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Sonha em conhecer a Islândia? Brasileira conta como explorou o país sozinha

Bárbara no lago Jökulsárlón, na Islândia - Bárbara Mendes
Bárbara no lago Jökulsárlón, na Islândia Imagem: Bárbara Mendes

Priscila Carvalho

Colaboração para Nossa

07/07/2021 04h00

Cavalos exóticos, cachoeiras, vulcões e paisagens de tirar o fôlego. Foi com essas cenas que a tradutora e viajante Bárbara Mendes (@avidadebabi) passou aproximadamente um mês na Islândia.

Depois de ver um vídeo na internet, ela começou a guardar dinheiro e se programou para visitar o país gelado. Como não tinha ninguém para acompanhá-la, decidiu ir sozinha e encarou o lugar inóspito. "Ninguém queria ir e tinham outras prioridades. Já fazia uns seis anos que queria ir, juntei uma grana e fui assim mesmo", relembra.

Por ser um país que não está na lista dos mais baratos, o lugar ainda é pouco explorado e com paisagens intocadas. Em contrapartida, para quem não é amante de temperaturas baixas, visitar o local pode ser bem frustrante. Bárbara chegou a pegar sete graus negativos durante sua estadia.

Paisagem da Islândia - Bárbara Mendes - Bárbara Mendes
Paisagem da Islândia
Imagem: Bárbara Mendes

Mas isso não foi impeditivo para que ela acordasse cedo, dirigisse milhares de quilômetros e explorasse diversos pontos turísticos. "Eu levei roupas que aqueciam bem e teve dias que cheguei a pegar 17 graus. Oscila muito", conta.

Sem banheiro e dirigindo sozinha

Como hotéis e até hostels são caros na região, a tradutora resolveu que iria se locomover e dormir o tempo todo dentro de um carro. Na época, ela alugou um veículo adaptado, com sofá-cama, pia e um fogareiro para viajar pelo país. "Era parecido com uma mini-van".

Barbara na Islândia - Bárbara Mendes - Bárbara Mendes
Barbara na Islândia
Imagem: Bárbara Mendes

Mesmo sozinha, ela não teve grandes problemas ao dirigir pelas estradas islandesas e estacionando nos pontos em que precisa dormir, comer e tomar banho. Antes de embarcar, Bárbara pesquisou alguns lugares que poderia abastecer, comprar comida ou que precisasse pedir ajuda.

Como o não existia um banheiro de fato no carro, ela comprava algo em uma loja de conveniência e pedia para usar o toalete do local. Mas quando não era possível parar em algum estabelecimento, ela se virava como podia. "Eu comprei aquele negócio, como se fosse um funil de silicone, que você acopla e faz xixi nele. Era assim que me virava", brinca.

Lagos quentes naturais com casinhas para chuveiros - Bárbara Mendes - Bárbara Mendes
Lagos quentes naturais com casinhas para chuveiros
Imagem: Bárbara Mendes

Já o banho era feito em uma das centenas de piscinas aquecidas que existem no país. A área possui estruturas para pessoas se lavarem, além de poderem relaxar em temperaturas quentes. E a prática é feita de um jeito curioso.

Quando você entra tem um cartaz que mostra um desenho do corpo humano e todo mundo fica sem roupa dentro das piscinas. Mas ninguém te olha.

Eu tomei banho de biquíni mesmo e só teve dois dias que fiquei sem banho. Os outros dias foram bem tranquilos", conta rindo.

Imprevistos na estrada

A Islândia de Bárbara Mendes

Mesmo a Islândia sendo um país super seguro para viajantes solo, a tradutora enfrentou algumas situações adversas. Uma vez durante a viagem, um idoso (que não falava inglês) tentou avisá-la que o pneu do carro não estava bom. Como não entendia islandês, ela seguiu o trajeto e teve uma surpresa: o pneu estava furado.

Como não sabia trocar e o carro ainda não vinha com um step, ela foi atrás de um borracheiro e por sorte, ela conseguiu trocar o acessório do carro e ainda sem pagar muito caro. "Ele não tinha o pneu na hora e teve que pegar de outro carro. Dois meses depois quando chegou a fatura, tinha dado 117 reais. Ou seja, ele cobrou só a mão de obra. Muito barato", diz.

Cachoeira de Svartifoss - Bárbara Mendes - Bárbara Mendes
Cachoeira de Svartifoss
Imagem: Bárbara Mendes

Uma outra vez, também dirigindo, ela entrou em uma via e quando foi ver só tinha um lago. Ao tentar voltar de ré, passou por cima de uma pedra e o carro virou.

Eu quase caí em uma ribanceira. Era uma estradinha muito reta. Por sorte, não caí", relembra.

Cachoeira de água doce

Uma das coisas que mais chamaram atenção durante a viagem pelo país foram as cachoeiras que, muitas vezes, permanecem quase intocadas. Algumas delas ficam congeladas em épocas específicas do ano.

Jökulsárlón - Bárbara Mendes - Bárbara Mendes
Jökulsárlón
Imagem: Bárbara Mendes

Uma das mais bonitas, segundo Bárbara, foi a Jökulsárlón, que em meados de maio começa a descongelar, proporcionando uma paisagem incrível.

O gelo começa a derreter e vai soltando em direção ao mar. Se você pegar o dedo e molhar na boca, dá para ver e sentir que é completamente doce", conta.

A cachoeira Seljalandsfoss também encheu os olhos da viajante. "Você consegue ver por trás e ver de dentro para fora e ainda não se molha. É possível ver o pôr do sol ainda. É muito lindo".

Ela também não deixou de visitar a Blue Lagoon, um dos pontos turísticos mais procurados e visitados por quem chega ao país. "Eu me dei de presente e ainda fiz máscara no rosto".

Blue Lagoon - Bárbara Mendes - Bárbara Mendes
A famosa Blue Lagoon
Imagem: Bárbara Mendes
Bárbara na Blue Lagoon - Bárbara Mendes - Bárbara Mendes
Bárbara na Blue Lagoon
Imagem: Bárbara Mendes

País caro para viajantes

Embora seja uma viagem com um custo alto, ela ressalta que o ideal é se programar financeiramente para visitar o país. O aluguel do carro, por exemplo, saiu por três mil euros (na época a moeda era vendida a quatro reais).

Hallgrímskirkja, ou Igreja de Hallgrímur - Bárbara Mendes - Bárbara Mendes
Hallgrímskirkja, ou Igreja de Hallgrímur
Imagem: Bárbara Mendes
Reykjavík vista da torre da Igreja de Hallgrímur - Bárbara Mendes - Bárbara Mendes
Reykjavík vista da torre da Igreja de Hallgrímur
Imagem: Bárbara Mendes

Toda a viagem saiu aproximadamente cinco mil euros, incluindo todas as despesas. Mas é possível economizar ainda mais. Para isso, é preciso pesquisar bem e planejar meses ou até anos anos antes. "Voltei com dinheiro sobrando e sabia que ia ser caro. Mas valeu a pena e foi uma viagem que me marcou muito".