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Em volta ao mundo de Vespa, grego encontrou o amor e veio parar no Brasil

Stergios Gogos e sua Vespa no Salar del Uyuni, na Bolívia - Arquivo pessoal
Stergios Gogos e sua Vespa no Salar del Uyuni, na Bolívia
Imagem: Arquivo pessoal

Marcel Vincenti

Colaboração para Nossa

06/06/2022 04h00

Em 2006, o grego Stergios Gogos (@worldvespa) comprou uma Vespa para poder ir com mais rapidez ao seu emprego. Mal sabia ele que, com a moto, iria conseguir chegar ao outro lado do mundo.

"Eu trabalhava em restaurantes na Grécia. E a Vespa era bem prática para eu me locomover no dia a dia", conta ele. "Mas, de repente, percebi que ela poderia ser um bom meio de transporte para minhas férias. E, ano após ano, comecei a fazer viagens pela Europa com o veículo, para países como Áustria, Rússia e Noruega".

Com o bom desempenho da moto nestas jornadas estradeiras, Stergios foi além. Em 2013, a Grécia estava passando por uma terrível crise econômica. O viajante perdeu seu emprego e, com suas economias, resolveu realizar uma grande viagem pelo mundo.

O primeiro destino desta nova etapa foi a África: no mesmo ano, ele colocou a Vespa em uma embarcação em um porto grego e os dois navegaram primeiramente até a Itália e, depois, até o Marrocos.

Viajante em estrada na República Democrática do Congo - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Viajante em estrada na República Democrática do Congo
Imagem: Arquivo pessoal

De lá, começou uma aventura que durou 15 meses e atravessou por terra o continente africano, cruzando locais como o deserto do Saara, regiões de selva de Gana e Camarões, vilarejos remotos da Nigéria e Burkina Faso, rios da República Democrática do Congo e praias de Togo e África do Sul.

E a moto virou a casa de Stergios, levando uma barraca de camping e equipamentos de cozinha que permitiam que ele dormisse em quase qualquer lugar ao longo do percurso.

No trajeto, a Vespa enfrentou vias de terra esburacadas cercadas por selvas, teve que ser embarcada em precárias embarcações para cruzar rios e foi abastecida em postos de combustível onde a gasolina era vendida em garrafas de bebida alcoólica. Deslize a galeria abaixo e veja imagens dessa aventura:

E a moto, logicamente, teve problemas, com pneus furados e algumas quebras - mas nada que não pudesse ser consertado.

A viagem, por outro lado, foi cheia de recompensas.

Ao passar por cidades e vilarejos africanos, Stergios foi muito recebido pelos moradores locais e, na estrada, se deparava constantemente com lindas paisagens, de praias selvagens na costa ocidental africana aos horizontes montanhosos incríveis de Lesoto.

Um amor no caminho

Ao chegar ao coração do continente africano, Stergios começou a viver uma história de amor. Na República Democrática do Congo, conheceu a antropóloga grega Alexandra Fefopoulou, que se encontrava no país para fazer um trabalho de pesquisa.

Passei um tempo com ela e nos aproximamos muito. Fui embora e, sem planejar, me deparei com ela novamente na África do Sul. Convidei ela para viajar comigo na moto, rodamos pela África do Sul e não nos separamos mais".

A partir deste momento, eram duas pessoas mais dezenas de quilos de bagagem em cima da Vespa.

Stergios, Alexandra e sua Vespa muito carregada com bagagens - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Stergios, Alexandra e sua Vespa muito carregada com bagagens
Imagem: Arquivo pessoal

"Conseguimos nos organizar para levar nossas malas e equipamentos de camping sobre a moto, que aguentou muito bem o desafio", conta ele. "Mas a moto fica parecendo um burrinho carregando um monte de carga na estrada".

E, ao terminar seu trajeto na África, o casal escolheu a América do Sul como seu próximo destino.

Em 2014, colocaram a Vespa em um avião cargueiro na África do Sul, que a trouxe até Buenos Aires. A partir daí, começou uma longa viagem pelo território sul-americano, através de países como Chile, Bolívia e Peru.

Carretera Austral, no Chile - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Carretera Austral, no Chile
Imagem: Arquivo pessoal

Em 2016, porém, quando o casal estava no Brasil, o dinheiro acabou — e eles precisaram voltar para a Grécia.

"Deixamos a moto com amigos em São Paulo e retornamos para nosso país para trabalhar e juntar dinheiro para continuar a viagem. Acabamos ficando mais de dois anos na Grécia. Foi só no começo de 2019 que conseguimos voltar ao Brasil e ter um reencontro com a Vespa".

De volta às duas rodas

Frio congelante, ventos fortes e falta de ar no Peru - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Frio congelante, ventos fortes e falta de ar no Peru
Imagem: Arquivo pessoal

Após este regresso ao território brasileiro, os viajantes e sua moto atravessaram as paisagens urbanas da cidade de São Paulo e desbravaram o Sudeste e o Centro-Oeste para ir até o Paraguai.

Viajar de Vespa pelo interior do Brasil em pleno verão, porém, foi complicado para os dois europeus. "Alguns dias na estrada foram infernais. Temperaturas extremas e o sol fortíssimo nos deixaram com desidratação e dor de cabeça. Até a moto sofreu e não funcionou direito", relata Stergios.

Os dois, entretanto, se encantaram com muitas paisagens brasileiras, como a natureza que existe em volta do rio Paraná.

De Vespa, eles então exploraram o Paraguai, ingressaram rapidamente na Argentina para chegar ao Uruguai e, após uma visita ao país de Pepe Mujica, retornaram ao território argentino, onde visitaram lugares como Buenos Aires, Mendoza e áreas montanhosas dos Andes na fronteira com o Chile.

Vespa a cerca de 5.000 metros de altitude na Bolívia - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Vespa a cerca de 5.000 metros de altitude na Bolívia
Imagem: Arquivo pessoal

Foi nesta fase na viagem, nos primeiros meses de 2020, que a pandemia mudou tudo.

"De repente, a Argentina fechou suas fronteiras e ficou muito difícil circular com a moto. Resolvemos parar momentaneamente e ficar na Argentina", conta Stergios.

Sem jamais considerar cancelar sua aventura e voltar novamente para a Grécia, o casal acabou permanecendo no país sul-americano por dois anos, até os primeiros meses de 2022.

Mas agora, com a retomada das viagens, eles já estão com mil planos. Da Argentina, a ideia é seguir para o norte, para chegar ao México e, talvez, até o Alasca.

Esta Vespa já cruzou 46 países. E nosso objetivo é continuar desbravando novos territórios com ela. Mas isso pode levar anos, porque não estamos com pressa".