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Londres quer isolar em hotéis quem voltar de países de risco de covid-19

A proibição não se aplica, porém, a cidadãos britânicos, nem aos residentes no país - Getty Images
A proibição não se aplica, porém, a cidadãos britânicos, nem aos residentes no país Imagem: Getty Images

27/01/2021 10h57

Londres se prepara para anunciar nesta quarta-feira (27), de acordo com a imprensa local, um endurecimento das medidas para evitar a importação de casos de coronavírus, impondo quarentenas em hotéis a britânicos, ou a moradores, que chegarem de zonas consideradas de risco, como a América do Sul.

Após a descoberta de uma nova cepa originada na Amazônia brasileira, o governo de Boris Johnson proibiu há duas semanas as chegadas de todos os países da América do Sul, além de Panamá e Portugal.

A medida já havia sido aplicada à África do Sul, onde também foi encontrada uma mutação preocupante do vírus.

A proibição não se aplica, porém, a cidadãos britânicos, nem aos residentes no país, que podem voltar para suas casas após apresentarem um teste negativo para covid-19 e com o compromisso de se isolarem por dez dias após sua chegada.

No país europeu mais castigado pela pandemia, o Executivo não quer, contudo, correr riscos. Assim, a ministra do Interior, Priti Patel, que se dirigirá ao Parlamento esta tarde, deve apresentar "mais" medidas para garantir que haja "menos fluxo" de viajantes, informou o ministro das Comunidades Locais, Robert Jenrick, ao canal Sky News.

Segundo a BBC, Patel anunciará que os britânicos e os residentes no Reino Unido que desembarcarem procedentes de países fortemente afetados pelo coronavírus terão de cumprir a quarentena em hotéis especialmente protegidos. E terão de pagar a hospedagem do próprio bolso.

A ministra teria defendido o fechamento total das fronteiras e uma quarentena de hotel para todas as chegadas, mas a proposta foi rejeitada por Johnson, relata o jornal The Times.

Reabertura de escolas

Diante das críticas do líder da oposição, o trabalhista Keir Starmer, que o acusou de ter ignorado os conselhos de seus assessores científicos, Johnson afirmou que "não existem soluções fáceis" quando se trata de escolher entre salvar vidas ou trabalhos.

O primeiro-ministro deve fazer pouco depois uma declaração à Câmara dos Comuns, centrada na reabertura das escolas, que estão fechadas devido ao terceiro confinamento desde o início de janeiro na Inglaterra.

Inicialmente prevista para meados de fevereiro, a volta às aulas pode ser adiada para abril, segundo a imprensa local.

Muito criticado desde o início da crise sanitária por suas políticas erráticas, Johnson, que ficou internado na UTI por covid-19 em abril passado - quando reconhecer temer por sua vida - garante que fez "todo possível" e pediu desculpas pelo terrível número de mortos.

Apesar de o país estar há semanas em seu terceiro confinamento, o professor Calum Semple, membro do grupo científico que assessora o Executivo, disse à BBC que pode haver cerca de 50 mil mortes a mais.

O Reino Unido agora deposita todas as suas esperanças em uma campanha de vacinação em massa. Uma primeira dose foi aplicada em 6,8 milhões de pessoas na terça-feira, e a segunda, a quase 500.000.

Ontem, o Reino Unido ultrapassou 100.000 mortes confirmadas de covid-19, e mergulhou em uma onda incontrolável de infecções atribuídas a sua própria variante do coronavírus, mais contagiosa e possivelmente mais letal.