Topo

Guia Michelin dá 3 estrelas a franceses Arnaud Donckele e Dimitri Droisneau

O chef francês Dimitri Droisneau, do Villa Madie, um dos agraciados com três estrelas Michelin - Reprodução/Instagram
O chef francês Dimitri Droisneau, do Villa Madie, um dos agraciados com três estrelas Michelin Imagem: Reprodução/Instagram

da AFP, em Cognac, na França

23/03/2022 10h16

O guia gastronômico Michelin concedeu nesta terça-feira (22) três estrelas a dois chefs franceses, Arnaud Donckele em Paris e Dimitri Droisneau em Cassis, no sudeste da França, em uma cerimônia pública após dois anos de restrições por causa da covid-19.

Com essas duas novas premiações, o número de restaurantes com três estrelas — o prêmio máximo — na França chega a 31, um a mais que no ano passado.

Arnaud Donckele, de 44 anos, recebe seu prêmio devido a sua proposta culinária muito apegada ao "terroir" e aos pequenos produtores. Seu restaurante Plenitude está situado no interior das grandes lojas de luxo La Samaritaine, no coração de Paris.

Donckele já possuía três estrelas Michelin pelo seu restaurante em Saint-Tropez, ao sul do país.

Já Droisneau, de 42 anos, propõe uma culinária essencialmente mediterrânea em seu restaurante Villa Madie, em Cassis, de frente para o mar.

O chef argentino Mauro Colagreco, que já possui três estrelas Michelin, recebe outra estrela por seu novo restaurante, Ceto, em Roquebrune-Cap-Martin (sudeste), informou Michelin durante o evento, celebrado em Cognac, no oeste francês.

Colagreco foi premiado em 2019 melhor chef do mundo por um guia rival do Michelin, o britânico "50 Best", que elege todo ano os melhores restaurantes a nível mundial.

À frente do Mirazur, Colagreco também foi considerado nesse mesmo ano o melhor chef da França por seus pares.

"Quarenta e nove restaurantes subiram em todas as categorias, dos quais dois foram restaurantes com três estrelas (...). A cena gastronômica francesa demonstra sua incrível vitalidade e poder criativo", declarou o diretor do guia Michelin, Gwendal Poullennec, à AFP.

Do total de estrelas do renomado guia gastronômico, 80% são restaurantes fora da região parisiense, o que evidencia a resiliência de um setor muito afetado nos dois últimos anos, após vários períodos de fechamento obrigatório pela pandemia de covid-19.

Muitos restaurantes foram obrigados a fechar, como testemunha o guia Michelin, que nesta edição retira de sua lista grandes nomes que simplesmente deixaram de existir, como o restaurante do renomado chef Alan Ducasse no hotel Plaza Athenée, em Paris, ou La Table de L'Espadon, de duas estrelas, também na capital.

O restaurante Plenitude de Donckele, com três estrelas Michelin, é uma demonstração da renovação da culinária francesa, afirma Pouellennec.

Donckele é "um artesão, um professor que leva esse conceito ao limite, a ponto de virar de cabeça para baixo a relação entre molhos e comida. A comida se torna o condimento", considerou.

Em seu caso, "passar de zero para três estrelas não é uma novidade", acrescentou.

"Temos a capacidade de reconhecer os estabelecimentos e levá-los diretamente a três estrelas", afirmou.

Como é tradicional no guia exigente, a seleção é feita todo ano, com várias visitas de seus inspetores ao restaurante, sem importar sua classificação anterior.

Quanto ao Villa Madie, dirigido por Dimitri Droisneau na cozinha e sua esposa Marielle no restaurante, a proposta é "uma cozinha do sul com influências marítimas e todos os produtos vegetais".

"É uma cozinha muito aromática, com assinatura, é sutil e extremamente ressonante", afirmou o crítico chefe do Michelin.

No início de março, o guia anunciou que suspendeu suas atividades na Rússia por causa da guerra na Ucrânia.