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Mayumi Sato

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

'Se organizar direitinho...': filme na Netflix retrata swing alto astral

Comédia na Netflix conta cinco experiências em casa de swing  - Divulgação
Comédia na Netflix conta cinco experiências em casa de swing Imagem: Divulgação
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Mayumi Sato

Mayumi Sato é meio de exatas, meio de humanas. Pesquisadora e diretora de marketing do Sexlog quer ressignificar a relação das pessoas com o sexo e, para isso, acredita que é preciso colocar a mão na massa, o que inclui decodificar o comportamento humano. Ao longo dos anos, estudando e trabalhando com o mercado adulto, passou a fazer parte de uma rede de mulheres interessadas e ativistas no assunto, por isso sabe que não está "não estamos" só. Idealizadora do cínicas (www.cinicas.com.br) e feminista sex-positive.

Colunista de Universa

12/12/2021 04h00

Vira e mexe me pedem indicação de filmes sobre swing, fetiches ou o meio liberal e, apesar de saber de uns dois ou três títulos mais conhecidos sobre o tema, geralmente eu prefiro não indicar.

Não porque os filmes sejam ruins. Alguns até servem bem como entretenimento. Mas, se a intenção da pessoa é saber mais sobre esses tipos de práticas, para isso não servem. Em geral, são recheados de preconceitos e lugares-comuns, como o da pessoa que não tem a forma física certa para frequentar certos tipos de ambiente ou casais que vivem relações ruins e conturbadas, resolvem ir ao swing e, claro, dá tudo errado - afinal eles vivem, antes disso, uma relação que já estava indo por água abaixo. Muitos filmes também desandam para o etarismo, debochando de pessoas mais velhas, como se a elas não fosse permitido ter uma vida sexual saudável e ativa.

A boa notícia é que estreou na Netflix um filme que, finalmente, conta histórias de pessoas que vão ao swing de um jeito alto astral, divertido e feliz! E não fui só eu quem gostou: a Marina, que é uma das figuras mais conhecidas do meio swinger do Brasil, também falou sobre o filme em suas redes sociais e foi só elogios:

"Foi a primeira vez que um filme sobre nosso estilo de vida me emocionou. Ele é bem mais próximo da realidade swinger do que qualquer outro, me senti muito representada. Um dos pontos mais legais foi terem incluído BDSM e personagens LGBTQIA+, pois acredito que pode haver mais espaço para a diversidade nas casas liberais."

Em português, o filme se chama "Se Organizar Direitinho..." e conta cinco histórias que acabam em final feliz. Não é spoiler porque essa é a descrição do filme na Netflix, então pode dar play sem medo porque a diversão é garantida. Além das boas risadas, ele traz bons aprendizados para quem pretende entrar de cabeça nessa empreitada:

  • Liana e Alba acordam de ressaca e não fazem ideia de que viveram uma noite intensa numa casa de swing! Atenção com o uso de álcool e outras substâncias: se entorpecer pode levar a lugares que você não necessariamente gostaria de estar. É comum que as pessoas queiram afogar as mágoas, fugir de problemas do dia a dia que precisam resolver e acabam pesando um pouco a mão. Parcimônia, nessa hora, é a garantia de que você vai lembrar de tudo no dia seguinte com saudades e não de ressaca moral.
  • Paco e Alberto são amigos que querem realizar um swing, a troca de casal, com suas respectivas esposas. O problema: elas não sabem e eles não pretendem contar! É comum que, em relações conjugais, a comunicação sobre desejos e fetiches seja falha. Optar pela indireta, pela insinuação, pode até ser um jeito de avaliar quão abertas à experiência estão as outras partes envolvidas, mas há momentos em que as coisas precisam ser ditas de forma direta ou há grandes chances de tudo acabar diferente do planejado.

  • Clara trabalha numa casa de swing e leva seu primo até lá sem que ele saiba exatamente onde está indo. Quando ele descobre, a reação não é boa! Apresentar novidades e possibilidades às pessoas pode ser muito legal, mas é sempre importante lembrar que o consentimento vem em primeiro lugar. Deixar que as pessoas entendam em que tipo de situação estão se metendo para avaliar se ficarão confortáveis com aquilo é essencial em qualquer situação!

  • Raul vai à casa de swing para curtir o glory hole, local com paredes e buracos onde mãos, bocas e membros se encontram sem revelar a identidade de quem está do outro lado. Ele só quer sexo e se irrita quando alguém começa a puxar papo por ali. Não é segredo para ninguém que, numa casa de swing, o prazer é o ponto central de tudo. Mas, para desfrutar realmente da situação, relaxe e deixe as coisas acontecerem naturalmente. Parece conversa pra boi dormir, mas boas amizades podem surgir das situações mais inusitadas. Esteja aberto(a) a novas descobertas!

Em determinado momento do filme, um dos personagens comenta que, ao entrar numa casa de swing, se surpreendeu com o que viu e não pela nudez: as pessoas tinham cara de plenitude! A maior lição que fica é que, quando pessoas adultas se tratam com respeito e maturidade, muitos prazeres podem florescer. E você, já foi a uma casa de swing ou assistiu ao filme? Me conta o que achou nos comentários!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Mayumi Sato