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"Tenho mais prazer hoje do que antes da doença", diz mulher com esclerose

Pessoas com deficiência também sentem prazer - iStock
Pessoas com deficiência também sentem prazer Imagem: iStock

Luiza Souto

Da Universa

16/10/2018 04h00

Nilza*, de 46 anos, tem esclerose múltipla há duas décadas: a doença é autoimune, incurável e ataca o sistema nervoso. Sem rigidez para segurar um telefone -- ela utilizou um fone para se comunicar com a reportagem -- recorreu à terapia tântrica para chegar ao prazer. As sessões usam recursos como meditações e massagens para aumentar áreas de sensibilidade, estimulando músculos sexuais. Há 15 anos, ela frequenta uma vez por mês num centro especializado em São Paulo, e garante que tem orgasmos longos com o tratamento.

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“Por conta da doença, não consigo nem me masturbar. Tive medo de não sentir mais nada. Uma amiga da faculdade, então, indicou a terapia tântrica e fui me descobrindo. Meu prazer hoje é até maior”, conta Nilza.

A psicóloga estava concluindo a graduação pela USP (Universidade de São Paulo) quando recebeu o diagnóstico. Até os 27 anos, dirigia, viajava, tinha namorados, clinicava, levava uma vida normal. Até perder a independência e precisar se locomover de cadeira de rodas, com ajuda de uma cuidadora.

A primeira sessão não teve um pingo de constrangimento. “Primeiro fizeram massagem por todas as partes do corpo. Mas o que eleva demais o prazer é o vibrador. Nunca tinha usado um! Tive prazer como nunca antes”.

“É possível alcançar ao prazer máximo”

O psicólogo e especialista em terapia e educação sexual Evandro Palma diz que até nos casos mais graves de lesão dos mais diversos tipos de pacientes, é possível alcançar o prazer máximo. “Alguns não têm orgasmo, mas é possível acessar outros prazeres. Tem como desenvolver o potencial sensorial do corpo. Não é mágica. É técnica. Isso é biológico”, ensina o profissional.

Palma aplica massagens tântricas há 11 anos, na Sadhana  Comunna Metamorfose, autodefinida como um "centro terapêutico de desenvolvimento, pesquisa e expansão da sexualidade humana". Ele segue um método criado em 1996 pelo coach Deva Nishok, que comanda um espaço dedicado ao tantra em Itapeva, Minas Gerais. 

Ele traça suas sessões de acordo com as necessidades, limitações e preferências do cliente. Ana Emília gosta, por exemplo, de deitar-se olhando para cima. “De costas, fico cansada rápido”.

O profissional, então, busca ativar vinculações nervosas, não necessariamente no órgão sexual: o orgasmo pode vir de um toque na orelha. No longa francês “Intocáveis”, há uma cena clássica do tetraplégico Philippe (François Cluzet) sentindo prazer nesta região.

“Quando a pessoa está segura da sua nova condição, a massagem tântrica pode colaborar. A gente trabalha com a autoestima, ajudando a acionar o corpo”, conclui.

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