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10 Perguntas


Presidente do PSL Mulher: Bolsonaro é um doce, e feminista não diz obrigada

A senadora Soraya Thronicke (PSL-MS) é a presidente do PSL Mulher - Reprodução/Facebook
A senadora Soraya Thronicke (PSL-MS) é a presidente do PSL Mulher Imagem: Reprodução/Facebook

Camila Brandalise

Da Universade

03/06/2019 04h00

Foi dos avós alemães que a senadora Soraya Thronicke (PSL-MS) herdou o sobrenome. Da família, também, vem uma outra atividade com a qual a senadora se envolveu antes de entrar para a política: uma rede de motéis na cidade de Campo Grande. Soraya foi quem decorou as suítes, inspirada no filme "50 Tons de Cinza". "Usei minha criatividade para deixá-los elegantes".

A congressista, que está em seu primeiro mandato, assumiu a presidência do PSL Mulher, partido do presidente Jair Bolsonaro, na terça-feira (28). Foi escolhida pelo presidente da chapa, Luciano Bivar, depois que correligionárias reivindicaram o nome dela em detrimento ao da deputada Joice Hasselmann, também postulante ao cargo.

Em entrevista a Universa, a senadora fala dos seus projetos à frente do PSL Mulher, da sua pauta "feminina, mas não feminista" e de Bolsonaro. "Ele é um doce".

Por que acha que seu nome foi escolhido para o cargo e não o de Joice Hasselmann, fortíssimo no partido?

Porque nove entre onze mulheres do PSL fizeram um abaixo-assinado pedindo que eu assumisse. Achavam que Joice estaria muito ocupada. E quem decidiu foi o presidente Luciano Bivar. É ele quem manda.

Quais são as principais diferenças entre a senhora e as duas outras figuras femininas de destaque no PSL, Joice e Janaina Paschoal?

As duas são mais famosas e têm mais seguidores nas redes sociais. Não me dediquei tanto a isso quanto elas. A Janaína teve um vídeo na época do impeachment divulgado nacionalmente. A Joice vive na mídia. Ganhei com o menor número de seguidores entre os candidatos do meu estado.

A senhora gosta de dizer que terá "um pauta feminina, não feminista". O que isso quer dizer?

Nossa pauta é conservadora. Trazemos valores como proteção à vida, somos contra o aborto, contra as drogas, a favor da moral, do patriotismo e da família. Feministas têm pauta pró-aborto e outras posições, diferentes das nossas. Outra coisa é o respeito à língua: não aceito ser chamada de presidenta. Sou presidente. Também acredito que temos de nos unir, homens e mulheres; e feministas nunca elogiam ou agradecem a um homem. Eu sempre faço isso. Por isso digo que que nossas pautas são feminist... Perdão! Femininas.

Quando a senhora diz que pretende proteger valores como a família, entende por família o mesmo que o presidente Bolsonaro entende: homem, mulher e filho?

Não. Isso [esse entendimento] não representa a maioria. Família é onde tem amor. Até cachorro faz parte da família. Mãe solteira também, e digo isso sem pestanejar, assim como a família homossexual.

Diga, por favor, três projetos que a senhora tem para esse cargo.

Vou trabalhar em parceria com o Indigo (Instituto de Inovação e Governança, criado pelo PSL) para capacitar mulheres para a política. Essa é a prioridade. Vamos organizar palestras de autoajuda nos 27 estados brasileiros e ensinar não só questões econômicas e políticas, mas também levantar a autoestima delas. Muitas não entram nesse meio porque acham que não conseguem. Queremos inspirá-las com nossos casos: 90% das mulheres do PSL estão no primeiro mandato. Queremos ter 40% de participação feminina no partido e ultrapassar a obrigatoriedade legal, que é de 30%. Haverá a luta na proteção da mulher, mas essa é uma bandeira óbvia. Quero trazer coisas diferentes. Violência doméstica, feminicídio, são pautas de todo dia.

A senhora defende cotas para mulheres na política, mas já afirmou que "cotas são coisas de país atrasado". Não vê incongruência?

Não. O certo seria que culturalmente as mulheres já se sentissem confiantes e com espaço favorável na política. Mas a lei que temos no país é essa, vamos respeitá-la. Tentaremos evoluir. Quem sabe um dia não precisemos dela.

Que elogio faria a Jair Bolsonaro?

Diria que ele é uma pessoa doce. Na quinta-feira (30), participei de um café da manhã com ele e mais 69 mulheres do Congresso. Queríamos que elas o conhecessem como eu o conheço. Dizem que ele é misógino, mas quando faz algo bacana, ninguém fala nada. O presidente defendeu que mulheres se aposentem antes [62 seria a idade mínima para elas, e 65, para eles], mas nenhuma feminista o parabenizou pela sensibilidade. Elas defendem a igualdade mas, nesse caso, não reclamaram que o presidente foi desigual. Eu sou a favor de que a mulher se aposente antes do homem.

O governo anunciou um corte de verbas para o ensino superior, que pode trazer risco às pesquisas desenvolvidas nas universidades. A senhora, em sua campanha, disse que iria "incentivar pesquisas em todas as áreas e priorizar a qualidade do ensino de base". A decisão do governo vai de encontro à sua proposta. Tomou alguma atitude?

Fui procurar o ministro da Educação [Abraham Weintraub] para falar sobre isso, e ele disse que ninguém vai deixar de pagar suas contas e que está chamando os reitores que estão com problemas para conversar. Weintraub tem descoberto que há universidades gerindo mal o dinheiro. Então é um bom momento para organizar os gastos. O que queremos é transparência. Quem passar necessidade é só procurar o MEC.

A senhora foi responsável pela decoração dos quartos dos motéis de propriedade de sua família, no Mato Grosso do Sul, em 2015. De onde veio a inspiração?

Foi uma questão de criatividade. Tenho esse dom para a decoração. Me inspirei em quartos de moteis pelo mundo. Queria deixá-los elegantes.

Em seu currículo, consta que a senhora "cursou a Escola de Governo da Universidade de Harvard J F. Kennedy, nos Estados Unidos da América". Que curso é esse?

Fiz um curso chamando Women and Power, ou mulheres e poder, em abril de 2018. Durou um mês mais ou menos. Eram 72 mulheres de 17 países. [A senadora pede para encerrar a entrevista e, depois, sua assessora de imprensa envia o link do curso do qual ela participou. No site da Universidade de Harvard, consta que o programa tem duração de cinco dias e custa R$ 36 mil de inscrição].