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Pergunta pro Jokura


Qual é a cirurgia mais perigosa que existe? Ela tem um nome bem complicado

Cirurgias são, em geral, seguras, mas existe uma bem arriscada - Getty Images
Cirurgias são, em geral, seguras, mas existe uma bem arriscada Imagem: Getty Images
Tiago Jokura

Tiago Jokura é jornalista e, portanto, curioso profissional. Passou os últimos 15 anos respondendo as dúvidas mais complexas e inusitadas dos leitores na mídia impressa ? na tentativa infinita de explicar como o mundo funciona com clareza e bom humor. Agora, continua essa saga aqui no UOL. Mande sua pergunta cabeluda que ele faz questão de pentear.

18/11/2019 04h00

Pergunta de Maria Júlia Lippel, de Curitiba (PR) - quer enviar uma pergunta também? Clique aqui.

Maju, querida, primeiramente lhe desejo saúde. De acordo com um estudo publicado no periódico científico The Lancet, 313 milhões de cirurgias de grande porte são realizadas anualmente no mundo.

Os autores da pesquisa estimam que, desses pacientes, 4,2 milhões morrem em até 30 dias depois do procedimento - número que representa 7,7% das mortes globais anuais, terceira maior causa mortis depois de ataques cardíacos e AVCs.

Ainda de acordo com o estudo, as mortes anuais em pós-operatório são mais numerosas que as causadas em decorrência de Aids, malária e tuberculose juntas (2,97 milhões). Embora seja um número grande, 4,2 milhões de mortes em 313 milhões de procedimentos indica uma taxa de mortalidade relativamente baixa: 1,34%.

Depois dessa numeralha toda, acredite, Maju, minha intenção era mostrar que apesar dos riscos envolvidos em toda a cirurgia, não há motivo para ter medo de entrar na faca. "Via de regra, os médicos optam por operar quando esta é a melhor opção, a que tem mais chance de solucionar ou controlar o quadro clínico do paciente", explica Gilton Marques, cirurgião do aparelho digestivo do Hospital Sírio-Libanês.

Marques também ressalta que os riscos aumentam quando a operação é de emergência. "Em cirurgias eletivas, médicos e pacientes tomam a decisão juntos, marcam a data e vão para o centro cirúrgico nas melhores condições possíveis. Quando a intervenção é emergencial, a urgência do momento, a imprevisibilidade e outros fatores podem complicar o procedimento", relata o médico.

"Não podemos esquecer, também, que o risco da cirurgia depende muito da condição clínica do paciente. Uma cirurgia simples, em um paciente com mais idade e com outras complicações, pode ser mais perigosa do que uma cirurgia complexa em um paciente jovem e sem outras doenças associadas", completa.

Para matar o assunto —com o perdão do trocadilho, Maju—, embora não exista um ranking mundial com os procedimentos mais mortais ou arriscados, o doutor Gilton nos ajudou citando uma cirurgia cujo índice de mortalidade supera, e muito, o índice de mortalidade que citamos no início deste post.

A cirurgia é tão casca grossa que o nome dela é um palavrão quase impronunciável: hepatopancreatoduodenectomia (HPD). Trata-se da retirada do duodeno e de parte do pâncreas e do fígado ao mesmo tempo, no mesmo procedimento.

Essa cirurgia é realizada em casos de tumores que acometem, simultaneamente, o fígado e o pâncreas. A taxa de mortalidade da HPD no Brasil é de 34% —ou seja, uma morte para cada três pacientes. Nos EUA, a situação é só um pouquinho melhor, com 26% de mortalidade.

Mas não precisa se desesperar: a remoção também pode ser feita por partes, com cada órgão sendo retirado em um procedimento separado, reduzindo a mortalidade para abaixo de 8%.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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