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Por que Alexandria Ocasio-Cortez é a mulher mais importante dos EUA?

Alexandria Ocasio-Cortez no dia da posse como deputada, na quinta-feira (3) - Win McNamee/Getty Images/AFP
Alexandria Ocasio-Cortez no dia da posse como deputada, na quinta-feira (3) Imagem: Win McNamee/Getty Images/AFP

Camila Brandalise

Da Universa

17/01/2019 04h00

Alexandria Ocasio-Cortez é o nome feminino mais falado hoje quando o assunto é política norte-americana. Democrata, descendente de porto-riquenhos e declaradamente socialista, ela é a mulher mais jovem a ocupar uma cadeira de deputada no Congresso. É risonha, sabe usar as redes sociais a seu favor, tem projetos e falas polêmicas e, por tudo isso -- e um batonzão vermelho onipresente --está bombando.

Se o presidente Donald Trump galgou sua fama pela habilidade de lançar frases controversas e divulgar seus desmandos via Twitter, Alexandria mostra ter a mesma capacidade, seja no mundo virtual, seja no terreno dos assuntos espinhosos.

Recém-empossada, a congressista tem propostas que provavelmente não serão aprovadas, como acabar com as prisões privadas e trazer de volta todas as tropas americanas em guerras ao redor do mundo. Mas há outros projetos que devem ter alguma aceitação, como o aumento de taxas para grandes fortunas, que já conta com grande apoio popular.

Veja, abaixo, seis motivos que tornam Alexandria a mulher mais bombada da política americana em 2019.

1. Uma socialista no Comitê de Serviços Financeiros do Congresso

Na quarta-feira (16), Alexandria foi nomeada uma das integrantes do Comitê de Serviços Financeiros do Congresso. Ela já disse que entre suas prioridades estão resolver a crise dos empréstimos estudantis e analisar os lucros de bancos e de presídios privados.

O comitê tem a função de supervisionar as ações das instituições bancárias e do mercado financeiro. Empréstimos, taxas, juros, tudo fica sob alçada do grupo, do qual Alexandria, uma socialista declarada, agora faz parte.


2. Influenciadora digital

Inteligente, jovem e carismática, Alexandria sabe usar as redes sociais como só alguém na casa dos 20 sabe — ela tem 29. Por isso, segundo um levantamento da empresa de inteligência de conteúdo Chartbeat, a congressista tem mais influência nas redes do que a própria imprensa do país.

O alcance dela no Twitter, o que significa retweets e likes de outras pessoas em cima do que ela posta, é de 11,8 milhões de pessoas. É a segunda conta com maior projeção nos EUA, atrás apenas da do presidente Trump, com 39,8 milhões.

Foi pelo Twitter que ela alicerçou sua campanha e criou um vínculo forte com o eleitorado. E é pelas redes sociais que responde à grande parte das provocações, do jeitinho que Trump faz. Recentemente, depois que um vídeo em que aparece dançando na época da faculdade foi divulgado, ela rebateu com outro vídeo, mas, dessa vez, dançando nos corredores do Congresso.


3. Apoio popular para taxar grandes fortunas

Alexandria acabou de assumir o cargo no Congresso e já começou a militar por um projeto: o aumento da tributação dos super-ricos — aqueles que ganham US$ 10 milhões ou mais anualmente — de 37 para 70%. Uma pesquisa do jornal "New York Post" aponta que 59% dos eleitores americanos apoiam a proposta.

4. Marketing pessoal: fazemos

Alexandria não perde oportunidade de usar sua história e imagem para garantir que seu nome chegue longe. Durante a campanha em 2018, falou várias vezes sobre ter sido garçonete no bairro do Bronx, estudante de direito na Universidade de Boston, também sobre o esforço da mãe porto-riquenha para criá-la e da falta de dinheiro para a campanha — chegou a publicar uma foto de um par de sapatos furados no Twitter.

No dia da posse, usou o indefectível batom vermelho, brincos de argola grandes e um terno branco —símbolo do movimento sufragista americano.


5. Maconha legal em todos os Estados: se depender dela, vai acontecer

Outra de suas propostas de campanha é a legalização da maconha em âmbito federal. Inclusive, um dos seus conselheiros é um ex-diretor federal da área de políticas de drogas dos Estados Unidos, Dan Riffle. Alexandria pretende diminuir o encarceramento por crimes considerados pequenos, como porte de maconha.

Atualmente, mais da metade dos americanos têm acesso à maconha de forma regularizada, para fins tanto medicinais quanto recreativos.

6. À frente de um acordo ambiental

A proposta ambiental de Alexandria ganhou o nome de "Green New Deal", ou "novo acordo verde". A ideia é criar um plano para estimular as indústrias a eliminar a emissão de carbono, criando um sistema de energia renovável para combater as mudanças climáticas.

A congressista conta apenas como o apoio de 14 deputados, dos 435. A meta para o ousado projeto é que ele seja lançado em 2020 e totalmente implementado até 2035.