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Balé no ar: como 1.800 drones formaram globo terrestre nas Olimpíadas

Mais de 1.800 drones se juntaram para formar um globo terrestre na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de 2020 - Divulgação/COI
Mais de 1.800 drones se juntaram para formar um globo terrestre na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de 2020 Imagem: Divulgação/COI

Felipe Oliveira

Colaboração para Tilt

24/07/2021 09h19

Uma das cenas que mais chamaram atenção durante a abertura das Olimpíadas de Tóquio 2020 foram os drones formando um globo terrestre no céu do Estádio Olímpico da capital do Japão. Os 1.824 drones deram um toque especial e a formação pode ser vista a quilômetros de distância.

Essa não é a primeira vez que drones são utilizados durante a abertura de jogos olímpicos. Na cerimônia da Olimpíada de Inverno de Pyeongchang, na Coreia do Sul, em 2018, um conjunto de 1.218 drones iluminou o céu no formato dos anéis olímpicos.

Mas como esse espetáculo foi feito? O que é necessário calcular para que nada saia do planejado? Tilt responde essas e outras questões nos próximos parágrafos.

Não são drones comuns

Primeiramente, é preciso saber que os drones utilizados para montar o globo terrestre no céu de Tóquio são diferentes dos comuns que costumamos utilizar para fazer filmagens ou tirar fotos.

Eles possuem quatro hélices, como muitos dos comercializados hoje em dia, mas uma particularidade chama atenção: esses drones possuem um design diferente que permite que eles fiquem planando no céu ou fazendo um movimento para que suas luzes de LED o transformem numa espécie de "painel voador".

A empresa responsável pelo espetáculo em ambas as Olimpíadas foi a Intel — a mesma que fabrica os processadores das maiores dos computadores que usamos em casa, e que, inclusive, desenvolveu um software próprio para fazer os planejamentos de voo dos drones.

São dois tipos de drones especiais: o premium, capaz de se apresentar por 11 minutos, possui quatro LEDs, pesa 340 gramas e suporta ventos de até 11 metros por segundo.

Já o modelo clássico tem capacidade de 8 minutos de apresentação e contém apenas um LED principal. Pesando 310 gramas, ele suporta ventos de até 7 metros por segundo. Nem a Intel, nem o Comitê Olímpico Internacional (COI) divulgaram quais foram os drones utilizados em Tóquio.

Segundo o site da Intel, uma apresentação com 500 drones premium custa US$ 299 mil (cerca de R$ 1,55 milhão na cotação atual). Já uma apresentação com 300 drones clássicos sai por US$ 149 mil (R$ 774 mil).

Software especializado

E não são apenas os drones que precisam ser especiais para se fazer um espetáculo no céu. Como não são pilotados de maneira comum, é preciso que eles sejam programados por meio de um software desenvolvido pela Intel.

"A Intel desenvolveu um software específico de animação para eles, onde é possível fazer toda animação e o mapeamento para cada drone. Imagine que os drones vão funcionar como os pixels de computador. O programador mapeia, faz a sequência, monta toda a apresentação e, quando dá o play, cada drone sobe e sabe exatamente seu posicionamento", explica o cientista da computação Daniel Gatti, diretor da Faculdade de Ciências Exatas e Tecnologia da PUC-SP.

De acordo com a Intel, o software permite que um único computador seja capaz de gerenciar milhares de drones, "desde a configuração de cercas geográficas até a execução de verificações de frota antes dos voos".

O professor destaca que um dos cuidados que os programadores devem ter no momento de fazer o mapeamento dos dispositivos voadores é a velocidade do vento, já que existe uma limitação especificada para cada um dos produtos.

"É preciso de uma área separada no solo, primeiramente, para que os drones possam subir cada um na sua posição e não haja problemas iniciais. Imagine que você vai subir 500 drones! Eles devem estar no chão já posicionados, por isso é necessário uma grande área para esse posicionamento inicial", destaca Gatti.

Repercussão na internet

O espetáculo no céu de Tóquio chamou atenção das pessoas que moram ao redor do Estádio Olímpico.

Fogos de artifício para quê?

Com objetivo de reduzir a poluição, mais de 400 cidades da China proibiram fogos de artifício. E desde então a utilização de drones para espetáculos de luzes tem se tornado mais recorrentes no país.

Espetáculos com mais de mil drones que compõem formas animadas em 3D e outras imagens foram realizadas para celebrações em todo o país.

Entre as empresas que estão lucrando com a tecnologia está a EHang, que foi contratada para várias apresentações e, no processo, chegou a bater o recorde do número de aeronaves em uma única exibição, com pouco mais de 1.300 drones.

Contudo, a própria Intel já bateu essa marca, inclusive no voo da abertura dos jogos olímpicos. Atualmente, o recorde é da empresa de veículos Genesis, da Hyundai, que utilizou 3.281 drones para celebrar sua chegada à China em março deste ano.