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Mayumi Sato

"Mais autoestima e tesão": cada vez mais vem das esposas a ideia de ménage

Em pesquisa recente do aplicativo YSOS, feito para casais à procura de ménage, cerca de 39% dos cadastros foi uma iniciativa das mulheres - 1001nights/Getty Images
Em pesquisa recente do aplicativo YSOS, feito para casais à procura de ménage, cerca de 39% dos cadastros foi uma iniciativa das mulheres Imagem: 1001nights/Getty Images
Mayumi Sato

Mayumi Sato é meio de exatas, meio de humanas. Pesquisadora e diretora de marketing do Sexlog quer ressignificar a relação das pessoas com o sexo e, para isso, acredita que é preciso colocar a mão na massa, o que inclui decodificar o comportamento humano. Ao longo dos anos, estudando e trabalhando com o mercado adulto, passou a fazer parte de uma rede de mulheres interessadas e ativistas no assunto, por isso sabe que não está "não estamos" só. Idealizadora do cínicas (www.cinicas.com.br) e feminista sex-positive.

Colunista do UOL

22/11/2020 04h00

Quem conhece ou frequenta o meio liberal, dos casais praticantes de swing (troca de casais), ménage e outras práticas não convencionais, sabe que sempre existiu um padrão mais comum entre os adeptos: geralmente são casais com relacionamentos longos e estáveis, satisfeitos com o casamento, mas um pouco entediados. Em geral, é o marido que toma a iniciativa, aborda o assunto e após algumas conversas vai despertando a curiosidade na esposa também.

O que vem mudando aos poucos é justamente o fato de que, cada vez mais mulheres se sentem capazes de expor os seus desejos e fantasias, e algumas delas têm tomado a iniciativa de questionar as suas relações e abordar o assunto com os maridos.

Numa pesquisa realizada pelo aplicativo YSOS, feito para casais à procura de ménage, cerca de 39% dos cadastros foi uma iniciativa das mulheres. Ainda não somos a maioria, mas é um processo que vem acontecendo e vem tornando casais cada vez mais felizes com a vida a dois (a três ou a quatro, pelo menos na cama).

Para entender como é essa transição de um casamento convencional para uma relação liberal, conversei com a Tânia, casada há 17 anos. E foi ela que tomou a iniciativa de propor um ménage ao marido:

Tânia, como foi decidir fazer parte do meio liberal? Vocês já tinham alguma experiência antes?

Roberto e eu estamos juntos há 17 anos e eu sempre sonhei com ménage masculino, mas a ideia nunca agradou meu marido. Um dia, comentei com uma amiga sobre o meu fetiche e descobri que ela e o companheiro estavam no meio há anos. Foi só assim, quando o meu marido viu que já conhecia pessoas do meio (só não sabia que eram) que ele topou fazer um swing com eles, algo que nunca tínhamos feito antes.

Antes de partir para a prática vocês chegaram a definir regras?

Definimos sim, mas com o passar do tempo, a medida que ganhamos experiência e auto confiança, fomos eliminando quase todas. Por exemplo, no começo combinamos algumas regras sobre sexo oral e anal. Algumas coisas ele não se sentiria a vontade de me ver fazendo, nem eu vendo ele fazer ao se relacionar com outras mulheres. Mas depois relaxamos quanto a isso também.

Nesse meio liberal é comum alguns casais mais maduros reclamarem dos casais iniciantes. Dizem que por ainda não estarem bem decididos acabam gerando alguns problemas quando partem para o encontro. Vocês já passaram por isso?

Ah sim, passamos por vários. Uma vez fomos ao motel com um casal e do nada o rapaz teve um ataque de ciúmes, ficou agressivo com a companheira, foi horrível.

Com outro casal ficamos conversando durante 5 horas para no final eles pedirem licença e avisarem que não ia rolar. Foi tipo uma longa entrevista de empresa onde a pessoa volta e chama o nome de quem passou, sabe? E nessa a gente não passou. (risos)

Em outra ocasião conversamos com um casal pela internet e quando nos encontramos descobrimos que eles não tinham um relacionamento de verdade. Ele era casado e ela noiva de outro.

Já teve um encontro também em que as pessoas foram arrogantes, mal-educadas, fazendo comentários inapropriados... a gente até tentou dar certo, mas no fim das contas foi uma perda de tempo. E esse encontro ruim gerou até uma briga entre nós, foi péssimo!

Recentemente vocês decidiram dar um tempo do meio liberal. Como foi essa decisão?

Meu marido voltou a trabalhar há pouco tempo, pois tinha ficado 6 meses em casa por conta da pandemia. Ele tem chegado cansado e acabamos combinando de dar um tempo, pois era ele que procurava os casais pra gente conhecer. É legal dar um tempo pra curtir só nós dois também!

Vocês acreditam que é uma decisão temporária ou pode acontecer do relacionamento voltar a ser fechado pra sempre?

Ah, é momentânea com certeza! Tem sido legal, mas gostamos muito das aventuras no meio.

E o que vocês aprenderam com a experiência no meio liberal? Recomendam pra outros casais que têm vontade de se aventurar também?

Eu indico demais! Sempre digo que o meio não é para salvar um casamento, pois se tem ciúmes e insegurança vocês entrarão e dará errado. Mas, se querem algo diferente para apimentar, aumentar o tesão e pra mulher se sentir desejada, o homem também, aí é muito bom! A autoestima vai às alturas, pode acreditar! Eu não sou uma mulher padrão, sou gordinha e muito desejada, as meninas não imaginam como isso muda a vida!

*Os nomes foram alterados para preservar a privacidade do casal.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Mayumi Sato