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Com sangue novo e ação explosiva, Gears 5 quebra as barreiras da série

Renato Bueno

Do START, em São Paulo

17/09/2019 13h33

"Gears of War" mudou, e não foi só no nome. "Gears 5" (PC, Xbox One) traz ajustes nas armas, árvore de habilidades para seu robozinho Jack, uma campanha extensa, dividida em atos e espalhada por mapas abertos, e uma história mais contemplativa, na medida do possível. É o "Gears" mais vivo, dinâmico e diferente (ou "millennial") desde que a série surgiu, em 2006.

Pode ser uma exigência de mercado, já que as empresas hoje disputam não só as vendas mas, principalmente, a nossa atenção. E também pode ser fruto da liberdade criativa que o estúdio The Coalition teve depois de entregar um "Gears of War 4" correto, mas sem grandes invenções.

Pra onde vamos?

Kait Diaz precisa encarar o seu passado e tomar decisões difíceis daqui pra frente - Reprodução
Kait Diaz precisa encarar o seu passado e tomar decisões difíceis daqui pra frente
Imagem: Reprodução

Kait Diaz, que teve papel de coadjuvante no jogo anterior, agora dá um passo à frente. Depois do escandaloso "cliffhanger" de "Gears 4", ela agora é a protagonista e cumpre muito bem o papel, alternando sarcasmo, raiva e palavrões quando não está sendo atormentada pelos fantasmas de um passado nem tão distante. Lembra dela naquele trailer ao som de Billie Eilish? Não era gratuito.

Velhas figuras dão as caras e têm participações importantes. JD Fenix, goste ou não dele, apronta das suas e sofre com a (des)aprovação do pai, Marcus, que está sempre presente nos grandes acontecimentos. Até o mau humor de Baird contribui para você ter certeza de que, sim, estamos em casa e entre amigos. Se ainda tiver dúvidas, é só ouvir aquele acorde de guitarra que indica que acabaram os inimigos, ou o reconfortante efeito sonoro de "missão cumprida", com o objetivo sendo riscado na tela.

As semelhanças com os jogos anteriores, porém, vão até a primeira tela de morte, com a lendária gelatina de morango na tela. As diferenças começam a tomar força a partir do segundo ato.

Gears 5 mostra que a luta pela sobrevivência humana pode até ser brutal e impiedosa, mas que você não precisa fazer cara de mal o tempo inteiro

Um pequeno mundo aberto

O Bote vende a ideia de liberdade, quase como uma propaganda de carro - Divulgação
O Bote vende a ideia de liberdade, quase como uma propaganda de carro
Imagem: Divulgação

Enquanto o Ato I é um "Gears pra quem nunca jogou Gears", e o Ato IV acelera pra fechar a conta, os Atos II e III trazem as principais novidades e acontecimentos do jogo.

Você vai aprender que cada arma agora tem um recuo diferente, que os inimigos podem sofrer dano crítico em partes específicas do corpo, e que você agora não sabe mais viver sem o robozinho Jack, que é um "sidekick" sem tanta personalidade, mas que salva a pátria com flashbangs, armadilhas e escudos quando tudo parece perdido. O tiroteio está mais imprevisível, bem diferente da monotonia que era comum em trechos dos jogos anteriores.

A bordo do bote, exploramos um mundo aberto, mas cheio de fronteiras. As referências aí são tantas, que dependem muito da bagagem pessoal: enquanto amigos viram influência de "Metro Exodus" e do último "God of War" (2018), eu lembrei bastante dos deslocamentos em "Borderlands 2" e de alguns momentos de "Tomb Raider". Se "Gears 5" não teve medo de abraçar referências diversas, nem todas se encaixaram tão bem aqui.

