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Ana Canosa

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

'Parceiro âncora' parece porto seguro mas prejudica vida afetiva. Entenda

fizkes/Getty Images/iStockphoto
Imagem: fizkes/Getty Images/iStockphoto
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Ana Canosa

Ana Canosa é psicóloga clínica, sexóloga, professora, escritora e comunicadora. Apresenta o podcast Sexoterapia, em Universa/UOL. Sendo há 28 anos testemunha das mais diferentes histórias afetivas, é categórica em afirmar que muitas vezes, só o amor não é suficiente. Fala de sexualidade desde que se entende por gente, unindo seus estudos acadêmicos com a experiência clínica e seu olhar de observação do mundo.

Colunista de Universa

08/01/2022 04h00

Se você gosta de sexo e já teve mais de uma parceria, saberá avaliar, sem dúvida nenhuma, qual foi a mais motivadora. Tem relação com a tal 'química' (beijo bom, pele deliciosa, encaixe), com as necessidades do momento em que estiveram juntos e com a situação que vocês viveram (paixão; acolhimento; intimidade; diversão; descoberta; cura para a sua autoestima).

Nas relações de compromisso, embora o sexo seja um componente carnal, de prazer, ele também será afetado pela capacidade de um casal de serem verdadeiramente amorosos um com o outro. A gente só consegue contar fantasias sexuais, se não formos criticados, deixamos nosso corpo ser explorado com prazer, quando sabemos que a outra pessoa não nos violará. Existem alguns comportamentos da parceria que ajudam o relacionamento a ser mais pleno. Outros, no então, são prejudicais para desenvolvimento de uma vida afetiva mais satisfatória.

Talvez a relação não tenha sido mais do que sexual, já que faltou disposição interna para amar e seguir em compromisso. Porque nem todo sexo vira amor; aliás, mesmo que você esteja casado com alguém, fazendo um sexo incrível e conectado, pode ser que perceba que o amor não esteja presente - talvez o sentimento, a ternura, o querer bem - mas não essa grande escolha e disposição de ir ao encontro da inteireza do outro, com profundidade, a parte mais difícil de fazer.

Um parceiro que está disposto a ter crescimento pessoal e a estimular o melhor da sua parceria, elogia, estimula, motiva. É um tipo de pessoa que eu chamo de "balão", coloca o outro sempre para cima. O amor é mais fácil de crescer nesse solo.

Se o amor e a confiança atravessam o sexo, não há por que fingir orgasmo para agradar ou acabar logo a relação.

Há quem faça um estilo neutro, distante, que você nunca sabe realmente o que pensa a seu respeito, sobre o sexo de vocês, seus desejos. Esse comportamento costuma provocar raiva e insegurança, o que não ajuda na espontaneidade entre um casal.

Talvez, o perfil que mais atrapalhe o crescimento do amor na atividade sexual de um casal é o das pessoas que estão aprisionadas em seus medos e querem ter controle sobre a parceria. Um mecanismo comum é o de provocar insegurança, mitigando a autoestima e tornando a parceria e descrente das próprias habilidades e potencialidades.

São as pessoas âncora, que não permitem movimento, que podem parecer, a priori, uma espécie de porto seguro para a sua tormenta interna, mas que ao em vez de conduzir a pessoa para um caminho amoroso sexual, faz o contrário.

3 sinais de que a pessoa está sendo uma a?ncora em sua vida afetiva

Fique atenta para esses sinais que podem revelar esse tipo de comportamento:

1. Tudo que você faz não é suficiente
Ou está errado. Você conta que foi a um sex shop e recebe uma crítica, você compra uma roupa e recebe uma torcida de nariz, você mostra um resultado positivo de uma prática sexual que fizeram e a outra pessoa faz questão de relativizar, deixando claro que não foi um feito só seu ou que você não fez mais nada do que a sua obrigação.

Muitas vezes esse perfil é lobo em pele de cordeiro, ou seja, primeiro elogia e logo em seguida crítica, ou ao contrário, critica e depois assopra, mas o efeito devastador é sempre o mesmo. É uma frustração em cima da outra e o risco é a relação virar uma dinâmica viciada na qual você passa a se preocupar em agradar o outro e a esperar o dia em que ele finalmente reconhecerá a sua importância. Esquece, isso dificilmente acontecerá.

2. Você não consegue falar
Porque, na verdade, os assuntos do outro são sempre mais importantes, afinal é ele quem sofre, é ele que passou por esses problemas na vida, é ele que sabe da dor, é ele que precisa de mais frequência, de mais carinho, de práticas sexuais especificas para saciar seus desejos. Você é vista como "uma pessoa de sorte e que não entende a necessidade afetiva dele". Oi?

Esse tipo de âncora não só se faz de vítima: muitas vezes se coloca como superior. Você começa a contar que ouviu um relato sexual interessante e o outro sempre já sabe, ou sabe melhor, ou já viveu isso, ou fez uma experiência mais incrível e chama para si toda a atenção. Em uma relação assim você se torna invisível e a cumplicidade não existe.

3. Ele te protege tanto...
... Que implica com tudo, das roupas às suas amigas e se faz de salvador da sua vida.

Geralmente são possessivos e controladores, mas não assumem de cara. Gostam que os parceiros sejam dependentes deles.

Esse tipo de âncora vai minando a sua segurança, afastando você das pessoas à sua volta, e não permite que as suas fantasias sexuais sejam exploradas.

O sexo tende a ser totalmente direcionado a práticas que garantam a sua submissão. Quando você se dá conta já não sabe do que gosta porque se despersonalizou.

Conselho: fuja de qualquer dos três perfis enquanto é tempo!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL