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Alex: "Luxemburgo teve baixa, mas discordo que ele esteja desatualizado"

Do UOL, em São Paulo

12/08/2020 04h00

Campeão paulista pela nona vez na carreira no último sábado, Vanderlei Luxemburgo se tornou recordista de títulos na competição, além de já ser um dos maiores vencedores no Campeonato Brasileiro, mas nos últimos anos tem sido vencedor apenas nos estaduais, o que por vezes rende críticas ao técnico de 68 anos, que é apontado por alguns analistas como ultrapassado. Comandado por ele no Palmeiras, no Cruzeiro e na seleção brasileira, o ex-meia Alex discorda das críticas e o defende.

Em entrevista ao programa Os Canalhas, com os jornalistas João Carlos Albuquerque e Rodrigo Viana, Alex ressalta a carreira de Luxemburgo, o coloca como importante na história do futebol brasileiro, reconhece um momento de baixa nos últimos anos, critica os rótulos colocados no treinador e diz que a análise muitas vezes é diferente de acordo com o personagem em si.

"Eu acho que durante um período ele andou em baixa, mas ele andou em baixa por opções dele, por coisas que ele foi fazer além do futebol, que naquele momento eram mais prazeirosas para ele, isso ele demonstrou uns cinco ou seis anos, mais ou menos", diz Alex.

"Agora, relacionado a atraso, a não ter o conhecimento atual, isso tudo eu discordo. Ele acompanha o futebol, ele agrega o que tem hoje juntamente da comissão técnica dele com a experiência toda que ele acumulou lá atrás. É óbvio que existem situações que são teimosias até naturais de cada pessoa, eu tenho a minha e sou bem mais jovem do que ele", completa Alex.

Alex afirma que o histórico de Luxemburgo faz com que muitas vezes a crítica a ele seja mais exigente em relação a outros treinadores, mesmo que o trabalho feito seja semelhante.

"Ele é um cara que ele vai ser sempre muito bem respeitado. No Brasil existe uma situação muito grave, que eu considero grave porque eu vivenciei isso, passei por isso e pós-futebol a coisa mudou, que são rótulos. A partir do momento que você é rotulado de alguma coisa, é difícil você reverter isso. Então o Vanderlei hoje se ele anuncia 'não quero mais, me aposentei, vou cuidar dos meus netos e vou viajar', é impossível de você falar da história do futebol brasileiro sem falar do Vanderlei. Então isso tudo já demonstra a capacidade que ele teve e que ele continua tendo", diz o ex-jogador.

"A leitura quando é o Luxemburgo, ela é invariavelmente pesada acima, porque a história dele é muito rica, a história dele é muito vencedora. Então eu sou uma pessoa que ao longo da vida eu aprendi a respeitar muito os processos que foram feitos. Ninguém chega à idade que ele está dirigindo um clube grande como o Palmeiras, vencedor como o Palmeiras e vencedor como ele é, se você não tem uma história, uma força grande. Então isso eu respeito muito e continuo acreditando, continuo acompanhando, continuo vendo, porque eu acho que a gente sempre pode aprender coisas ali que ele possa vir a demonstrar", completa.

Crítica de Figo tem peso contrário à de Rivaldo

Após a vitória nos pênaltis do Palmeiras na final do Campeonato Paulista contra o Corinthians, o ex-meia Rivaldo, comandado por Luxemburgo no Palmeiras e na seleção, fez uma postagem em rede social colocando o técnico como o melhor que ele teve. Nos comentários, o português Luís Figo respondeu discordando do ex-camisa 10 da seleção brasileira e apontou que Luxa "foi o pior". Para Alex a posição dos dois jogadores tem a ver com o contexto em que cada um teve seu contato com o treinador.

"O Vanderlei chega no Real Madrid, faz as opções dele e nas opções dele e o Figo está fora. A partir do momento que um chefe assume e tira o teu subordinado, é normal que você olhe para o cara e não o coloque entre os melhores. Isso é totalmente normal. A coisa saiu em cima de uma postagem do Rivaldo, o Rivaldo é o oposto do Figo", diz Alex.

"O Rivaldo entra no time de 1994 do Palmeiras e ali ele se torna o Rivaldo, e o Vanderlei é treinador do Rivaldo em 1994, 1995 e 1996 no Palmeiras, que foram anos espetaculares do clube e individualmente do Rivaldo. Depois, no melhor ano do Rivaldo, em 1999, quando o Rivaldo ganha como melhor jogador do mundo jogando no Barcelona, o Vanderlei era o treinador dele também na seleção brasileira, ou seja, são histórias positivas a favor do Rivaldo contra uma história negativa a favor do Figo", conclui.

Título paulista sobre o Corinthians pesa para o Palmeiras

Alex faz ponderações sobre a forma como os clubes voltaram a jogar citando o título paulista conquistado pelo Palmeiras, considerando o tempo de parada devido à pandemia do novo coronavírus e a volta já nos momentos decisivos do estadual. Para o ex-dono da camisa 10 alviverde, mesmo com todo o contexto atual, a vitória palmeirense pesa por ser contra o Corinthians.

"Condicionando a parte técnica, a gente tem que falar muita coisa, mas que para dentro do campo cabe pouco, porque tem a questão da pandemia e a questão da pandemia, por mais que os atletas, os profissionais de futebol tenham tentado fazer a coisa da melhor maneira, a gente sabe que não é o ideal. Pararam quatro meses, depois voltaram e voltaram com jogos pesados, com jogos decisivos. Normalmente, quando você retorna, você tem todo um processo de jogos menores, jogos que não têm um peso tão grande e, de repente, veio um peso enorme", diz Alex.

"Querendo ou não, independente de pandemia, independente se você treinou, se você não treinou, quando você cruza Palmeiras e Corinthians, esqueça, o resto é tudo desculpa, é Palmeiras e Corinthians, e o peso é enorme. O Palmeiras venceu um Campeonato Paulista em cima do Corinthians, que é seu principal rival e que lutava por um tetracampeonato que onde a gente ouviu no final de semana, seria algo inédito para o Corinthians. Então o peso da decisão era muito grande, e aí quando você vence, como o Palmeiras venceu, você realmente tem que comemorar bastante, você tem que sair dali com uma satisfação enorme, comemorar e contabilizar esse título porque ele se torna importante", conclui.