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Quarentena revela o poder terapêutico e a redescoberta do amor pela cozinha

Cozinha se tornou área terapêutica durante período de isolamento na quarentena do coronavírus - Reprodução/Unsplash
Cozinha se tornou área terapêutica durante período de isolamento na quarentena do coronavírus
Imagem: Reprodução/Unsplash

Gustavo Frank

De Nossa

17/05/2020 04h00

Muito tempo em casa reflete, muitas vezes, em mais energia para gastar dentro de quatro paredes — os quarenteners com os seus quintais e varandas o que o digam. E a cozinha não fica de fora. É por lá que muita gente tem criado o próprio laboratório para se tornar um chef, mesmo que amador, durante o isolamento em tempos de coronavírus.

Basta abrir o Instagram, por exemplo, para encontrar fotos de pratos do café da manhã até o jantar. De duas uma: ou deixa a gente passando vontade ou, pelo menos, dá aquele empurrãozinho para botar a mão na massa.

Além do incentivo, o confinamento tem nos obrigado a usar criatividade e até a superar alguns medos, como o da panela de pressão, um dos episódios da relação com a cozinha de Ana Paula Ribeiro.

"Antes da quarentena, eu era uma pessoa de poucas receitas e já tinha aceitado que não levava jeito pra cozinha. Nas poucas vezes em que eu estava disposta a cozinhar, variava entre macarrão e arroz com ovo", diz ao Nossa.

"Entre erros e acertos, percebi o quanto fazer minha comidinha do zero tem sido bom para minha autoestima. Estou perdendo o medo da panela de pressão, criei uma lista de receitas que quero aprender e tenho até cebolinha e manjericão plantados em vasos", conta.

Ana e Rafael - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Ana Paula Ribeiro e Rafael Merino
Imagem: Arquivo Pessoal

Ana tem o namorado, Rafael Merino, como companheiro — ou, digamos, aliado — nessas descobertas gastronômicas.

"Sendo apenas nos dois no comando da cozinha um novo mundo se apresentou. Temos tempo para cozinhar no nosso ritmo, tempo para experimentar e errar e também tempo criar uma nova relação de aprendizado culinário com meus pais", conta. "Modéstia à parte, estou muito contente com o feijão que tenho feito".

Rafa e Ana - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Rafael e Ana Paula criaram seus dates na cozinha durante a quarentena
Imagem: Arquivo Pessoal

"Cozinhar une na quarentena"

Larissa Rosa - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
A estudante de Direito e jornalista Larissa Rosa, de 23 anos
Imagem: Arquivo Pessoal

A jornalista e estudante de Direito, Larissa Rosa, comprova: "cozinhar na quarentena se tornou uma atividade necessária". Ela vai ainda além: é ferramenta de união para praticar com quem está dividindo esse tempo — ou por que não sozinho?

"É muito bom preparar uma refeição desde o começo e ver o resultado. Depois de um tempo, a gente vai vendo que pode criar algumas coisas e não ficar presa às receitas. E também vai vendo que a comida não é só algo burocrático, que a gente faz porque precisa comer alguma coisa, é também uma forma de dar carinho para as pessoas que você gosta e para você mesma", conta ao Nossa.

"Como eu estou passando esse período de quarentena na casa da minha namorada, cozinhar é uma atividade que, além de necessária, é ótima para nos unir. A gente planeja as refeições, faz as compras e prepara tudo juntas", acrescenta ela, exibindo alguma de suas receitas, que vão desde risoto de abóbora na moranga até um simples, mas bem apresentado, omelete de forno com legumes, caponata de berinjela, brócolis e cenoura.

Risoto de abóbora na moranga - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Risoto de abóbora na moranga
Imagem: Arquivo Pessoal

Omelete de forno com legumes, caponata de berinjela, brócolis e cenoura - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Omelete de forno com legumes, caponata de berinjela, brócolis e cenoura
Imagem: Arquivo Pessoal

"Ter tempo anima a encarar desafios maiores"

Pedro Pinho - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
O fotógrafo Pedro Pinho se aproximou ainda mais da cozinha durante a quarentena
Imagem: Arquivo Pessoal

Pedro reservava os dons culinários para eventos especiais ou para os domingos "sem nada para fazer", embora a cozinha sempre o atraísse de alguma forma.

"Eu sou do tipo que tem balança na cozinha, então já cozinhava", conta. "Mas a quarentena deixou todo mundo com muito tempo livre e às vezes ando muito preocupado para assistir ou ler qualquer coisa, fico distraído e não consigo focar. No entanto, cozinhar é uma atividade que dá para se perder, colocar música alta e gastar bastante tempo fazendo as coisas com cuidado e carinho".

Pedro Pinho - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Pedro compartilha as receitas que faz com seus amigos nas redes sociais
Imagem: Arquivo Pessoal

Pedro Pinho - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Fotógrafo aproveita para resgatar receitas antigas e dar um toque pessoal para elas
Imagem: Arquivo Pessoal

Essa terapia na cozinha, para o fotógrafo, funciona por ser um "jeito de cuidar de si mesmo, fazer tudo exatamente do jeito que se gosta".

"Ter tempo anima a encarar desafios maiores. Fazer tudo do zero, tirar aquelas receitas mais trabalhosas da gaveta", opina. "Cozinhar nesses tempos te dá a chance de aprender a ter uma relação melhor com a comida, entender os ingredientes que podem ser aproveitados, não desperdiçar nada e cuidar melhor da sua saúde".

"A cozinha se tornou o lugar favorito da minha casa"

Elena Giordano - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
A italiana Elena Giordano com um bolo preparado durante a quarentena
Imagem: Arquivo Pessoal

A italiana Elena Giordano está usando os aprendizados de paciência e dedicação ao tempo na quarentena no que ela chama de "seu novo lugar favorito da casa".

"A cozinha hoje está relacionada a maior parte do dia", reflete. "Faz parte de um tempo que eu dedico para mim mesma e à minha criatividade, para permitir que eu possa comer algo gostoso que eu mesma fiz".

E a comida não trabalha sozinha nessa função. A música cria trilha-sonora para que a jovem faça as suas "comidas-alquimia" na cozinha, incluindo as tradicionais massas do seu país de origem.

"Eu costumava ser muito impaciente quando se tratava de preparar refeições, especialmente se fosse só para mim", relembra. "Eu não sabia por onde começar, quanto tempo a comida precisava para cozinhar e acaba ficando estressada. Agora tomo todo o tempo que preciso, ouço música e pratico meu lado criativo com a comida".

Elena Giordano - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Macarrão preparado por Elena
Imagem: Arquivo Pessoal

Elena Giordano - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Pratos mais fitness também não ficam de fora do cardápio caseiro
Imagem: Arquivo Pessoal