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Glenda: "Minha mãe morreu quando eu estava grávida. Não vivi o luto"

Glenda Kozlowski posta foto com o filho, hoje com 23 anos - Reprodução/Instagram
Glenda Kozlowski posta foto com o filho, hoje com 23 anos Imagem: Reprodução/Instagram

Débora Miranda

Colaboração para Universa

08/03/2019 12h25

A vida de muitas mulheres renderia um ótimo roteiro de cinema. Com isso em mente, o Telecine preparou uma homenagem ao Dia Internacional da Mulher e lança, hoje, o projeto "Mulheres que Fazem Cinema", em que algumas personalidades revelam momentos importantes de suas vidas.

Entre elas está Glenda Kozlowski, 44 anos, que apresenta o programa "Tá na Área", do SporTV. A jornalista e ex-surfista de bodyboarding relembrou um dos períodos mais difíceis de sua vida: quando sua mãe morreu, pouco antes do nascimento de seu primeiro filho. "Apesar de ter perdido meu pilar, eu me tornei um leão. Foi a morte dela que me tornou a fortaleza que eu sou hoje."

Em entrevista à Universa, Glenda destaca a importância do Dia da Mulher, relembra a dor de sua primeira maternidade, a morte da mãe, a depressão pós-parto e destaca como as mães de meninos têm papel importante na criação de homens que tratarão as mulheres com mais respeito e sem violência.

Os depoimentos, que incluem ainda a cineasta Laís Bodansky, a stylist Josy Ramos e a jornalista Andreia Saddi podem ser vistos no Telecine Play e no canal do Telecine no Youtube.

Você considera o Dia da Mulher uma data importante?

Eu tenho aquela frase feita: o Dia da Mulher tem que ser todo dia. Porque aí só nesse dia as pessoas lembram dos problemas que as mulheres enfrentam, como o assédio moral, o assédio sexual, a perseguição. Não é que eu seja contra esse dia, acho que ele é importante porque, infelizmente, a mulher ainda precisa brigar por todos os seus direitos. É tão surreal! Só que eu acho que nosso dia é todo dia. Eu todo dia trabalho, eu todo dia tenho que tomar conta da minha casa, eu todo dia tenho que cuidar do meu filho.

Eu sou mulher! Então, acho que a gente não deveria precisar desse dia para que a mulher e os temas em torno dela fossem lembrados, discutidos e defendidos.

Na história que você conta no projeto "Mulheres que Fazem Cinema" você fala da sua mãe. Pode contar um pouco sobre a sua relação com ela e como isso te moldou?

As mulheres da minha casa sempre foram muito fortes. A minha mãe e a minha avó materna sempre fizeram questão de me ensinar a independência emocional. A importância de poder tomar as minhas decisões de acordo com o que acho bom para mim. As minhas escolhas sou eu que faço. E a minha mãe sempre foi muito forte, ativa, presente. Ela era o pilar da família. Tinha um lado muito prático, muito "ursa", mas, ao mesmo tempo, me ensinou a meditar, a dar valor às coisas simples da vida, a respeitar o próximo, a ser solidária e tantas outras coisas importantes. E, de repente, eu perdi a minha mãe na época em que eu mais precisava. Eu era muito jovem quando engravidei, tinha 20 anos. No dia 4 de janeiro de 1995, a gente descobriu a doença dela e, no dia 4 de janeiro de 1996, exatamente um ano depois, o meu filho nasceu. E aí, no meio desse caminho, ela faleceu.

Como você lidou com isso?

Meu final de gravidez foi muito problemático. Tive depressão pós-parto e precisei parar de amamentar, por causa dos remédios que tomei. E eu não tinha a minha mãe ali do meu lado. Eu sentia muito, muito a falta dela, e sua morte era recente. Mas eu não pude viver o luto pela minha mãe. Eu tinha que ser mãe. 

E como foi isso?

O início da maternidade foi um susto. Hoje, olho para trás e penso: "Graças a Deus deu certo, tive um emprego e consegui educar o meu filho". O Gabriel está com 23 anos, faz faculdade e está construindo a vida dele. É superindependente. Eu tive uma educação europeia, no sentido de muito jovem já saber me virar. Comecei a competir com 11 anos. Então, tinha que fazer muitas viagens, precisava ter responsabilidade e disciplina, o que me ajudou muito depois para que eu pudesse conseguir levar a maternidade e a vida profissional. Eu não imaginava ser mãe tão cedo, foi um susto. Mas adoro. Quando o Eduardo [seu segundo filho, hoje com 13 anos] nasceu, dez anos depois do Gabriel, aí eu já estava mais madura, mais tranquila profissionalmente, foi mais prazeroso e completamente diferente. O que eu mais gosto de ser mãe é que você acaba rejuvenescendo com os filhos. Você reaprende um monte de coisas, você se reinventa e acaba vendo o mundo por eles também. É muito bonita essa relação.

Você costuma demonstrar sensibilidade nas suas entrevistas e coberturas. Acha que isso tem a ver com o feminino ou é algo seu?

É um lado sensível meu. Eu sou muito maternal, mesmo. Mas com relação ao esporte eu sempre carrego essa sensibilidade, porque já fui atleta. Sei que isso parece papo furado, mas não é. Eu sei o que é perder, sei o que é treinar e ficar frustrado porque não conseguiu. Sei como é lidar com competições, viagens, cansaço. Eu sempre me coloco no lugar do outro e procuro tirar o lado bom da história [que estou cobrindo]. Prefiro mostrar o lado bom do que apontar o lado ruim e ficar tocando na ferida. Eu sei que às vezes é necessário e eu faço isso quando é necessário. Mas é muito melhor quando eu uso a minha profissão para inspirar. 

Como o esporte transformou a sua vida?

Eu sou muito ligada ao esporte e acredito que ele, aliado à educação, pode salvar um país. Eu sou fruto do esporte, que me encaminhou, fez com que eu me tornasse quem eu sou e me inspira até hoje. Além disso, foi importante para que eu aprendesse disciplina, humildade, trabalho em grupo, respeito ao outro. Eu nunca competi com ninguém, eu sempre quis fazer o meu melhor. Isso também eu trouxe do esporte.

O que de mais importante falta para as mulheres conquistarem?

Eu acho que as mulheres ainda precisam de tanta coisa. Mas o que vem me preocupando muito é a agressão física à mulher. E o que podemos fazer para que isso pare? Eu acho que aí vem a educação e a grande importância das mães de meninos. Porque essa coisa de o garoto crescer, virar adulto e ficar agressivo, vem muito da educação que ele teve em casa, do que ele viu, do que foi passado para ele. Como sou mãe de dois meninos, me preocupo muito com a educação deles com relação ao tratamento da mulher. De ensinar o respeito -- não à mulher como sexo frágil, de forma nenhuma, até porque o exemplo que eles têm em casa é de uma mulher nada frágil. Mas dar o exemplo de respeito, de tratar a mulher com carinho.

Nós, mães de meninos, temos uma responsabilidade muito grande se nós quisermos mudar a forma como o homem trata a mulher. Podemos ajudar com a forma que educamos os nossos meninos.

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