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"Ele não faz oral em mim": a falta da prática pode prejudicar sua relação?

Sexo oral não está na cartilha obrigatória do sexo, mas é preciso entender importância da prática para cada um - Getty Images
Sexo oral não está na cartilha obrigatória do sexo, mas é preciso entender importância da prática para cada um Imagem: Getty Images

Natália Eiras

Da Universa

13/03/2019 04h00

A arquiteta Isabela*, 36, de Vitória (ES), enche o namorado de elogios, até que o assunto chegue na cama. "A gente conversa bastante, nos damos super bem, mas fico frustrada porque ele não faz sexo oral em mim." O "esquecimento" tem feito Isabela repetir sempre o mesmo disco quando sai com os amigos. "Eles nem aguentam mais eu reclamando disso." Mesmo tendo um relacionamento satisfatório, o sexo oral, ou melhor, a falta dele está fazendo a capixaba repensar se ela e o namorado realmente são sexualmente compatíveis.

Você pode não conhecer Isabela, mas este tipo de questionamento já deve ter aparecido na sua roda de conversas. "Saímos de um tempo em que tudo era tabu. Hoje em dia, todo mundo parece ter que ser bom de cama e seguir um certo script para ter uma vida sexual satisfatória. A sexualidade, porém, é composta de diversas coisas. O sexo oral é apenas mais uma delas, não uma obrigação", comenta a sexóloga e coach holística de relacionamentos e sexualidade Virgínia Gaia. Apesar da prática não ser estar na lista de tarefas que compõem uma boa relação sexual, a especialista pontua que é preciso entender a importância que o oral tem para cada um. "Pode ser uma parte crucial para um deles."

A psicóloga e terapeuta sexual Paula Napolitano, de São Paulo (SP), aconselha o casal a ter um diálogo franco -- e sem acusações -- sobre o que está incomodando na cama. "A conversa ajuda os dois a entenderem o porquê de um deles não ter o hábito de fazer o oral. Às vezes é porque ele não sabe da importância disso para o outro, não se sente seguro ou habilidoso para fazer. O papo é sempre a melhor saída", fala a especialista.

O autoconhecimento pode ajudar a pessoa a descobrir o motivo de não gostar de cair de boca -- e qual é o impacto disso na relação. "Se a pessoa tiver um bloqueio em relação à prática, se não gosta do cheiro, são questões que podemos lidar na terapia e que devem ser tratadas. É importante entender o que há por trás dessa 'aversão'", fala Virginia. "Para algumas pessoas, o sexo oral é uma forma de 'agressão', seja por acontecimentos passados ou traumas", complementa Paula.

Porém, há quem realmente não goste de fazer sexo oral. E ponto. "Elas já experimentaram e continuaram não curtindo a prática. Se essa falta de 'sintonia' gera frustração no parceiro, torna-se uma questão de incompatibilidade sexual", afirma Virgínia.

Na balança

Mas calma, não é porque você e seu parceiro não concordam em algo na cama que tudo está perdido. "Às vezes existe a incompatibilidade no sexo oral, mas vocês se dão superbem em outras práticas. Uma coisa pode compensar a outra", fala Gaia. Tirar um pouco o foco disso ajuda a ter uma visão mais ampla da situação e pode mostrar novas formas de explorar sua sexualidade.

"Tente novas coisas. Tem gente que gosta de fazer sexo oral no banho, por exemplo. Outras são motivadas quando também recebem o estímulo, porque tendem a retribuí-lo", argumenta Paula Napolitano.

Não tire da mesa a possibilidade de procurar a ajuda profissional. "Se de alguma forma a relação sexual do casal não está sendo satisfatória para ambos ou está prejudicando o casal, vale a pena ir atrás de um terapeuta", diz Paula. "O que a gente não pode fazer é querer se enquadrar no perfil sexual do outro apenas para satisfazer o parceiro. Fazer algo que eu não quero, não gosto, apenas para agradá-lo", aponta Virginia.

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