Foi interessante descobrir lugares secretos e armas lendárias quando saí dos trilhos da missão principal, mas os cenários de gelo e areia, na maior parte do tempo, não guardam tantos mistérios assim e proporcionam uma navegação tortuosa - você vai dar de cara na parede, errar entradas e repetir caminhos com mais frequência do que gostaria. Também foi nesses trechos que meu Xbox One (edição padrão) começou a dar sinais de idade da atual geração. Pequenos cortes e trechos de terreno "desencaixando" aconteceram quando eu acelerava muito - e se você vai jogar no PC, confira as dicas para um melhor desempenho.

Foi interessante descobrir lugares secretos e armas lendárias quando saí dos trilhos da missão principal, mas os cenários não guardam tantos mistérios assim

Quando tempo você tem?

Execuções e aquela ajuda camarada do Jack - Divulgação
Execuções e aquela ajuda camarada do Jack
Imagem: Divulgação

Além da campanha, "Gears 5" tem vários modos multiplayer, todos cuidadosamente criados para fazer sentido na época frenética de Fortnites e Free Fires: rankings, missões temporárias, skins, sinais de exclamação brotando na tela, mapas da semana e, lógico, conquistas "quase impossíveis" que vão ligar essas pontas e exigir paciência e ajuda dos amigos.

É o que um jogo desse porte precisa ter para sobreviver hoje em dia. Por melhor que seja a campanha e por mais lindos que sejam os cenários ou mais cativantes que sejam os personagens, você não vai muito longe se não trouxer milhões de pessoas e convencê-las a voltar amanhã, e depois de amanhã. Mas quem tem tanto tempo?

Ao jogar a campanha pela primeira vez, você percebe que a ação ainda se sobrepõe à narrativa. Alguém te chamou de fascista, e você queria entender melhor, mas está começando um tiroteio agora e não dá tempo de pensar. Depois de muito tiroteio, idas e vindas, você conseguiu abrir uma porta e tentou lembrar qual era o objetivo... e só então lembrou que era uma missão secundária sem tanta ligação com a campanha principal. Tudo isso distrai e atrapalha a compreensão do drama de Kait e das motivações envolvidas, mas espero que faça mais sentido em uma segunda vez, para a qual não sei se terei tempo.

"Gears 5" soube amadurecer com o tempo e com as lições dos jogos anteriores para arriscar em novas direções. Habilitou opções de assessibilidade para atender a um público mais amplo, que talvez esteja chegando agora, criou uma experiência mais aberta e recheada de distrações, deu motivos para você jogar de novo, chamando os amigos e aumentando o nível de desafio.

É um espetáculo visual, uma arena de ação em proporções épicas, tudo orquestrado com muito esmero. Nesse universo brutal em que humanos lutam para sobreviver contra criaturas monstruosas nada simpáticas, um pouco de variedade e sangue novo fizeram toda a diferença.

Ao jogar a campanha, a ação se sobrepõe à narrativa. Alguém te chamou de fascista, e você queria entender melhor, mas está começando um tiroteio agora e não dá tempo de pensar

Gears 5

Divulgação
Imagem: Divulgação
"Gears 5" derruba as barreiras da série nascida em 2006, absorvendo tendências modernas de RPG, mundo aberto e outros jogos multiplayer. Ele traz uma protagonista mulher e história de cunho político, aberta a interpretações. Com cenários mais amplos e mundo quase aberto que convida à exploração, "Gears 5" mostra que a luta pela sobrevivência humana pode até ser brutal e impiedosa, mas que você não precisa fazer cara de mal o tempo inteiro.

Lançamento: 10/09/2019
Plataformas: PC, Xbox One
Preço sugerido: R$ 199 (versão Standard), R$ 269 (Ultimate)
Desenvolvimento: The Coalition
Produtora: Xbox Game Studios

Nos modos online, a diversão foi maior com a Horda, testando habilidades dos heróis e jogando de Jack para salvar a galera. Encontramos tanto novatos quanto veteranos que estavam empolgados e realmente colaborando com a equipe. Jás nos modos Fuga e Versus foi difícil encontrar muitas partidas. Voltaremos aos modos online com mais atenção em futuras reportagens.

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