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Richarlyson: "É muito chocante a maioria dos suicídios ser de pessoas LGBT"

Do UOL, em São Paulo

15/07/2020 04h00

Com uma carreira de conquistas no futebol, Richarlyson também precisou lidar em alguns momentos com o preconceito, boatos sobre suposta homossexualidade e o julgamento que o fizeram temer pela segurança de sua família, além de brincadeiras maldosas no meio do futebol. Ele destaca que é preciso ter mais respeito e cuidado, citando o número de casos de suicídios que ocorrem entre pessoas LGBT.

Em entrevista ao programa Os Canalhas, com os jornalistas João Carlos Albuquerque e Rodrigo Viana, Richarlyson afirma que as pessoas precisam aprender a respeitar a opção de cada um sob diferentes aspectos e critica a forma como a sociedade lida com as diferenças.

"O preconceito, ou prejulgamento, se podemos dizer assim, ele existe em várias áreas e é sempre muito complicado você debater com pessoas que são de mente pequena, ou não aceitam ideias, preferem ter um segmento, seja ele religioso, seja ele pessoal, enfim, inúmeras coisas que a gente pode enumerar aqui, colocar e não vai mudar", afirma Richarlyson.

"Eu costumo dizer assim, você não precisa aceitar aquilo que você não gosta, mas você precisa respeitar. E quando as pessoas não respeitam, elas acabam fazendo essas coisa de forma grosseira, de forma babaca, de forma julgadora", completa.

Ele revela que durante parte de sua carreira, chegou a temer em relação ao tratamento das pessoas e como isso poderia se refletir em sua família e também com seu irmão Alecsandro, que também é jogador de futebol.

"Era a minha maior preocupação, eram meus pais e, principalmente, o meu irmão, por também estar no mesmo ambiente que eu, ser atleta profissional de futebol, então as brincadeiras, enfim. Graças a Deus e graças eu acho que à minha forma de lidar com isso, eu fui sempre muito respeitado e isso é a forma com que eu me apresentei, a minha postura, eu acho que a minha base familiar, ela foi muito bem preparada", afirma o jogador.

Aos 37 anos, Richarlyson está já trabalhando o momento de transição para o pós-carreira de jogador de futebol e cursa educação física. E foi em seu curso universitário que ele descobriu um dado que o chocou em relação ao que ocorre com os homossexuais no mundo, com um grande número de suicídios.

"A gente estava falando sobre a questão do preconceito, de como a sociedade lida com o preconceito, e é muito chocante você ver que a grande maioria dos suicídios hoje em dia no mundo é de pessoas homossexuais, de pessoas que são LGBT, isso é triste, porque essas pessoas, elas ficam comedidas dentro de um temor absurdo porque as pessoas não conseguem respeitar essa decisão deles, isso é terrível", afirma o jogador.

"E eu não estou falando só por causa da questão do homossexualismo, tem outras coisas que estão acontecendo e são vítimas disso, jovens de 15 a 29 anos são a maioria dessas pessoas que se suicidam. A sociedade é esmagadora, a sociedade impõe coisas absurdas e às vezes você é obrigado a lidar com isso, sabe? É um absurdo isso. É triste, é uma situação deplorável, me entristece, não só por essa questão, porque realmente nós devemos respeitar o próximo, isso eu estou dizendo como cristão, alguém que acredita em Deus", conclui.

Os Canalhas: Quando e onde?

O programa Os Canalhas vai ao ar toda semana em duas edições semanais, na terça-feira, às 14h, e na quinta-feira, às 18h, em transmissão ao vivo, ou gravado, disponível na home do UOL ou nos perfis do UOL Esporte no Youtube e no Facebook e Twitter, com os jornalistas João Carlos Albuquerque e Rodrigo Viana entrevistando personalidades importantes do esporte brasileiro. Inscreva-se no canal Os Canalhas no Youtube para conferir mais de João Carlos Albuquerque e Rodrigo Viana.