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Nancy Pelosi, a mulher que venceu uma importante queda de braço com Trump

A democrata Nancy Pelosi após ser eleita presidente da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos - SAUL LOEB / AFP
A democrata Nancy Pelosi após ser eleita presidente da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos Imagem: SAUL LOEB / AFP

Natália Eiras

Da Universa

29/01/2019 04h00

Nascida em Baltimore, em Maryland, Nancy Pelosi, 78, é a cara da maior parte dos representantes políticos dos Estados Unidos: branca, bem-nascida em uma família com sobrenome conhecido na política (ela é filha do congressista e prefeito de Baltimore Thomas D'Alessandro), rica e católica. No entanto, ela tem desafiado o presidente Donald Trump em favor dos imigrantes. 

O presidente dos Estados Unidos paralisou as atividades do governo por 35 dias, após a verba equivalente a R$ 21 bilhões, para a construção do muro na fronteira do país com o México, não ter entrado no plano orçamentário. O dinheiro precisaria ser liberado pela Câmara dos Representantes dos EUA, presidida por Nancy, democrata e opositora de Trump. Veterana no jogo político, ela não cedeu à pressão, argumentando que o presidente norte-americano não tinha votos suficientes que aprovassem a quantia necessária para a conclusão da obra --símbolo de sua administração.

Na última sexta-feira (25), o presidente cedeu --pelo menos por enquanto. A paralisação, a maior da história dos EUA, foi finalizada quando o mandatário decidiu reabrir o governo por três semanas, até o dia 15 de fevereiro, mesmo sem ter garantido o dinheiro para a construção do muro. 

Muita gente ficou se perguntando o que Nancy Pelosi tem de diferente de outros representantes para ter conseguido dobrar Trump. A Universa enumera cinco características da carreira política e da vida de Nancy que a tornaram uma mulher tão poderosa:

1- Ela está acostumada a ser a primeira

Nancy Pelosi foi a primeira mulher a ocupar o cargo de presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, em 2007. As vestes e o martelo que ela usava no primeiro dia como "speaker" da Câmara foram doados, em março do ano passado, para a Instituição Smithsonian em comemoração ao Mês da História da Mulher. Antes disso, Nancy foi, em 2002, a primeira mulher a liderar o partido Democrata dentro da Câmara. 

2- Mais progressista do que Obama

A representante é conhecida como uma das vozes mais progressistas dentro do partido Democrata. A norte-americana começou a ascender no partido em 1988, quando foi eleita deputada. No cargo, ela atuou para atrair financiamentos para pesquisas sobre o HIV, em um momento em que o vírus era muito associado à comunidade LGBT. Em 1991, Nancy votou contra o uso de forças militares na Guerra do Iraque e foi uma das primeiras a apoiar o casamento entre pessoas do mesmo gênero, quando nem mesmo Barack Obama, então deputado, o fazia. 

3- Não tem medo de altos e baixos

Falando no ex-presidente, foi a lealdade da democrata a Obama que lhe custou a popularidade --e o posto de presidente da Câmara-- em 2010. Depois de lutar pela aprovação do Obamacare, como pejorativamente era chamado o programa de saúde acessível do então presidente, o partido perdeu cadeiras e ela, que já não era tão carismática, se tornou tão impopular que não podia nem mesmo fazer campanha de outros políticos democratas. E os próprios companheiros de partido se voltaram contra ela: 16 parlamentares pediram que ela fosse retirada da liderança dos Democratas. Ela não só conseguiu driblar o impasse fazendo uma concessão que limitava a sua liderança a oito anos, como voltou a ser presidente da Câmara neste ano. 

4- Ela bota medo --e é respeitada-- pelos republicanos

Nancy é a representante que os republicanos amam odiar. O partido opositor gasta bastante tempo demonizando a deputada, porque, apesar de não ser uma boa oradora, é persuasiva o bastante para aprovar seus projetos. Além disso, trabalha incansavelmente e é competente para arrecadar fundos para o seu partido: de 2002 até 2018, ela conseguiu o equivalente a R$ 2,4 bilhões para os democratas. A admiração é tanta que, no ano passado, o republicano Tom Reed defendeu a eleição de Nancy como presidente da Câmara. 

5- Família grande

De acordo com analistas, Nancy ganhou a queda de braço com Trump porque soube dizer "não" e se manteve firme em sua decisão. Casada com o financista Paul Pelosi, Nancy tem 42 anos de carreira política, o que lhe rendeu alguma fibra. Mas, segundo ela, o que pode tê-la deixado ainda mais resiliente foi a experiência como mãe e avó. "É uma manha de criança do presidente. Tenho cinco filhos e nove netos. Reconheço uma manha quando a vejo", disse a deputada sobre Trump, após uma das negociações em que não chegaram a um acordo.