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Luciana Bugni

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Levi pode mexer com mulheres fora da tela, mas é um abusador

Maria Bruaca (Isabel Teixeira) com Levi (Leandro Lima) em "Pantanal": ele é violento - Reprodução/TV Globo
Maria Bruaca (Isabel Teixeira) com Levi (Leandro Lima) em "Pantanal": ele é violento Imagem: Reprodução/TV Globo
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Luciana Bugni

Luciana Bugni é gerente de conteúdo digital dos canais de lifestyle da Discovery. Jornalista, já trabalhou na "Revista AnaMaria", no "Diário do Grande ABC", no "Agora São Paulo", na "Contigo!" e em "Universa", aqui no UOL. Mora também no Instagram: @lubugni

Colunista do UOL

08/06/2022 04h00

Levi (Leandro Lima) vem levantando a libido da mulherada no sofá na hora de Pantanal. O rapaz, muito bonito, forte e um pouco bronco é o que se espera do estereótipo de um peão. E essa classe de profissionais do laço que comanda a boiada tem um lugar cativo no coração das mulheres, estejam elas na tela ou fora dela. Mas Levi tem uma questão: ele não é simplesmente um homem bruto, ele é violento.

Na novela, sempre que ele pega Muda (Bella Campos), rola uma resistência por parte da garota. Às vezes porque ela teme que alguém veja, mas no fundo quer. Mas já teve episódio em que ela realmente lutou fisicamente com Levi para que ele a largasse e teve que ser protegida por Tibério (Guito). O capataz chegou a brigar com o rival e acabou levando uma facada quando o rendeu. Ou seja: boa gente Levi não é.

Mas quando ele aparece na tela, as mulheres não se preocupam muito com isso. As cenas em que Maria Bruaca (Isabel Teixeira) e ele tiveram uma relação sexual quente foram muito bem recebidas pelo público. Maria é desprezada pelo marido, que lhe deu o apelido pejorativo. É natural que haja torcida por ela. Mas precisa ser com um cara que acabou de tentar forçar outra a fazer sexo com ele?

É comum a confusão entre "homens de pegada" e homens de fato violentos. Nós mulheres, confessamos nos sentir atraídas pelo cara gato com pegada — quem se importa com o que ele fez com Muda quando ele está literalmente beijando os pés de Maria? Deveríamos nos importar. O homem que força a barra para transar com a mulher que "está querendo" quando diz que não quer pode fazer a mesma coisa quando ela disser que não quer porque realmente não está interessada, seja qual for o motivo.

Em outra cena, Muda cede à pegada de Levi reclamando que ele às vezes é violento. Vem a desculpa clássica do macho: "é que eu sou desse jeito". Ela diz que não adianta ele pedir desculpas e fazer de novo — mas dá para ver que está toda derretida. Ele garante que não fará mais. Um relacionamento abusivo desenhadinho.

Não tem nada demais um sexo meio violento se ambas as partes estiverem querendo aquilo. Aí entra o consentimento. E faz parte do jogo ficar atento: a mesma mulher que há meia hora estava querendo pode ter mudado de ideia.

Tibério, aliás, tem uma postura exemplar. Pergunta para a amada se ela quer ir com o inimigo. "Ela só vai com você se ela quiser", ele afirma. Ela garante que não quer ir. Assim, ele não está apenas defendendo a mulher como costumamos ver nesse tipo de duelo, como propriedade. Na verdade, está defendendo a mulher como a vê: um ser humano que merece respeito. Ser um peão bruto nem sempre quer dizer violentar quem se deseja.

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