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Marcelo Adnet mostra que precisa de pouco até para ridicularizar Bolsonaro

Adnet achincalha o governo com humildade - Reprodução/Globoplay
Adnet achincalha o governo com humildade Imagem: Reprodução/Globoplay
Chico Barney

Entusiasta e divulgador da cultura muito popular. Escreve sobre os intrigantes fenômenos da TV e da internet desde 2002.

Colunista do UOL

21/05/2020 13h47

Neste momento em que a grande maioria das produções de entretenimento da Globo encontra-se em hiato, como consequência do isolamento social para diminuir a disseminação do coronavírus, Marcelo Adnet estreou um humorístico diário no Globoplay, diretamente do aconchego do lar.

Com esquetes curtas, especialmente a respeito do noticiário político, Sinta-se em Casa prova mais uma vez que Adnet nunca precisou de superproduções. Muito bem amparado pela inteligência da abordagem e do talento como imitador, um relevante panorama dos tempos de Covid-19 vai sendo traçado.

E é claro que o principal alvo são as situações absurdas promovidas pelo governo Bolsonaro. Não raro, os diálogos sequer precisam das tintas mais fortes da paródia para se tornarem patéticos, como no episódio desta semana que recriou o vídeo de despedida de Regina Duarte da Secretaria Especial da Cultura.

A captação é caseira e não existem muitos elementos na construção dos tipos. Trata-se do mesmo minimalismo do seu começo de trajetória na televisão, quando brilhava no programa 15 minutos da MTV —cujo cenário remetia justamente ao quarto de um pós-adolescente carioca.

O sucesso da empreitada deixa claro que Marcelo Adnet precisa de pouco suporte cênico para brilhar. E muitas vezes foi atrapalhado por estruturas que roubavam o protagonismo do que importa, que é a visão de mundo de um artista sensível.

Basta lembrar como pareciam inadequados os exageros do Adnight, tentativa de talk show noturno. Eram tantos elementos sobrando que o público precisava de paciência e obstinação para conseguir fruir do talento do condutor.

Humor diário é um desafio, e está sendo cumprido com brilho. Ouso dizer que é o melhor projeto do gênero na Globo desde a estreia daquele poeta no programa da Fátima, que também exibe o formato como quadro.

Com simplicidade e pragmatismo, fugindo das amarras megalomaníacas típicas da emissora, Adnet mostra que não precisa de muito para achincalhar o governo Bolsonaro. Afinal de contas, os excessos já estão todos no lado de lá.

Voltamos a qualquer momento com novas informações.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL