo e nunca devem ser usados para penetração anal.

Hot Balls: recentemente, descobriu-se que muitas dessas cápsulas gelatinosas podem causar alergias e outros transtornos às mulheres que as introduzem na vagina: o conteúdo dessas bolinhas não é absorvido por mucosas e pode ficar, em muitos casos, grudado nas paredes do útero, provocando infecção e corrimento. A verdadeira finalidade desse tipo de produto é o uso como óleo corporal - portanto, para aplicação externa.

Estimulantes sexuais: produtos fitoterápicos, como o chamado "pó da bruxinha", não têm comprovação científica de que possam, de fato, melhorar o desempenho sexual em homens e mulheres. Embora contem com substâncias tidas como "energéticas" na formulação, o efeito placebo conta muito quando o assunto é sexo.

Acessórios sadomasoquistas: no caso de algemas, certifique-se de que não estão muito apertadas. Se o modelo tiver chave, deixe-a ao alcance. Vendas e mordaças não podem ser amarradas com muita força, sob o risco de machucar a pessoa. Para melhor curtirem os jogos BDSM (sigla para Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo), os envolvidos precisam combinar uma senha (que pode ser uma palavra ou um gesto) de segurança que indique desconforto ou sinalize que é hora de parar.

Lubrificantes: se você é alérgica e/ou tem a pele sensível, evite as versões com corantes, aromas e/ou funções como esquentar ou esfriar -- elas podem provocar irritações. O ideal é sempre usar lubrificantes à base de água, que promovem melhor deslize e não rompem o látex dos preservativos.

Adstringentes: desenvolvidos para causar a impressão ao parceiro de que a vagina está mais apertadinha (alguns prometem deixá-la novinha em folha, como a de uma virgem), esses géis oferecem inúmeros riscos se usados indiscriminadamente. Na verdade, eles ressecam a vagina, o que causa a impressão de aperto. Por isso, não são recomendados para mulheres com pouca lubrificação. Se a penetração for muito ríspida, há o perigo de machucar. Além disso, é um produto que traz mais benefícios ao homem do que à parceira.

Géis anestésicos ou dessensibilizantes para sexo anal: à base de lidocaína, xilocaína e ativos naturais, "amortecem" a região com a finalidade de diminuir possíveis incômodos ou dores com a penetração. Até podem evitar o desconforto, mas em contrapartida também diminuem bem a possibilidade de prazer. E podem mascar algum efeito negativo, como fissuras. Além disso, anestesiantes podem causar danos à camisinha.

Vibradores: a higienização errada do brinquedo pode provocar infecções. Eles precisam ser lavados antes e após o seu uso com água e sabonete líquido neutro. O vibrador só deve ser guardado quando estiver bem seco, para não estragar o material. Se ele passar um bom tempo na gaveta, higienize de novo antes de usar. E, caso alterne a penetração no ânus e na vagina, vale cobri-lo com um preservativo a cada utilização para evitar a contaminação cruzada de bactérias.

Aparelhos em geral: evite deixá-los conectados por muito tempo. Baterias externas ou pilhas devem ser removidas quando não estiverem sendo utilizados, a fim de evitar a oxidação. Parece óbvio, mas brinquedos eróticos que não são à prova d'água não devem ser alvo de experimentações em piscinas, chuveiros e banheiras. E atenção: nunca comece a usar nenhum sex toy antes de ler atentamente as instruções do fabricante antes.

Brinquedos de borracha: pênis, vaginas e nádegas de borracha não costumam custar caro. Porém, vale a pena gastar um pouco mais e comprar produtos à base de silicone, mais seguros. Por ser porosa, a borracha absorve secreções corporais e pode formar colônias de germes e bactérias.

Fontes: Arlete Girello Gavranic, terapeuta sexual e coordenadora do curso de pós-graduação em Educação e Terapia Sexual do Instituto Brasileiro Interdisciplinar de Sexologia e Medicina Psicossomática (Isexp); Caroline Alexandra Pereira, ginecologista e obstetra da Clínica Viváter, de São Paulo (SP); Caroline Melo Magnani, ginecologista da clínica Mais Excelência Médica, em São Paulo (SP); Cristina Carneiro, ginecologista e obstetra, de São Paulo (SP); Nelly Kim Kobayashi, ginecologista e sexóloga, de São Paulo (SP); Lucia Alves S. Lara, representante da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) e Raquel Cruz, cofundadora e química responsável da marca Feitiços Aromáticos.