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Mayumi Sato

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Baladas e transmissão ao vivo: como as casas de swing voltaram à ativa

Clube de swing Spicy, em Moema, bairro da zona sul de São Paulo - Duda Gulman/UOL
Clube de swing Spicy, em Moema, bairro da zona sul de São Paulo Imagem: Duda Gulman/UOL
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Mayumi Sato

Mayumi Sato é meio de exatas, meio de humanas. Pesquisadora e diretora de marketing do Sexlog quer ressignificar a relação das pessoas com o sexo e, para isso, acredita que é preciso colocar a mão na massa, o que inclui decodificar o comportamento humano. Ao longo dos anos, estudando e trabalhando com o mercado adulto, passou a fazer parte de uma rede de mulheres interessadas e ativistas no assunto, por isso sabe que não está "não estamos" só. Idealizadora do cínicas (www.cinicas.com.br) e feminista sex-positive.

Colunista de Universa

31/10/2021 04h00

A área de entretenimento adulto, incluindo bares e baladas, segue sendo uma das mais afetadas pela pandemia. Ainda em fase de adaptação à situação atual de reabertura, o setor busca alternativas para se reerguer. Nesse grupo, as casas de swing merecem atenção especial, já que é difícil imaginá-las em pleno funcionamento respeitando o distanciamento social e o uso de máscara.

Numa pesquisa realizada pelo Sexlog.com com cerca de 6.700 pessoas, 31% contaram que frequentavam casas de swing antes da pandemia. Ainda que muita gente não tenha vivido essa experiência, 95% dizem que pretendem, sim, fazer ao menos uma visita para conhecer uma dessas casas.

Das pessoas que já frequentavam, 27% voltaram à ativa depois de terem tomado a vacina e 11% voltaram mesmo sem estarem imunizadas. Os demais, 62%, ainda não voltaram às casas de swing, seja pela pandemia ou por motivos pessoais. Esses números batem com dados das próprias casas.

Festa com transmissão ao vivo

Fábio Leandro está à frente da Spicy Club de São Paulo. Ele conta que, apesar das casas terem retomado o funcionamento (com restrições), apenas 40% do público voltaram a frequentar esse tipo de estabelecimento.

O empresário entende que o momento ainda é de cautela para a maioria das pessoas, por isso planeja a realização de festas noturnas com transmissão ao vivo. A ideia é mostrar, em tempo real, como uma balada liberal funciona. Segundo ele, 150 casais já toparam participar, todos mascarados.

Por enquanto, a Spicy Club tem aberto as portas ao público apenas uma vez por semana, justamente pela falta de interessados para os outros dias, que acabam sendo reservados para eventos e festas particulares.

Palestra e after

Um desses eventos foi promovido pela Camila, criadora de uma comunidade secreta de swing, o Voluptas. Ela reuniu pessoas interessadas em aprender sobre swing e receber dicas para começar a frequentar esse universo.

Para participar, foi preciso preencher um formulário, passar por uma seleção (para garantir uma quantidade equilibrada de casais e pessoas solteiras) e doar alimentos não perecíveis. Esse processo dava direito à palestra e ao after, que rolou no mesmo espaço.

Camila explicou que, antes da pandemia, frequentava casas de swing pelo menos uma vez por mês, mas deixou totalmente de ir após a chegada do vírus. Agora, depois da vacina, voltou a se sentir tranquila e mudou a maneira de encarar esses espaços.

O que me deixou tranquila para retornar foi o fato de não focarmos no sexo. Como nós optamos por encontros de swing privativos, as casas de swing para nós funcionam como uma balada. Não precisamos interagir fisicamente. Vamos para dançar e beber uns drinks. Isso me encorajou a voltar, pois posso curtir uma balada de máscara sem precisar transar, o que ainda não tivemos coragem de fazer nesse ambiente no pós pandemia. Camila, criadora da comunidade secreta de swing Voluptas

Na pesquisa realizada com frequentadores, 79% concordaram que o comprovante de vacina deveria ser exigido na entrada de bares e baladas liberais. Camila faz parte desse grupo: "Eu apoio e defendo a vacinação. Acho que exigir o comprovante de vacinação para entrada deveria ser primordial. Todas as casas deveriam aderir."

E, como não podia faltar, algumas situações inusitadas no swing acabaram sendo relembradas por alguns dos entrevistados:

Já fiquei com alguém de máscara e não sabia quem era depois!

O casal me convidou pra ir morar com eles, queriam me adotar como filho.

Participei de um gang bang de um dark room. Anos depois, descobri que a mulher com quem eu estava namorando era a mulher do gang bang com seu então namorado e aquela tinha sido sua primeira experiência.

Estava em uma casa de swing e fui convidado para ficar com um casal. Quando chegamos, tinha mais dois casais se pegando e tive que dar conta de todas as casadas para os maridos assistirem. Foi incrível.

Esqueci o cartão de consumo da boate na cabine. Quando me dei conta, a cabine estava ocupada. Voltei para resgatar o cartão e acabei participando de outra orgia.

E você, já está pronto ou pronta para encarar uma noite numa casa de swing? Acha que, em algum momento, vai ter vontade de experimentar? Compartilha nos comentários!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Mayumi Sato