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Mayumi Sato

Cientista de dados cria fórmula para mensagem perfeita em apps de namoro

O segredo está no número de caracteres escritos - iStock
O segredo está no número de caracteres escritos Imagem: iStock
Mayumi Sato

Mayumi Sato é meio de exatas, meio de humanas. Pesquisadora e diretora de marketing do Sexlog quer ressignificar a relação das pessoas com o sexo e, para isso, acredita que é preciso colocar a mão na massa, o que inclui decodificar o comportamento humano. Ao longo dos anos, estudando e trabalhando com o mercado adulto, passou a fazer parte de uma rede de mulheres interessadas e ativistas no assunto, por isso sabe que não está "não estamos" só. Idealizadora do cínicas (www.cinicas.com.br) e feminista sex-positive.

Colunista do UOL

01/11/2020 04h00

Já falei aqui sobre a importância de uma boa abordagem na hora de iniciar a conversa nos aplicativos de pegação. A medida que a popularidade dos apps aumenta, o mesmo acontece com a concorrência de quem se arrisca por lá. As pessoas mais desejadas passam a receber mais "matches" e mensagens do que são capazes de lidar e, por isso, só quem tem uma boa estratégia e um pouco de criatividade acaba se destacando (e se dando bem).

Mas, se você ainda não conseguiu sair do básico "Oi, tudo bem?" e tem colecionado contatinhos que não te respondem, calma que nem tudo está perdido!

Pra começar, leia atentamente essas frases e responda: você acha que alguém cairia num xaveco desse?

Curti mt vc e a camiseta dos stones, bora rolling?
Ó, se tu fosse um desaforo eu te levaria pra casa!
Me chama de fritura, eu só tenho óleos pra você!

A resposta é sim! E quem explica esse fenômeno é o Rafael Fantini, o Fanta, um dos cientistas de dados responsáveis pelos algoritmos e inteligência artificial aplicados no Sexlog, a maior rede social de sexo do Brasil. Foi para ele que encomendei uma análise profunda de uma base de dados de 14 milhões de pessoas, pra chegarmos numa fórmula definitiva da "primeira mensagem perfeita":

"Aparentemente, conversas iniciadas com uma mensagem de 25 a 50 caracteres, se você for homem ou casal, tem aumentos significativos em relação aos extremos, mensagens muito curtas ou muito longas. É preciso chegar num meio-termo, nem muito, nem pouco. Começar o diálogo com uma mulher mandando só um oi não é uma boa ideia"

Então, se a sua pergunta é: existe alguma associação entre o tamanho da mensagem inicial e a chance dela ser respondida? A resposta é que sim! No gráfico, o que nós vemos é uma curva em U invertido, indicando ali no centro uma quantidade ideal de caracteres na sua abordagem:

eis a ciência do tamanho ideal de mensagem de texto na hora da paquera - reprodução - reprodução
eis a ciência do tamanho ideal de mensagem de texto na hora da paquera
Imagem: reprodução

E já que informação nunca é demais, ele também foi atrás de entender com quem homens, mulheres e casais iniciam mais conversas e o resultado foi: homens abordam mais mulheres (61%) e casais heterossexuais (32%), já os casais hétero conversam mais com casais (50%) e mulheres (34%). E mulheres iniciam mais conversas com homens (57%), seguido de mulheres (24%).

Veja na tabela, a versão moderna do poema de Drummond (João amava Teresa, que amava Raimundo, que amava Maria etc):

Como se comporta cada perfil na troca de mensagens - Reprodução - Reprodução
Veja como se comporta cada perfil na troca de mensagens
Imagem: Reprodução

*Importante destacar que a análise foi feita a partir da comunidade do Sexlog, que é majoritariamente heterossexual e formada por pessoas interessadas em sexo casual. Na tabela, o termo "outros" se refere a classificações menos usadas no site, como: pessoas trans, não binárias e casais homossexuais.

Precisa de mais inspiração? Eu te ajudo:

Língua portuguesa é mó difícil! Prefiro a sua ;)

Você não é capital de Roraima, mas é Boa Vista!

Ok, eu posso não ser a pessoa mais indicada do mundo pra gerar sugestões de xavecos, mas o caminho das pedras está dado: use a criatividade com 25 a 50 caracteres e tenha um bom date! De nada

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Mayumi Sato