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Ex-campeão do UFC aponta USADA como determinante para sua aposentadoria

Johny Hendricks anunciou sua aposentadoria recentemente, aos 34 anos - Christian Petersen/Getty Images
Johny Hendricks anunciou sua aposentadoria recentemente, aos 34 anos Imagem: Christian Petersen/Getty Images

26/09/2018 08h00

Ex-campeão dos meio-médios (77 kg) do UFC, Johny Hendricks anunciou sua aposentadoria recentemente, aos 34 anos. E, segundo revelou em entrevista ao site 'MMA Fighting' nesta segunda-feira (24), fatores como a proibição do uso de soro intravenoso, sua queda de rendimento e a dificuldade em bater o peso influenciaram e estão diretamente ligados à entrada da USADA (agência antidoping americana) no Ultimate.

Apesar de, segundo o próprio atleta, ter sido prejudicado pelas regras da agência, Hendricks parece ser favorável ao controle que a USADA tem feito nos profissionais do UFC. No entanto, desde 2015 - ano em que a entidade adentrou ao Ultimate -  algo afetou diretamente o desempenho do ex-campeão: a proibição do soro intravenoso, que servia para facilitar a reidratação dos atletas depois da pesagem.

"Acho que a USADA é uma ótima coisa para os atletas, porque isso faz com que as pessoas fiquem limpas, certo? Eu fiz 26 testes, nunca falhei em nenhum deles. Mas o que magoa no aspecto do MMA é que você não pode usar bolsas de soro", lamentou o ex-campeão.

"Eu não estou no esporte apenas por estar em um esporte. Isso faz sentido? Posso fazer outras coisas. Se vou fazer isso, quero ser o melhor, e sei que o meio-médio (77 kg) é o meu melhor. É onde eu deveria estar. Acho que você pode trazer de volta o soro intravenoso, porque eu acho que há muitas pessoas que realmente usavam para ajudá-los a lutar melhor. Uma vez que você tirou isso, você começou a ver alguns desses caras, eles tiveram que subir ou ficaram no peso normal e não tiveram o desempenho que costumavam ter", analisou o americano.

Johny poderia muito bem ter narrado a sua própria experiência, pois desde que a USADA passou a regular o Ultimate, o ex-campeão conquistou apenas uma vitória em seis combates. Além disso, o americano subiu para os pesos-médios (84 kg) e mesmo assim enfrentou problemas para vencer a balança.

"Todas as vitaminas, todos os minerais que você está tirando do corpo, ferro e coisas do tipo que seu corpo realmente precisa para competir em alto nível, definitivamente sempre que você está lutando no UFC, você precisa deles de volta aos seus músculos. Um exemplo perfeito: sem eles, acho que estava lutando a talvez 50%. Com eles, eu estava lutando em torno de 90%, porque meu corpo era capaz de se recuperar depois do corte de peso duro", opinou o atleta.

A proibição do uso de soro foi fundamental para Johny encerrar sua carreira no MMA. Mas antes de tomar essa decisão, o atleta resolveu se aventurar nos pesos-médios. Essa medida foi fruto de uma experiência nada agradável vivida em sua última luta nos meio-médios.

"Depois da última vez que lutei nos 77 kg, meus rins se fecharam. Eu fiquei como um balão. Então, vamos ver, eu lutei no sábado. No domingo à noite cheguei em casa, tinha 99,3 kg e explodi como um balão. Meu médico disse: "Ei, você precisa ir ao hospital". Eu estava tipo, sei exatamente o que está acontecendo, meus rins pararam de funcionar. E acho que durou cerca de quatro ou cinco dias. Na quinta-feira, eles foram reiniciados, e assim que isso aconteceu, eu passei de 99 kg para 90 kg em 24 horas, sem fazer exercício, nem nada", relembrou Johny.

Aposentado do MMA, Hendricks ainda não largou de mão sua relação com as artes marciais. Prova disso é o compromisso que o americano tem marcado para o próximo dia 9 de novembro. O ex-campeão do UFC enfrentará Brennan Ward, que já teve passagem pelo Bellator, em uma luta de boxe sem luvas.

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