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Mayumi Sato

Dominatrix é paga para passear com homem de coleira. Entenda o pet play

Mistress Charlotte, uma dominatrix, em ação - Carlos Henrique / Divulgação
Mistress Charlotte, uma dominatrix, em ação Imagem: Carlos Henrique / Divulgação
Mayumi Sato

Mayumi Sato é meio de exatas, meio de humanas. Pesquisadora e diretora de marketing do Sexlog quer ressignificar a relação das pessoas com o sexo e, para isso, acredita que é preciso colocar a mão na massa, o que inclui decodificar o comportamento humano. Ao longo dos anos, estudando e trabalhando com o mercado adulto, passou a fazer parte de uma rede de mulheres interessadas e ativistas no assunto, por isso sabe que não está "não estamos" só. Idealizadora do cínicas (www.cinicas.com.br) e feminista sex-positive.

Colunista do UOL

25/10/2020 04h00

Essa semana circulou pelas redes sociais as imagens de uma dominatrix levando um homem pela coleira num passeio pelo shopping, em plena luz do dia. A cena foi vista em Los Angeles, mas a repercussão por aqui foi alta, especialmente no meio BDSM, onde a prática - conhecida como pet play - já é bem conhecida.

Como para a maior parte das pessoas isso tudo ainda é novidade, aproveitei para conversar com a Mistress Charlotte, uma dominatrix profissional, para que ela me explicasse com mais detalhes esse fetiche, o pet play:

Mistress Charlotte, há quanto tempo você é dominatrix e quantas pessoas você já atendeu profissionalmente?
Sou dominatrix profissional há 5 anos, mas já estou envolvida com o universo fetichista há muito mais tempo. Nesse período atendi centenas de homens. O número de mulheres é bem menor, mas elas também me procuram.

Quais são as práticas mais comuns procuradas pelos seus clientes?
Os pedidos mais populares estão bem relacionados às minhas preferências, já que eu não realizo práticas que eu mesma não goste. Podolatria, cuckold, inversão e pet play estão entre as que mais rolam no dia a dia.

O que é o pet play?
Pet play é algo bem amplo, envolve muita coisa. Está, em primeiro lugar, relacionado a pessoa assumir a personalidade de um animal, que pode ser cachorro, gato, pônei, porco, raposa, por exemplo. Ela vai se comportar ali como o animal se comportaria.

Dentro do BDSM tem a ver com a sigla D, que é de disciplina, e com a sigla S, de submissão, quando acontece essa troca de poderes, onde a pessoa é subjugada e segue ordens.

Como são as sessões com quem te procura para pet play?
O que nós realizamos é um jogo psicológico, combinado previamente, com limites e desejos bem definidos. O pet play é uma prática fetichista, já que envolve, além dos aspectos psicológicos, também a caracterização dos participantes.

Mas, não basta colocar uma coleira e achar que já pode começar. É preciso estabelecer antes a disciplina, a hierarquia, limites. Mas claro que ir colocando a coleira e ir iniciando esse jogo aos poucos, facilita aos participantes entrar nessa cena.

O visual não precisa ser completo, mas faz parte! Além da questão estética existe uma preocupação com a segurança. A coleira é importante, assim como é a joelheira por exemplo, já que um submisso vai ter que andar de quatro.

Então é uma prática comum...
Ela é porque pode ser realizada em duas situações. Uma é quando o cliente já tem esse fetiche, mas ela também é usada quando eu, como dominatrix, quero tirar uma onda com o submisso, tirar um sarro, fazer ele de bobo, num lado mais de humilhação mesmo.

A notícia da semana foi uma dominatrix e um submisso praticando pet play em plena luz do dia, isso rola mesmo?
Fora do Brasil, o universo BDSM é visto com mais naturalidade. Por aqui, ainda é tudo muito novo, muita gente não compreende e julga. Como eu já estou acostumada, não me choca.

A prática pode ser realizada entre quatro paredes, mas muita gente também gosta de combinar com exibicionismo. Exibir o seu fetiche e toda caracterização dos envolvidos, a humilhação pública, tudo isso pode fazer parte.

Desde que não envolva nada fora da lei e não esteja fazendo mal a ninguém, acho que tudo é válido. São pessoas que estão vivendo o seu dia a dia de uma forma mais intensa, levando para o mundo lá fora.

Entendo que causa um alvoroço, mas eu mesma já saí com um submisso na rua. Andamos pela Avenida Paulista, com roupas de látex bem características do BDSM. Como foi a noite, não tinha tanta gente ao redor, mas foi muito legal. Despertou muita curiosidade!

Quem se interessou e quer saber mais, pode ficar tranquilo então que não tem nada de errado nisso!
Nada de errado. E a prática na rua não é tão comum e nem é pra todo mundo. Por isso existem os atendimentos particulares de dominatrix. Para as mulheres, também criamos uma Confraria das Dommes, onde nós mulheres nos reunimos para realizar algumas práticas, trocar experiências etc.

Bom, se você quer saber mais sobre o dia a dia de uma dominatrix, petplay e afins, confere esse vídeo, onde a Mistress Charlotte deu mais detalhes sobre práticas do BDSM e seus atendimentos:

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Mayumi Sato