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Luciana Bugni

Renan Bolsonaro e quem transa mais: erro é clássico da criação masculina

Jair Renan ao lado de Bolsonaro em foto publicada no Dia dos Pais                              - REPRODUÇÃO/Instagram
Jair Renan ao lado de Bolsonaro em foto publicada no Dia dos Pais Imagem: REPRODUÇÃO/Instagram
Luciana Bugni

Luciana Bugni é gerente de conteúdo digital dos canais de lifestyle da Discovery. Jornalista, já trabalhou na "Revista AnaMaria", no "Diário do Grande ABC", no "Agora São Paulo", na "Contigo!" e em "Universa", aqui no Uol. Mora também no Instagram: @lubugni

Colunista do UOL

08/01/2021 16h27

Nessa semana, Renan Bolsonaro fez um vídeo de retomada para seu canal do Youtube entrevistando um influencer. O papo girou em torno de ser um comedor de condomínio, expressão usada por seu pai, Jair Bolsonaro, na ocasião de explicar o relacionamento de Renan com a filha de Ronnie Lessa, acusado de ser o mandante do assassinato de Marielle Franco em 2018. O presidente, na época, disse que Renan tinha comido meio condomínio, com ares de orgulho.

O exemplo da família Bolsonaro é um clássico na educação do jovem "comedor". É comum um homem ser elogiado pela quantidade de mulheres com quem transou. Entre os jovens, numerar os triunfos sexuais é prova de masculinidade. E não é coisa de hoje, não. Meus amigos de bairro se gabavam disso lá na nossa longínqua adolescência. Já começa pelo palavreado: comer é um verbo de quem se satisfaz. Dar, o termo chulo usado para a mulher que tem relações sexuais, é um verbo que representa a benevolência que contribui para a satisfação dos caras. Já começa injusto.

Conosco, mulheres, era um pouco diferente: ter vários parceiros não era uma razão para deixar familiares orgulhosos.

Imagina meu pai respondendo para um amigo: "Ah, mas minha filha deu para metade do colégio dela. Essa garota vai longe!". Ter ficado com dois da mesma turma já seria um motivo de vergonha. Meio condomínio, motivo para apedrejamento em praça pública.

E todo mundo devia sentir prazer, né? Variar os parceiros, nesse caso, seria saudável para qualquer gênero.

E na alminha?

Essa conversa me lembrou de um post viral do começo da década passada que falava sobre permissividade: "e na alminha, não vai nada?"

Transar é bom demais, quanto mais melhor mesmo. Homem infelizmente só pode gozar uma vez por relação, mas as mulheres foram dotadas dos orgasmos múltiplos. Analisando friamente: fomos feitas para sentir prazer. E não tem problema em ter vários parceiros. Mas e na alminha? Não vai nada?

Quando se está preocupado em transar muito, não costuma dar tempo de transar várias vezes com a mesma pessoa, entender como se faz a intimidade e, assim, terem mais prazer os dois juntos. Muito comedor não sabe, mas a primeira trepada geralmente não é bem aquelas coisas. E duvido que a reputação da quantidade de conquistas seja mais importante que a de performance. Transar bem é importante, pessoal.

Será que quando a gente incentiva nossos moleques a pegarem o maior número possível de meninas, não está contribuindo para que eles deixem as relações legais mesmo passarem? O sexo é focado no que você diz que fez ou no que efetivamente viveu?

Djamila Ribeiro falou disso em sua coluna na Folha: homem consome mulher, não aprecia. Djamila pergunta se isso não explica também o número enorme de mulheres hétero que estão por aí dizendo que não sabem ainda o que é um orgasmo. Se não sabem o que é um orgasmo, que dirá dos múltiplos. Cadê os comedores para fazer uma mulher gozar uma ou oito vezes? É legal também botar essa no currículo.

De novo: sexo é bom, variar o número de parceiros antes de casar me parece lógico (para homens e mulheres). Transar com metade das pessoas que conhece, infelizmente, não é garantia de performance sexual campeã.

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